Recado

Recado

Não existe o pior, categoria abstrata que pressupõe o último estágio de um processo de degenerescência. O pior sempre pode ser pior. Ou, como dizem os chineses, há sempre um fundo no fundo de tudo. Por ora, nunca se viveu época tão ruim. É a primeira vez desde o fim da ditadura em que o país é condenado a sofrer um governo de plenitude oligárquica, blindado pelo que a política brasileira produziu de mais podre e parasitário; cuja perfídia é preciso aguentar até que acabe; que se instalou de tal modo que toda e qualquer ação contra ele é inútil; que reduziu a nação à impotência e à desesperança, que é o maior crime que um governo pode impingir a um povo. Talvez o voto higienize essa era de lassidão moral e instituições ébrias. Então, esse material pútrido que afoga todos sofreria de bendita fadiga. E o aforismo de que não há mal que sempre dure voltaria a dar o ar da sua graça. A boa nova seria o restauro da autoridade, da ordem, da solidariedade, do valor do outro, da febre de futuro.

Mas sempre pode ser pior.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *