Déficit atômico – O buraco nuclear na balança comercial do Brasil

Déficit atômico – O buraco nuclear na balança comercial do Brasil

Julia M. Zordan, Bacharel em Relações Internacionais pela PUC-Rio

Sergio A. da S. Jordão, Bacharel em Relações Internacionais pela PUC-Rio

 

O comércio internacional de materiais nucleares teve início na década de 1950, e desde então uma série de regimes foram criados com o intuito de impedir que eles fossem usados para o desenvolvimento de armas nucleares, garantindo seu uso apenas para fins pacíficos. Esse foi o caso do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), de 1968, e da Convention on Nuclear Safety, de 1994, dado que se trata de uma questão tão relevante para a segurança global. A partir desse histórico, o presente artigo propõe-se a traçar uma análise dos dados do comércio exterior brasileiro de reatores nucleares e de suas partes, bem como o histórico da criação dos regimes de não proliferação e da postura brasileira frente a eles. Assim, objetiva-se responder se o fluxo do comércio brasileiro de reatores e das suas partes foi, historicamente, influenciado pela adesão brasileira aos regimes internacionais de não proliferação e pelos principais eventos mundiais.

 

Introdução

The more important responsibility of this Atomic Energy Agency would be to device methods whereby this fissionable material would be allocated to serve the peaceful pursuits of mankind. Experts would be mobilized to apply atomic energy to the needs of the agriculture, medicine, and other peaceful activities. A special purpose would be to provide abundant electrical energy on the power-starved areas of the world. Thus the contributing powers world be dedicating some of their strength to serve the needs rather than the fears of the world. (EISENHOWER, 1953, p. 8).

 

Essa citação é parte do famoso discurso do presidente dos EUA Dwight D. Eisenhower perante a Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), no dia 8 de dezembro de 1953, o qual foi intitulado “Átomos para a Paz”. Ao longo da sua fala, o presidente Eisenhower desenvolve a sua ideia de que a energia nuclear não poderia ser apenas associada a armas de destruição em massa, já que ela possui características que a tornam benéfica para o mundo. Com isso, o presidente norte-americano afirma que os EUA estariam dispostos a ajudar os seus países aliados, que assim desejassem, a desenvolver programas nucleares para fins pacíficos. A partir de 1953, os EUA começaram a vender reatores nucleares e a treinar especialistas para manuseá-los corretamente para quase 24 países. (LAVOY, 2003).

O Brasil e o Irã foram dois Estados que se beneficiaram com essa política, tendo iniciado os seus programas a partir da cooperação americana na década de 1950. Além disso, outra consequência direta desse discurso foi a criação, em 1957, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), como uma agência especializada da ONU. O programa “Átomos para a Paz” é importante para este trabalho porque ele marcou o início do comércio de materiais nucleares no mundo. Hoje, apesar de o programa ter sido encerrado, a comercialização de reatores nucleares e de materiais físseis continua a existir. Diferentemente da década de 1950, essa tecnologia pode ser encontrada hoje em diversos países.

Assim sendo, tal tema mostra-se relevante para os estudos de Relações Internacionais, na medida em que toca diretamente na questão de segurança internacional, já que os reatores nucleares podem ser usados não somente para a fabricação de energia elétrica e para pesquisa, mas também para o enriquecimento de urânio necessário para uma arma nuclear. Dessa forma, o estudo do comércio de tais produtos mostra-se ponto importante para os estudos de segurança.

Os objetivos do presente estudo são, então, analisar o comércio internacional de reatores nucleares e das suas partes, mais especificamente examinando o histórico do regime de não proliferação, a fim de responder a seguinte pergunta da pesquisa: como o regime de não proliferação alterou o comércio de reatores nucleares e de partes de reatores entre o Brasil e o resto do mundo? Dessa forma, pretendemos testar a hipótese de que a venda de reatores nucleares e das suas partes comercializados pelo Brasil segue um padrão de acordo com a construção de normas internacionais e dos principais eventos mundiais.

Assim, o artigo está dividido da seguinte forma: na primeira seção será traçado um histórico do regime de não proliferação. Também falaremos brevemente sobre o Nuclear Suppliers Group (NSG). A segunda seção tratará do posicionamento e das ações tomadas por parte do Brasil em relação à questão nuclear enquanto os regimes estão sendo criados. Assim, na primeira e na segunda seção, serão utilizadas fontes primárias, como o Tratado de Proibição de Armas Nucleares na América Latina, conhecido como Tratado de Tlatelolco, de fevereiro de 1967, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), de 1968, e a Convention on Nuclear Safety, de 1994. A terceira seção trará os dados do comércio de reatores nucleares e de partes de reatores, bem como uma análise de tais dados. Na quarta seção será feito um cruzamento da análise dos dados apresentados na segunda seção com o histórico traçado na primeira seção. Finalmente, apresentaremos algumas considerações finais.

 

Metodologia

Neste trabalho, usamos como principal base de dados o World Integrated Trade System (WITS), uma vez que ele é administrado por diversas organizações internacionais respeitadas na área de comércio, entre elas a Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, para nossa pesquisa, escolhemos utilizar a nomenclatura do Sistema Harmonizado (SH) revisão 1988/92 por ser mantida pela Organização Mundial das Alfândegas (WCO, em inglês) e por possibilitar uma análise histórica desde 1991. Essa nomenclatura de comércio é uma tentativa de padronizar as trocas comerciais, associando números para cada tipo de produto. No SH, os produtos são divididos entre 01 e 99, que seriam níveis com pouco detalhamento. Quantos mais dígitos são adicionados, maior o nível de detalhamento. Assim, em nossas pesquisas, analisamos dados com SH a 6 dígitos para poder tratar de reatores nucleares (SH 840110) e das suas partes (SH 840140). Não será, portanto, considerado o comércio de materiais físseis e combustíveis. Além disso, temos conhecimento de que existe uma diferenciação entre reatores de potência, para produção de energia elétrica, e reatores de pesquisa. Contudo, a nomenclatura SH – e nenhuma das outras nomenclaturas de comércio internacional consultadas, e.g. SITC, CPC e ISIC – faz tal distinção. Desse modo, não é possível que nós a façamos.

Dado que se trata do comércio entre Brasil e o resto do mundo, foi opção dos autores limitar a análise entre o período de 1991 e 2014, já que a criação do MERCOSUL no primeiro ano representa uma mudança de paradigma para as diretrizes seguidas pelo comércio brasileiro. Por fim, é muito importante ressaltar que a área nuclear ainda é considerada como altamente sensível para os países, fazendo com que as suas informações por vezes sejam sigilosas ou feitas sem alardes.

A Lei nº 9.112, de 10 de outubro de 1995, regula o comércio brasileiro de tais materiais, que por ela são considerados bens sensíveis. Segundo essa norma jurídica:

 

  • 1º Consideram-se bens sensíveis os bens de uso duplo e os bens de uso na área nuclear, química e biológica:

II – consideram-se bens de uso duplo os de aplicação generalizada, desde que relevantes para aplicação bélica; III – consideram-se bens de uso na área nuclear os materiais que contenham elementos de interesse para o desenvolvimento da energia nuclear, bem como as instalações e equipamentos utilizados para o seu desenvolvimento ou para as inúmeras aplicações pacíficas da energia nuclear. (BRASIL, 1995).

 

Desse modo, os SH’s utilizados nesta pesquisa, 840110 e 840140, estão incluídos na categoria mais ampla de “materiais sensíveis”, de forma a serem regulados pela mesma lei.

Por fim, em nossa pesquisa, não conseguimos obter dados de comércio em determinados anos com relação ao comércio entre o Brasil e o mundo nessa área, por conta da sensibilidade do tema. Isso é curioso uma vez que o governo brasileiro possui uma extensa legislação sobre acesso à informação, mas mesmo assim alguns dados estão indisponíveis e/ou o que é declarado como comercializado pelo país não condiz com o que é declarado pelos demais governos. Isso mostra o quão “cinzento” o campo nuclear ainda é para todos os Estados.

 

Histórico dos regimes de não proliferação

Quando falamos de reatores nucleares e de suas partes, estamos falando de materiais radioativos, ou seja, de materiais que precisam ser manuseados com muito cuidado por oferecerem riscos à saúde de quem lida com eles, bem como ao meio ambiente. Porém, mais do que os riscos associados à manipulação de tais materiais, a fabricação e o comércio de reatores nucleares e suas partes mostra-se um tema ainda mais complicado. Tais produtos têm uma importância muito grande para uma série de países, por permitir que, utilizando-se deles, seja produzida energia elétrica e partículas para pesquisa.

A energia nuclear é considerada muito vantajosa, na medida em que é renovável, é considerada como “verde” – ou seja, não libera gases de efeito estufa –, sua produção não depende de fatores climáticos e libera poucos resíduos. Nesse sentido, “[o] [c]rescimento da demanda energética e a necessidade do cumprimento do Protocolo de Quioto provocaram na última década uma retomada mundial do debate sobre as contribuições da tecnologia nuclear para a geração de energia” (CARPES, 2006, p. 140). Há, porém, um debate no sentido de suas desvantagens, como a dificuldade em lidar com a questão do armazenamento do lixo nuclear produzido, seu preço – mais elevado, se comparado a outras formas de energia – e o risco de acidentes, como os de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, e em Fukushima, no Japão, em 2011.

No entanto, a complicação maior referente ao comércio de reatores nucleares e de suas partes não diz respeito ao debate energético, mas sim ao debate com relação à segurança (security) dos países, já que estes reatores e suas partes podem ser utilizados para outros fins além de produção de energia elétrica. Um destes fins é a produção de urânio altamente enriquecido. Quando um dos isótopos do urânio, o Urânio-235, é enriquecido a mais de 90%, é possível utilizá-lo para a produção de armas nucleares. Essas armas nucleares são consideradas uma ameaça à segurança mundial. Por conta disso, em 1968 foi aberto para assinaturas o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), o qual entrou em vigor em 1970. (WHEELER, 2002).

Essa data é muito importante, já que os EUA e a União Soviética criam esse regime para conter a proliferação de armas nucleares. As duas superpotências estavam vivendo o auge da chamada détente, ou dissuasão nuclear, quando ambos atingiram uma relativa paridade no número de ogivas nucleares e eles perceberam que precisavam cooperar nesse campo para impedir a destruição mundial. Na verdade, medidas como essa já vinham sendo adotadas desde 1963, com a criação do Tratado sobre Proibição Parcial de Testes Nucleares entre os dois países, o qual depois foi aberto para diversos signatários. Esse ano também é emblemático já que no ano anterior as duas potências quase iniciaram uma guerra nuclear por conta da Crise dos Mísseis de Cuba.

Assim, a possibilidade da destruição mundial e a ascensão de novos “polos nucleares”1 elevaram a apreensão internacional. Em consequência direta disso, foram criados regimes internacionais para tentar conter a proliferação de armas nucleares. Regionalmente, em 1964, foi proposta a criação da primeira Zona Livre de Armas Nucleares, a qual abrangeria toda a América Latina e o Caribe. Esse projeto, proposto pelo Brasil naquele ano (JESUS, 2012a), mas levado à frente pelo México, deu origem ao Tratado de Tlatelolco em 1967, formado inicialmente por 11 países. Esse projeto foi o pioneiro em limitar a corrida armamentista nuclear em uma região densamente povoada. (BRASIL, s.d.). Internacionalmente, as duas superpotências perceberam a necessidade de criar um regime universal que, a princípio, impedisse a proliferação nuclear. (WHEELER, 2002). Nesse contexto, o TNP é criado em 1968. Assim, fica evidente a preocupação internacional logo no preâmbulo do TNP (1968), em que é colocado que:

 

Recalling that, in accordance with the Charter of the United Nations, States must refrain in their international relations from the threat or use of force against the territorial integrity or political independence of any State, or in any other manner inconsistent with the Purposes of the United Nations, and that the establishment and maintenance of international peace and security are to be promoted with the least diversion for armaments of the world’s human and economic resources.

 

O TNP entra em vigor em 1970 e é sustentado por três pilares: não proliferação, desarmamento nuclear e uso pacífico da energia nuclear. Além disso, ele divide os países em duas categorias: os nuclearmente armados, que seriam apenas aqueles que já possuíam armas nucleares, ou seja, EUA, URSS, Reino Unido, França e China; e os não nuclearmente armados, que seriam todos os outros países. Assim, esse regime trouxe obrigações e direitos tanto para os países detentores de armas nucleares quanto para aqueles que não as possuíam. As ações principais do TNP são descritas por Fonseca (2013, p. 2-3), da seguinte forma:

 

O TNP proíbe os Estados nucleares de transferirem armas atômicas ou de prestarem assistência para a sua obtenção. Proíbe, também, aos Estados não nucleares de receber, desenvolver, produzir ou adquirir armas nucleares e os obriga a assinar, com a Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA (International Atomic Energy Agency – IAEA) um acordo de salvaguardas sobre instalações e materiais nucleares por eles utilizados.

 

Muito pode ser criticado sobre esses pontos, principalmente o segundo pilar, mas temos que apontar que nenhum país dentro do regime do TNP “proliferou” nuclearmente.2 Além disso, o TNP é hoje um dos regimes mais abrangentes que existem, já que inclui todos os países da AGNU, com exceção de Israel, Paquistão, Índia, Coreia do Norte e Sudão do Sul.

Depois do TNP, uma série de tratados foram assinados entre as duas superpotências nas décadas de 1970 e 1980 com o intuito de limitar e reduzir os seus arsenais nucleares. (WHEELER, 2002). Além disso, em 1975, Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido, França, Alemanha, Japão e Canadá se reuniram para estabelecer o Grupo de Supridores Nucleares (NSG, em inglês). Esse Grupo foi criado como uma resposta à explosão nuclear indiana em 1974 e ao empenho de vários países para tentar dominar o ciclo completo do combustível nuclear. (MOURA, 2001, p. 135). Ele ainda existe, contando atualmente com 49 membros,3 e tem como objetivo estabelecer regras básicas para a exportação de reatores e materiais nucleares para impedir que esses produtos sejam usados novamente para o desenvolvimento de armas nucleares.

Porém, com o fim da Guerra Fria no final da década de 1980 e início de 1990, a corrida armamentista foi desacelerada, e o mundo se modificou. No âmbito da segurança, novos temas passaram a fazer parte das agendas dos Estados, entre eles a questão da nuclear safety. Tendo Chernobyl ocorrido em 1986, o debate sobre segurança nuclear começou a crescer na comunidade internacional. Como resultado, em 1994 foi aberto para assinaturas a Convenção sobre Segurança Nuclear, que entrou em vigor em 1996. De acordo com o seu Art. 1º, inciso II, a Convenção se propõe a “establish and maintain effective defences in nuclear installations against potential radiological hazards in order to protect individuals, society and the environment from harmful effects of ionizing radiation from such installations safety.” (CONVENTION ON NUCLEAR SAFETY, 1994).

Não há por parte da Convenção sobre Segurança Nuclear uma definição sobre o conceito de segurança nuclear, já que, por conta de seus vários aspectos e elementos, fechar uma definição para tal ideia é algo extremamente complicado (PTASEKAITE, 2011). Porém, Rasa Ptasekaite (2011, p. 4), nos dá uma definição que, segundo ela, é a mais comumente usada:

 

Nuclear safety is commonly defined as the achievement of proper operating conditions, prevention of accidents, or mitigation of accident consequences, resulting in protection of workers, the public and the environment from undue radiation hazards. This definition covers the understanding of nuclear safety as freedom from physical harm, meaning both acute and latent health effects from exposure to radiation, as well as unreasonable risk and environmental damage due to the operation of nuclear facilities.

 

Além dessa Convenção, a AIEA também ampliou os seus instrumentos de salvaguarda na década de 90, principalmente depois das várias acusações de violação do TNP por parte da Coreia do Norte e Iraque. Assim, em 1997 foi então criado o Protocolo Adicional ao Acordo de Salvaguardas do TNP, o qual aumenta os poderes de monitoramento dos programas nucleares por parte da AIEA nos países signatários desse protocolo.

 

O Posicionamento Brasileiro

A política nuclear brasileira data desde a década de 1950, quando, por meio do programa “Átomos para a Paz” do governo Eisenhower, o Brasil adquiriu seu primeiro reator nuclear. (CNEN, s.d.). A mentalidade da época era que dominar a energia nuclear significaria ter controle sobre a tecnologia mais avançada que existia e, assim, colocaria o Brasil no mesmo patamar tecnológico dos países desenvolvidos. Porém, a ascensão do regime militar em 1964, elevou a questão nuclear para o âmbito da segurança nacional.

