Recado

Recado

A decisão do PSDB de permanecer agarrado ao Governo Federal é vitória, sobretudo, da parcela do partido ligada a Geraldo Alckmin e incrustada na máquina do estado de São Paulo. Ela corresponde ao triunfo da dobradinha Alckmin-Temer, que assinala aliança da seção paulista do PSDB e do PMDB. Esta nada mais é do que a projeção nacional de um único partido: o antigo PRP – Partido Republicano Paulista – da República Velha.

Este partido, agora em nível nacional, exprime aquilo que o liberalismo brasileiro produziu, desde o século XIX, de mais conservador e pode ser definido pelo trinômio Progresso, Mercado e Polícia.

O êxito da seção perrepista do PSDB em aliança com Temer significa a confirmação definitiva de um terceiro campo político, francamente conservador, em nível nacional, em favor da candidatura de Alckmin. Um campo que não é nem socialista, nem liberal. No seu modelo governativo, não existe dimensão propriamente pública: é tudo coisa “privada”, ou “privatizada”.

O projeto dessa agremiação é estender ao resto do Brasil o tipo de governo que Lima Barreto já descrevia há cem anos, em “Os Bruzundangas”, como sendo o de São Paulo sob o domínio do PRP: “Não há lá independência de espírito, liberdade de pensamento. A polícia, sob este ou aquele disfarce, abafa a menor tentativa de crítica aos dominantes. Espanca, encarcera, deporta sem lei hábil. É o arbítrio; é a velha Rússia. E isso a polícia faz para que a província continue a ser uma espécie de República de Veneza, com a sua nobreza de traficantes a dominá-la, mas sem sentimento das altas cousas de espírito. Ninguém pode contrariar as cinco ou seis famílias que governam a província. Ai daquele que o fizer!”.

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