Recado

Recado

Na teoria, a democracia constitui um profícuo arcabouço imaginativo, capaz de garantir ao distinto público a possibilidade de solução para problemas de toda espécie. Na prática, é pouco mais do que um belo anseio, costumeiramente incompleto e ameaçado pelos sistemas mais ou menos autoritários. Em se tratando de democracia brasileira, mais inquietações: afinal, mostra-se tisnada pelo caráter duvidoso de uma construção recente e frágil, alicerçada em terreno movediço. Se tem em comum com as democracias avançadas o fato de enfrentar oponentes regidos por onipresentes e invisíveis interesses financeiros, a democracia brasileira exibe a particularidade de se fundamentar no assombro de injunções diversas, que movem e estancam, aceleram e freiam, avançam e interditam a continuidade do progresso. Entre a demanda reprimida e a vontade geral faminta, a vista alcança um vasto território no qual se encontram uma burocracia racional-legal (e ilegal) e uma pletora de leis, regulamentos, procedimentos, portarias, auditorias, controles sobre controles. O resultado é pantanoso. De tudo, resta pelo menos pôr mais um ingrediente na receita dos anseios democráticos: que achemos a mediana ótima entre o elogio às cláusulas da democracia e o ataque aos embargos irracionais. O Brasil não é para amadores.

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