Recado

Recado

Há que se temer os desvãos pode onde a segurança caminha. Ou será a insegurança disfarçada? É certo que o ato de prevenir ou precaver em situações que envolvem multidões incorre em dificuldade de ação, julgamento moral e objetividade de interpretação, dilemas válidos quer seja para nações, comunidades ou agrupamentos populares. A bula de precauções da segurança strictu sensu é infindável na circunstância de aglomerações mais numerosas.  Difícil lidar com muita gente. Seguro não morreu de velho, sobreviveu além. Mas o contradito também pode ser validado. Somente a insegurança moveu montanhas de convicção histórica e dominação entre povos. Essa dualidade cíclica faz com que períodos de risco sistêmico ou epistemológico culminem, em subsequência, com tempos pacíficos e de maior certeza. E vice-versa. A palavra segurança tem origem no latim, língua na qual significa “sem preocupações”. Já sua etimologia sugere o sentido de “ocupar-se de si mesmo” (si+cura). Os demais que se virem depois. E quem segura os demais com o risco da sua própria insegurança? Dizem os compêndios que a etimologia da palavra segurança oferece um bom conselho de ação política, deixando, contudo, a dúvida sobre o seu objetivo. Segundo o Dicionário de Filosofia Moral e Política, se a ação de risco for social (uma revolução) ou coletiva (uma guerra), o Direito é inaplicável, não sendo possível individuar quando a responsabilidade é de um coletivo de massas. Proteção e boas intenções não raro seguem como linhas paralelas. Heroísmo e insegurança são invariavelmente pontos de uma linha reta.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *