Recado

Recado

“Nós não choramos sobre as ruínas da antiga capital (…). Fomos, é certo, abandonados. Os que daqui saíram com saudade sabem que o Rio é uma cidade insubstituível, uma cidade adorável, uma cidade em que todos os brasileiros, ontem, hoje, sempre, estarão como em sua casa. Sabem esses brasileiros que somos uma região sem regionalismos. Pensamos os nossos problemas em termos mundiais, além de continentais, e continentais, além de nacionais. (…). Nossos heróis são nacionais. Nosso pensamento, profundamente brasileiro, é internacional – porque somos um povo ecumênico, povo litorâneo, voltado para o nosso tempo, abraçado com o futuro (…). Muitas desgraças nos desfiguraram, muitas cicatrizes marcaram a cidade, abertas, escandalosas, de sinais de tragédia e sombras de martírio. Não é por acaso que o padroeiro da Cidade é um mártir cravado de flechas. Pensaram que nos abandonando interiorizavam a civilização, mas foi aqui que a deixaram. Porque somos a síntese do Brasil, porque somos a porta do Brasil para o mundo, e somos, do mundo, a vera imagem que ele faz de nós”

(Carlos Lacerda, A Cidade Devastada e sua Reconstrução)

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