Assim, quando o TNP foi proposto, o Brasil recusou-se a assiná-lo sob a acusação de que tal regime seria uma violação da soberania nacional, pois restringiria o programa nuclear brasileiro, o qual era considerado vital para a segurança e para o desenvolvimento nacional. (JESUS, 2012a). Além disso, o tratado também era visto como injusto, pois “desarmava os desarmados”. O primeiro argumento também foi usado pelo Brasil para não aderir ao Tratado de Tlatelolco em 1967. É importante perceber que essa característica soberanista brasileira não se aplicou apenas à questão nuclear. Nesse período, o país também se recusou a assinar os principais tratados sobre meio ambiente e direitos humanos, por exemplo, sob o mesmo argumento de que tais regimes limitariam a sua autonomia e soberania. Assim, esse período da política externa brasileira ficou conhecido como busca da “autonomia pela distância”. (FONSECA JR., 1998).

Contudo, com o fim da Guerra Fria, o surgimento de novos polos de poder no mundo, a globalização, a redemocratização brasileira em 1985 e, consequentemente, a formação de uma sociedade civil organizada e a promulgação da Constituição de 1988, a política externa brasileira precisou de adaptações para poder lidar com esses novos desafios e atores internacionais e nacionais. Assim, a partir do final da década de 1980, o governo brasileiro modifica a estratégia de inserção internacional do país, fazendo com que o país passasse a integrar os principais regimes internacionais. O pensamento da época, diferentemente do adotado no período anterior, era que, ao aderir a tais tratados, o Brasil conseguiria se aproximar dos principais atores internacionais, melhorando assim a sua imagem internacional e a sua posição frente às potências. (FONSECA JR., 1998). Além disso, o país também conseguiria influenciar esses fóruns ao colocar a posição e os interesses nacionais nas suas pautas de discussão. Essa nova estratégia brasileira foi então apelidada de busca da “autonomia pela participação”.

No caso específico da questão nuclear, certas medidas contribuíram para a participação do Brasil nesses regimes internacionais. Internamente, a Constituição de 1988 determina, em seu Art. 21, inciso XXIII, alínea a, que “toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional”. (BRASIL, 1998). Ao mesmo tempo, no plano regional, o Brasil resolveu as suas questões de caráter estratégico e fronteiriço com a Argentina durante a década de 80, o que permitiu a ambos os países, por meio de um processo de confidence building, iniciar uma cooperação na área nuclear, pondo fim à corrida armamentista entre eles (JESUS, 2012b). Seu ápice está na criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), em 1991, que tem como principal função monitorar a produção nuclear em ambos os países.

Como consequência, em 1994, o país assinou e ratificou o Tratado de Tlatelolco e, em 1998, o mesmo foi feito para o TNP. Com relação à Convenção sobre Segurança Nuclear, o Brasil aderiu rapidamente ao regime de segurança nuclear em 1997, antes mesmo dos EUA, que só entraram em 1999. Por fim, o país também adere ao NSG em 1996. (HERZ; LAGE, 2013).

A supracitada Lei nº 9.112, de 10 de outubro de 1995, não confere apenas uma definição jurídica do termo “materiais sensíveis”, mas também foi responsável pela criação da Comissão Interministerial de Controle de Exportação de Bens Sensíveis (Cibes), que regula esse comércio sensível. Tal órgão é composto hoje4 pelos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Relações Exteriores (MRE), Defesa (MD), Justiça (MJ), Fazenda (MF) e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), de forma que a exportação de tais bens está atrelada a uma licença especial, obtida previamente, por parte do MCTI. (BRASIL, 2002).

Atualmente, é visto um forte comprometimento do Brasil em relação à não proliferação. Segundo o seu Ministério das Relações Exteriores (MRE):

 

O Brasil tem participado ativamente das Conferências de Exame do TNP e de outros foros multilaterais acerca desse tema, como a I Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas e a Conferência do Desarmamento. Nessas discussões, o Brasil atua no âmbito da Coalizão da Nova Agenda, integrada por seis países não nuclearmente armados com forte atuação na defesa do desarmamento nuclear (Brasil, África do Sul, Egito, Irlanda, México e Nova Zelândia) (BRASIL, s.d.).

