Recado

Recado

Wladimir Llyich Ulyanov, um século depois – 1917/2017 –, por algum determinismo histórico mágico aporta por estas plagas e mostra-se incapaz de entender a disfuncionalidade do caso brasileiro.

De norte a sul, noite e dia, as energias são distópicas, o estado é de anomia, o rentismo corrói a Nação, a população sofre de anedonia e o país carece de lideranças, não criminalizadas, de preferência. Não estão presentes as condições históricas revolucionárias, apesar do desemprego ser alto e a miséria rondar o país. O marxismo é impotente porque lhe fogem as características intrínsecas de dono único da verdade. E a verdade é o que as pessoas acham que é verdade. Existem as manifestações de protesto, sim, contudo, não são orgânicas. A ideologia não está presente no discurso do povo, que comparece em dimensão reduzida aos quebra-quebras ou aos confrontos entre grupos do funcionalismo do Estado – policiais, bombeiros, professores, petroleiros e tantos outros. Todos se comportam como lobos comendo lobos. O povo está em algum outro lugar. Os sindicatos se apequenaram – alguns poucos operários ainda laboram nas fábricas. E os militares? Estes repetem que estão cumprindo sua função de zelar pela Constituição do país. Em prudente distanciamento, entretanto, parecem cerrar os olhos para a desconstitucionalização em marcha. Lenin, perplexo, pergunta a si próprio: o que fazer? Naquele estranho paraíso reverso, entre o estado de agonia cívica e a loucura desmedida, compreendeu que a verdade revolucionária é elástica. E a atitude revolucionária na circunstância é o mais radical ato legítimo da democracia.

“Diretas já” são os nossos mais sinceros votos para 2017.

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