Recado

Recado

“É evidentíssimo que não se pode exigir uma originalidade absoluta nas instituições e costumes brasileiros. Povo sem expressão econômica e cultural, não nos é consentido fugir a uma forte sugestão de cada momento universal. Fatalmente temos de refletir em nossas fronteiras os anseios e palpitações do mundo contemporâneo. Seguimos uma necessidade profunda da alma humana quando volvemos o olhas invejoso para as perfeições exóticas. Todavia, o nosso servilismo e o nosso crime, dignos de verberação e repúdio, resumem-se no modo como recebemos as sugestões de cada momento universal. Fazemo-lo passivamente, sem o menor esforço de adaptação às peculiaridades do meio ambiente. Aceitamos tudo que nos chega com a mesma obediência triste e mecânica dum autômato. Somos um povo essencialmente passivo, sem traço de repulsa aos exotismos mais prejudiciais à nossa formação social e política. Somos um estômago de avestruz: tudo recebemos”.

 

(Virgínio Santa Rosa, A Desordem – ensaio de interpretação do momento, 1931, p. 51).

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