 

Comércio brasileiro

Segundo dados do WITS, em 2014 os quatro Estados que mais exportaram reatores nucleares, em termos de valor total, foram Coreia do Sul (99,1%), Canadá (0,6%), África do Sul (0,1%) e Estados Unidos (0,1%), e, no mesmo ano, os quatro maiores importadores foram Indonésia (64,6%), Tailândia (8,1%), Serra Leoa (7,5%) e EUA (6,4%). (Ver Tabela I). Já no mercado de partes de reatores, os maiores exportadores em 2014, também em termos de valor total, foram: Japão (19,6%), França (12,5%), Rússia (11,6%) e Coreia do Sul (11,3%). Nesse mesmo ano, os maiores importadores foram: China (31,1%), África do Sul (12,1%), Paquistão (9,8%) e EUA (9,2%). (Ver Tabela II).

Por meio desses dados, verificamos que os principais exportadores de reatores nucleares para o Brasil são: Bélgica (27,9%), EUA (25,8%), Reino Unido (18,2%) e Índia (9,6%). Dessa forma, esses quatro países representam, juntos, 81,5% do total das exportações de reatores nucleares do mundo para o Brasil no período entre 1991 e 2014, como podemos ver no Gráfico I. Desses quatro países, EUA, Reino Unido e Índia são reconhecidamente detentores de tecnologia e de conhecimento na área nuclear. Por outro lado, a configuração da Bélgica nessa lista não é tão óbvia. Porém, 51% da sua energia elétrica é proveniente de fontes nucleares, mostrando a sua expertise nessa área (WNA, 2015).

Nesse mesmo período, de acordo com os dados informados pelos demais países e retirados do WITS, o Brasil exportou, em valor, US$ 1,64 bilhão em reatores nucleares, dos quais 98,3% foram destinados para Argélia (82%), Indonésia (10,6%), Itália (4,1%) e Paraguai (1,6%). (Ver Gráfico II). Essas informações são curiosas na medida em que elas apontam a preponderância de países que não configuram entre os principais parceiros comerciais, em termos gerais, do Brasil – à exceção do Paraguai que, por conta do MERCOSUL, acaba tendo um grande fluxo comercial com o país analisado.

Em relação à balança comercial brasileira do período em análise, relativamente ao comércio de reatores nucleares, é possível perceber a presença de um outlier no ano de 1996, quando o comércio foi superavitário em US$ 1,344 milhão. (Ver Gráfico III). A principal razão desse pico, foi o grande volume exportado para a Argélia, como pode ser observado, novamente, no Gráfico II. À exceção desse outlier, é importante ressaltar que os dados são relativamente constantes e que a sua balança comercial é majoritariamente deficitária para o comércio de reatores nucleares. No entanto, é importante observar que nos anos em que o saldo é zero não significa que não houve comércio ou que a importação foi igual à exportação, mas que não há dados disponíveis para os anos de 1991, 1992, 2000, 2008, 2012 e 2014. (Ver Gráfico III).

Ao analisar o comércio de partes de reatores nucleares, por outro lado, é possível observar que tanto os principais parceiros comerciais quanto o volume de comércio são diferentes. Desde 1991, o Brasil importou no total US$ 58,2 bilhões e, só no ano de 2014, o valor foi de US$ 7 bilhões. Desse total de importações de partes de reatores nucleares, a maior parte vem principalmente do Japão (33,2%), da Alemanha (27,1%), da França (12,1%) e da Áustria (9,4%). (Ver Gráfico IV). Vale lembrar que Japão e França, em 2014, também foram os principais exportadores desses materiais para o mundo.

Já do lado das exportações, os valores são, assim como os de reatores, muito inferiores. Durante a série histórica analisada, o Brasil exportou no total US$ 11,8 bilhões. Desse valor, apenas US$ 152,4 milhões representam o total exportado em 2014. Nesse ano, os maiores destinos para a venda de partes foram: Alemanha (80,7%), Coreia do Sul (12,7%), Egito (3,7%) e Espanha (1,9%). (Ver Gráfico V). Assim como na venda de reatores, é interessante notar que nenhum dos outros integrantes do MERCOSUL, ou da América do Sul, estão entre os principais destinos das partes de reatores brasileiras.

