Nahui Olin – Eclipse e solstício

Nahui Olin – Eclipse e solstício

Marcus Fabiano, jurista e escritor

Depois de praticamente um século, ela é definitivamente recuperada do olvido como artista pioneira do feminismo mexicano de projeção mundial. Nahui Olin (pronuncia-se náui olín) desenvolveu uma erótica crítica como poeta, pintora, dançarina, atriz, caricaturista, compositora e modelo tanto de portraits e nus fotográficos como de diversas representações pictóricas de nomes como Jean Charlot, Diego Rivera e Gerardo Murillo. Dado o caráter experimental e multidisciplinar das suas criações amalgamadas à própria biografia, é também comum que hoje se lhe atribua a designação de performer.

Nahui Olin nasceu María del Carmen Mondragón Valseca, em Tacubaya, Cidade do México, no ano de 1893, mas seria educada em um internato de Paris. Carmen era filha do general Manuel Mondragón, expoente militar da decena trágica de Porfírio Díaz e provável executor do presidente Madero no período revolucionário. Precursora no uso de minissaias e cabelos curtos cortados à navalha, ela seria hostilizada no México pelos conservadores que menosprezavam as mulheres de costumes liberais dos anos 1920. Eram as chamadas pelonas ou flappers, jovens da classe média e das elites urbanas que escandalizavam a sociedade dançando foxtrote, usando vestidos de tubo com panturrilhas à mostra, recusando o espartilho, fumando em público e frequentando festas desacompanhadas.

Com 20 anos, em 1913, Carmen Mondragón casa-se com o cadete Manuel Rodríguez Lozano, um aprendiz de diplomata três anos mais novo e com grande vocação para as artes plásticas. Retornando a Paris, o casal passa a exercitar-se em pintura e a frequentar o seleto grupo integrado por Pablo Picasso, Georges Braque, Henri Matisse e Diego Rivera. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, Carmen Mondragón muda-se com o marido para San Sebástian, no País Basco, Espanha, onde tem seu único filho. A criança viria a morrer logo e em circunstâncias jamais esclarecidas, as quais até hoje levantam rumores e suspeitas de infanticídio provocado por um ataque de fúria de Carmen.

Ante a descoberta da homossexualidade de Lozano e sua infeliz vida conjugal, ela retorna ao México e apaixona-se pelo paisagista Gerardo Murillo, conhecido como Doctor Atl (Doutor Água, em náuatle). Mestre de grandes nomes como José Orozco e David Alfaro Siqueiros, Dr. Atl, mesmo em situação de penúria, gozava de largo prestígio graças a uma fulgurosa inteligência que ele fazia questão de repartir em cursos e conferências. Dezessete anos mais velho que Carmen Mondragón, eles manteriam, a partir de 1921, um turbulento amor, responsável por profícua produção artística de ambos, troca de cartas e atividade memorialística. É o Doctor Atl quem batiza Carmen Mondragón como Nahui Olin, nome que designa o quatro-movimento, de onde surge o quinto sol na mitologia náuatle, uma representação cosmogônica encontrada em entalhes escultóricos e códices pré-colombianos de tlacuilos.

Doctor Atl logo convida Nahui Olin para viver consigo no colossal e inativo Convento de la Merced, exemplar único do estilo ibero-muçulmano colonial (mudéjar) que fora ocupado por ele a fim de evitar sua demolição. No magnífico prédio abandonado, o casal vive modestamente, mantendo uma vida de arte e entusiasmo sexual na imensidão deserta de um antigo espaço religioso. O romance entre a dita mulher mais bela do México e o brilhante pintor à beira da mendicância escandalizaria os círculos menos cosmopolitas. Entretanto, esse relacionamento não transcorreu de modo sempre pacífico. Certo dia, completamente nua, Nahui lutou com Atl e desferiu-lhe cinco tiros com uma pistola, todos felizmente alojados no solo.

Durante as décadas de 1920 e 30, o trabalho poético de Nahui Olin alcança níveis elevados na assimilação de abordagens futuristas, modernistas e proto-surrealistas, enquanto sua pesquisa visual produz quadros capazes de incorporar diversos elementos do muralismo a uma linguagem que certa crítica insiste em qualificar apenas como naïf. Ela ainda aperfeiçoa sucessivas hibridações entre o estilo art déco e temas telúricos da mexicanidade, protagonizando também ensaios fotográficos cuja gramática corporal adianta em anos trabalhos como o de Leni Riefenstahl. Desse período áureo, destacam-se as magníficas séries de Edward Weston e Antonio Garduño aqui reproduzidas, a respeito das quais Nahui reivindicava uma coautoria diretiva e dramática que lhe desapassivava da condição plástica e inerte de simples modelo em pose. Em 1925, após o fim do relacionamento com Dr. Atl, Nahui Olin viaja para Hollywood com o desenhista Matías Santoyo. Nos Estados Unidos, oferecem-lhe o estrelato de um filme que seria aceito e logo depois abandonado, já após a seleção de fotos, por ser considerado exageradamente explorador do fetiche da sua imagem. Bem visto, tal episódio aponta evidências de um cioso controle sobre a própria representação exercido por Nahui.

O seu último relacionamento mais conhecido foi com Eugenio Agacino, um capitão com quem empreendeu diversas viagens náuticas pelo Caribe e Europa. Após seu amante morrer repentinamente por um provável choque anafilático causado por mexilhões, Nahui Olin mergulha em profunda depressão e retira-se para a antiga casa familiar no centro da Cidade do México. Passaria então a sobreviver como professora de pintura em uma escola primária e com o auxílio de uma bolsa estatal para produtores de arte. Era o princípio de seu longo eclipse.

Abandonada pela fulgurante beleza, Nahui passou a viver entre dezenas de gatos recolhidos à rua, alimentando-se em um banquete quinzenal que era seguido, no resto dos dias, por refeições feitas em um asilo para mendigos. Aos poucos sua presença notável foi tornando-se fantasmática. Circulam relatos aterradores de uma Nahui Olin desorientada pelas ruas da Alameda, vagando com o rosto excessivamente maquiado, dando-se inclusive à prostituição. Sua memória foi sendo paulatinamente mitigada da vida cultural mexicana até desaparecer por completo. Abandonada e solitária, ela morreu em Tacubaya, no início de 1978, aos 85 anos, sem nenhum obituário na imprensa ou qualquer reconhecimento significativo por seu trabalho.

Ignorada por longos anos, a figura de Nahui Olin passa por um efusivo resgate graças ao trabalho iniciado por Tomás Zurián, que, em 1992, recolheu criações dispersas e organizou uma exposição reabilitadora de sua obra no Museu Diego Rivera. O trabalho de Zurián iniciou-se a partir de uma foto encontrada nos arquivos de Doctor Atl com a seguinte dedicatória: “Amor eterno amor Atl, la palpitación de mi corazón es el sonido de tu nombre que amo con toda la frescura de mi juventud, único ser que adoro, moja los ojos de tu amada con el semen de tu vida para que se sequen la pasión, que no ha de ser más que tuya.”
A irrupção de uma extravagante energia criadora, simultaneamente corporal e reflexiva, por certo dificultou a primeira acolhida de Nahui Olin, tantas vezes descredenciada como mera diva sedutora nos meios de uma vanguarda mexicana altamente machista. Contudo, o poema “Es una coqueta”, abaixo transcrito, discute justamente sua perspicácia da condição da coquette como mulher frívola dada ao flerte e habituada a colecionar suspiros de cortejos levianos. Examinando alguns estudos sobre sua vida, percebe-se que ela compreendia perfeitamente como e quanto sua condição natural de beldade lhe servia, embora jamais se resignasse a ser apenas isso.

Além de dona de um singular magnetismo erótico, o qual sabia evanescente (não se conhecem fotografias dela em idade avançada), a chamada “musa dos olhos verdes” não apenas moveu paixões avassaladoras de homens e mulheres. Como artista, antecipou pesadas censuras ao patriarcado ibérico e merecidamente hoje figura no panteão de “Las Siete Cabritas”, obra da ensaísta Elena Poniatowska que, além de Nahui Olin (1893-1978), arrola e discute trajetórias e criações de Frida Kahlo (1907-1954), Pita Amor (1918-2000), com quem Nahui manteve encontros lésbicos, María Izquierdo (1902-1955), Elena Garro (1916-1998), Rosario Castellanos (1925-1974) e Nellie Campobello (1900-1986).

Em 2017 entrou em cartaz “Nahui, la musa olvidada”, filme de Gerardo Tort. E em setembro de 2018 encerrou-se, no Museu Nacional de Arte do México, a exposição “Nahui Olin, la mirada infinita”. Essa ampla ofensiva de retomada chegou a entusiasmar os críticos a tal ponto que alguns chegaram a predizer uma ultrapassagem do prestígio internacional de Frida Kahlo. A sua obra poética publicada, cujas capas reproduzo abaixo, é formada pelos seguintes volumes: “Óptica cerebral, poemas dinâmicos” (1922), “Câlinement je suis dedans” – “Carinhosamente estou dentro” (1923), “À dix ans sur mon pupitre“ – “Aos dez anos sobre minha classe” (1924), “Nahui Olin” (1927) e “Energía cósmica” (1937). Supõe-se ainda, e com grande chance de acerto, existir uma quantidade razoável de desenhos e textos dispersos de Nahui Olin em múltiplos veículos e suportes a aguardar o levantamento por pesquisadores. Destaco aqui o seu último livro, “Energía Cósmica”. Nele a autora questiona a teoria da relatividade de Albert Einstein em versos, digressões técnicas e metafísicas que incorporam até mesmo elementos do princípio da incerteza, formulado pela mecânica quântica de Werner Heisenberg em 1927.

O impacto da poesia de Nahui Olin no contexto modernista e revolucionário mexicano é surpreendente por várias razões. E seguramente demandaria uma exegese crítica bem mais detida do que a comportada pelo escopo dessa modesta apresentação. Mesmo assim, cabe chamar atenção para o efeito contrapontístico provocado por uma terminologia científica que sugere o empenho intelectual da autora em se manter à altura dos mais complexos debates de sua época. Sem restar cativa de uma subjetividade romântica ou exclusivamente passional, a poeta ultrapassa o registro lírico para enfrentar o fascínio por uma natureza já observada e sentida pelas lentes do conhecimento organizado.

Assim, elementos de astronomia, ótica, eletricidade, física nuclear, biologia e recorrentes interrogações sobre os estados da matéria não operam em seus versos como meros estratagemas estetizantes. Ao contrário: indicam tomadas de posição, mesmo que epistemologicamente discutíveis, em um dramático momento de declínio da teoria do éter e ascensão das físicas relativística e quântica, ressonando o epíteto que ela formulara para definir a si própria: “amor, cerebro y carne”.

Sem síntese ou harmonia vislumbráveis, o gênio estético de Nahui Olin suportou conviver entre extremos de ternura e cólera. O seu traço leve e alegre, impregnado de infância e das cores vivas de seu país, teve contrapartida na tensão de uma assertividade literária ácida e contundente, por vezes sombria e até mesmo mórbida. A sua inteligência precoce, ao ser formada por uma educação de escol e pela experiência do convívio alhures, precipitou uma apurada noção dos lugares e funções da mulher nas sociedades tradicionais, algo que se pode notar no formidável poema ¿Quién te agita?, escrito por Carmen Mondragón ainda criança e recolhido por uma professora assombrada com seus dotes literários (que me pareceram, porém, amplificados em certa medida por alguma revisão ulterior).

Encorajo os leitores dessa revista a contribuírem para que se tire da sombra do esquecimento uma obra tão complexa e relevante para a arte feita por mulheres na América Latina. Selecionei a seguir uma mostra de seis poemas de Nahui Olin que compõem um fragmento do largo espectro dessa extraordinária criadora que urge ser integrada ao cânone continuador da linhagem rebelde de Sor Juana Inés de la Cruz, a Décima Musa, alguém que por certo lhe trouxe os melhores precedentes em matéria de arrojo comportamental, estro e agudeza.

O autor é professor do Departamento de Direito Público da Universidade Federal Fluminense (UFF).
marcusfabiano@terra.com.br
SEIS POEMAS
DE NAHUI OLIN
***
EL PODER DE LOS IMBÉCILES
[Óptica cerebral. Poemas dinâmicos]

El oro es el perverso auxiliar que da poder a los imbéciles, a los gobiernos, a los explotadores de sentimientos humanos o poderes religiosos y desnudan de bienes materiales y espirituales a los pobres que despojan de ese metal que tan fácilmente se escapa de nuestras manos tan sólo para nuestra manutención vital. Nacemos por una causa tan natural como las plantas que viven de oxígeno, de jugos de la tierra y somos máquinas del oro que nos permite vivir según lo que poseamos, y somos superiores a las plantas y a los insectos, con necesidades inferiores a ellos, creadas por nuestras ambiciones, y somos pobres porque nos han hecho pobres los que nos despojan de bienes materiales, de bienes espirituales, y el oro es el poder de los imbéciles que venden a los pobres aire, luz, pan o yerbas a precios locos, impuestos por sus pervertidas ambiciones de poderes imbéciles. –

***
BAJO LA MORTAJA DE NIEVE DUERME LA IZTATZIHUATL
EN SU INÉRCIA DE MUERTE
[Óptica cerebral. Poemas dinámicos.]

Bajo la mortaja de leyes humanas, duerme la masa mundial de mujeres, en silencio eterno, en inercia de muerte, y bajo la mortaja de nieve– son la Iztatzihuatl,
en su belleza impasible,
en su masa enorme,
en su boca sellada
por nieves perpetuas, –
por leyes humanas. –
Mas dentro de la enorme mole, que aparentemente duerme, y sólo belleza revela a los ojos humanos, existe una fuerza dinámica que acumula de instante en instante una potencia tremenda de rebeldías, que pondrán en actividad su alma encerrada, en nieves perpetuas, en leyes humanas de feroz tiranía.– Y la mortaja fría de la Iztatzihuatl se tornará en los atardeceres en manto teñido de sangre roja, en grito intenso de libertad, y bajo frío y cruel aprisionamiento ahogaron su voz; pero su espíritu de independiente fuerza, no conoce leyes, ni admite que puedan existir para regirlo o sujetarlo bajo la mortaja de nieve en que duerme la Iztatzihuatl en su inercia de muerte, en nieves perpetuas. –

***
ES UNA COQUETA
[Câlinement je suis dedans]

Es una coqueta
la que
pierde la cabeza
la
que
va
como yo
sin
saberlo
gustándose
todas las veces
que la miran
ES
inútil
saber
que se
es
bella
y
linda
se tiene
sin cesar
que encontrar
a alguien
que se lo diga
y rediga
o que no le haya
dicho nunca
qué
linda
es
ES
una coqueta
la que
deja
de tener
el mismo
efecto
ella cambia
para encontrar
una nueva
manera
de gustar
de ser deseada
y aunque
todo el mundo
se voltee
para mirarla
ella
no está
cansada
de arrancar
deseos
al mundo entero
que
no la ha
mirado demasiado
dicho y redicho sin cesar
que es linda
como una coqueta
que hace perder la cabeza
al mundo entero
Dado que
no son suficientes
las conquistas
LA COQUETA
irá
siempre
a buscar
a alguien
que le
diga
y
rediga

eres linda.

