Recado

Recado

A verdade é que o Ministério (conservador) de Rio Branco foi um Ministério reformista como desde o Gabinete Paraná não se tinha visto outro e não se viu nenhum depois. (…) O pano das reformas era fornecido pelos liberais; era todo de padrão liberal; mas o mestre conservador talhava nele com uma largueza de tesoura que faria chorar no poder toda a alfaiataria contrária. O Partido Liberal, em vez de exultar, dizia-se roubado, pleiteava as suas patentes de invenção, suas marcas de fábrica.

Nabuco, Minha Formação

Não é a primeira vez que os liberais se dizem roubados, vítimas de um estelionato eleitoral. Ocorre que o bom governante age com prudência, adaptando-se às circunstâncias. Não se trata de pragmatismo puro e simples. Fiat justitia pereat mundus nunca foi bom lema em política. O contingente, o inesperado, são possibilidades esquecidas apenas pelos inexpertos e ideólogos de plantão. São aviões de candidatos que caem do céu; esquemas de propina que saem do armário; crises econômicas anunciadas como marolinhas, mas que chegam como tsunamis. Conforme a lição de Nabuco,  a regra de conduta em moral política não é querer realizar um ideal absoluto, mas tê-lo diante de si como um ponto fixo, de modo a se caminhar sempre na sua direção, a despeito dos vaivéns. Esta foi a lição deixada pelos saquaremas, que executavam as medidas pregadas pelos adversários luzias, quando as circunstâncias as impunham. Não adianta choramingar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *