O Bonaparte está chegando

O Bonaparte está chegando

O Brasil atravessa uma revolução branca desde as jornadas de 2013, com a eleição de 2014, o início da Operação Lava Jato e a catastrófica crise econômica que se seguiu. Os anos da “Revolução Judiciarista” foram de imensa imprevisibilidade, com deposição de presidentes, delações premiadas, vazamentos seletivos, povo na rua, encarceramentos e suspensões de direitos políticos em série. O descrédito colapsou sucessivamente os três poderes da República: o Legislativo, o Executivo e, por fim, o Judiciário. Com o governo Temer, começou o “Termidor” da Revolução, com seu característico oligárquico e carcomido. A República chegou a 2018 em petição de miséria. Não era preciso ter bola de cristal para prever que, nas eleições de 2018, os brasileiros exaustos consagrariam, como na sequência clássica francesa, um “Bonaparte”, isto é, um candidato carismático que prometesse ao mesmo tempo restabelecer o princípio da autoridade do Estado e consolidar as “conquistas da revolução” – leia -se o combate à corrupção política. Ao povoar a esplanada de generais e técnicos; ao prometer governar sem intermediários; ao instalar Sérgio Moro no Ministério da Justiça, o presidente eleito sinaliza aos eleitores que entregará o que prometeu. O novo presidencialismo de coerção tentará emparedar os desacreditados Congresso e Judiciário com as armas clássicas do bonapartismo: o apoio ostensivo das Forças Armadas e o apelo direto ao “povo”, por Twitter, WhatsApp e – quem sabe? – plebiscitos. Mas isso é só a amostra do pano, como diziam os antigos. Vem muito mais pela frente. Quem apostar na rotina vai perder.

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