***
EL CÁNCER QUE NOS ROBA LA VIDA
[Óptica cerebral: Poemas dinâmicos]

El cáncer de nuestra carne que oprime nuestro espíritu sin restarle fuerza, es el cáncer famoso con que nacemos—estigma de mujer—ese microbio que nos roba vida proviene de leyes prostituidas de poderes legislativos, de poderes religiosos, de poderes paternos, y algunas mujeres con poca materia, con poco espíritu, crecen como flores de belleza frágil, sin savia, cultivadas en cuidados prados para ser transplantadas en macetas inverosímiles—arbustos enormes, enanizados por mayor crueldad y sabiduría agrícola que la de los japoneses—y flores marchitas de invernadero, temerosas, tiemblan frágiles en la atmósfera pura-el sol las consume, la tormenta de la lucha de la vida con sólo su rumor las mata, y son víctimas de crímenes cínicos de poderes legislativos, de poderes religiosos, de poderes paternos, y esas víctimas cobardes paren, porque no tienen seguridad de ellas mismas, generaciones de nulidades enfermizas. Mas otras mujeres víctimas también de esos poderes y en las que la carne impera, saltan por todo y van por el mundo con carne temblorosa de deseos—cortesanas humilladas por leyes gubernamentales—y aunque atormentadas por las mismas pasiones, van otras, fanáticas, que azotan con religiones, y amenazan, vulgares sus carnes podridas de pasiones y deseos extinguidos…
Mas otras mujeres de tremendo espíritu, de viril fuerza, que nacen bajo tales condiciones de cultivadas flores, pero en las que ningún cáncer ha podido mermar la independencia de su espíritu y que a pesar de luchar contra multiplicadas barreras que mil poderes les imponen, más que el hombre a quien le han glorificado su espíritu y facilitado sus vicios—con esas multiplicadas barreras que mil poderes les imponen—y desarmadas, con débil carne de invernadero, luchan y lucharán con la sola omnipotencia de su espíritu que se impondrá por la sola conciencia de su libertad—bajo yugos o fuera de ellos-y la civilización de los pueblos y de los hombres hará efectivo el valor de seres de carne y espíritu como ellos.
Mas las otras pobres flores-arbustos enanizados—traen consecuencias del cáncer hereditario a las nuevas generaciones y paren seres pequeños e intoxicados, sin fuerza de espíritu, sin fuerza de cuerpo, que significan degeneración universal—y el problema de la educación se yergue para crear la fuerza que ha de sostener a seres enfermos del cáncer que roba vida.—
***
¿QUIÉN TE AGITA?
[À dix ans sur mon pupitre]

–¿Quién te agita, oh, espíritu mío? ¿Es el amor? Es la sed feroz de comprender, de saber más hasta llenar el inmenso vacío, hasta sobrepasarlo completamente. Tú amas, tú crees amarlo todo y nada te basta. Quieres sumergirte en los pensamientos de Pascal, Voltaire, Renan, Platón y Aristóteles para saciar tu razón, para practicarla, para engrandecerla, para animarla de una vida que le es necesaria, para demostrarle que el pensamiento humano es infinito, que ella puede seguir aprendiendo, sabiendo, sintiendo, razonando, que nada le bastará, y que al final de mi carrera no habrá aprendido, sabiendo lo que habría podido aprender. Quiero vaciar en mí misma hasta los últimos jugos de las bellezas del arte de las obras humanas; sí, quiero sentir lo que todos han sentido. Después de haber aprendido hay que aprender siempre. Me moriría de dolor si se me privara de esta vida intelectual, de toda fuente de filosofía, poesía, juicio, estudio, razonamiento; seguramente moriría disecada como una planta sin aire. –

***
RELATIVIDAD
[Energía Cósmica]

La relatividad del espacio y del tiempo que Einstein ha comprobado matemáticamente y físicamente, y que ha dejado satisfecho a los sabios y que yo aplaudo con entusiasmo pero que difiere de mi modesto modo de pensar—es que la relatividad que se le ha encontrado a todo, nunca ha prescindido de nosotros mismos y hemos sido el punto esencial para que puedan existir las cosas y hacer una comparación entre ellas de movimiento o de tiempo de velocidad o de aparente inmovilidad—entonces nosotros mismos con el criterio que poseemos establecemos la relatividad, es decir la relatividad en una de las pruebas más eficaces de nuestra incomprensión de la totalidad del universo, estamos en ella y no podemos darnos cuenta de ella puesto que establecemos una relatividad donde claramente se acusa nuestra incompetencia para estar en ese momento preciso en la totalidad de las cosas.— Sí, es admirable acusar y precisar de ese modo nuestras imperfección; pero la relatividad del espacio acaso tendría razón de existir si nosotros no existiéramos?— Nuestro error que nos llevará siempre a cosas limitadas es el de aislar la cosa y de no seguir la verdadera relación que en ese segundo de impulso, movimiento, etc., hay en cada átomo de distinta materia y que va bajo los rayos de la luz, las vibraciones eléctricas inadvertidas para nosotros y el movimiento propio de cada ser, elemento, o cosa proviniendo de un conjunto.— Es cierto que la compenetración y comprensión del infinito nos convertiría seguramente en el control de esa fuerza inconsciente.— La Relatividad del espacio que yo concibo con mi modesto criterio es la que permite a toda materia de cualquier especie que sea, tener una evolución distinta pero siempre dentro la enorme y terrible totalidad que nos aplasta, nos nulifica.—

***

 

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