Assim, ao analisar o saldo da balança comercial brasileira, no caso de partes de reatores nucleares, é possível perceber que ela foi deficitária em todos os anos desde 1991, com exceção de 2001. (Ver Gráfico VI). Porém, mesmo o volume de comércio sendo menor que o de reatores, há uma maior disponibilidade de dados se comparado àqueles do comércio dos reatores, sendo 1991 o único ano em que não há dados. Isso influencia nos valores da balança comercial, que também são maiores que os anteriores.

 

Relação entre o comércio internacional e os regimes nucleares|

Como visto na primeira seção, o Brasil se inseriu a partir de 1991 nos regimes internacionais de não proliferação. A partir dos esforços dos governos Raul Alfonsín (Argentina, 1983-1989) e José Sarney (Brasil, 1985-1990), a questão nuclear entre os dois países começou a ser resolvida com a Declaração de Iguaçu (1985) com as visitas dos presidentes a instalações nucleares dos respectivos países. (JESUS, 2012b). Em 1991, já nos governos dos presidentes Fernando Collor (Brasil, 1990-1992) e Carlos Menem (Argentina, 1989-1999), a cooperação entre os países foi intensificada tanto nos âmbitos econômico e político, com a criação do MERCOSUL, quanto nuclear, com a criação da ABACC, ambos em 1991. Com a resolução das disputas regionais, tanto Brasil quanto Argentina, aos poucos, passaram a integrar os demais regimes internacionais. Do lado brasileiro, o país aderiu a Tlatelolco em 1994, ao NSG em 1996 e ao TNP em 1998.

Já na segunda seção, foi possível observar que os principais exportadores de reatores nucleares para o Brasil são: Bélgica (27,9%), EUA (25,8%), Reino Unido (18,2%) e Índia (9,6%). As vendas brasileiras, por outro lado, tiveram como principais destinos Argélia (82%), Indonésia (10,6%), Itália (4,1%) e Paraguai (1,6%). (Ver Gráfico II). Dessa forma, nota-se que a balança comercial do país, à exceção de um outlier no ano de 1996, manteve-se relativamente constante, na maioria do período em seu quadrante deficitário. Com relação ao comércio de partes de reatores, o Brasil importou principalmente do Japão (33,2%), da Alemanha (27,1%), da França (12,1%) e da Áustria (9,4%). Enquanto que as exportações brasileiras foram principalmente para Alemanha (80,7%), Coreia do Sul (12,7%), Egito (3,7%) e Espanha (1,9%). Nesse caso, a balança comercial brasileira foi, desde 1991, deficitária, com exceção de 2001.

Assim, a partir dos dados e do histórico apresentados, é possível inferir que a entrada do Brasil em diversos regimes de comércio de reatores nucleares criou confiança da comunidade internacional no país analisado. Com isso, notamos que até 1994, com a ratificação de Tlatelolco, o comércio do Brasil de reatores nucleares e das suas partes era consideravelmente baixo. Em 1995, o país apresentou um déficit de US$ 40 milhões em reatores, valor maior que os quatro anos anteriores somados, e de US$ 7,9 bilhões em partes de reatores, valor também superior à soma dos anos anteriores. Ao mesmo tempo, a adesão brasileira ao Grupo de Supridores Nucleares pode ter induzido a um aumento do seu fluxo comercial, tendo levado à formação do outlier em 1996 na balança de reatores e à crescente importação de partes de reatores a partir desse ano, que teve 1998 como ano que o Brasil mais importou até 2002.

Tanto 1997 quanto 1998 foram anos de déficit na Balança Comercial em reatores e nas suas partes, isso segue a mesma lógica de 1995. O Brasil, que já era considerado um país confiável internacionalmente por participar de uma série de regimes de não proliferação e por desejar desenvolver a sua indústria e infraestrutura, voltou a importar em grande escala reatores nucleares e partes, chegando a um déficit de US$ 97 milhões de reatores e US$ 2 bilhões em partes de reatores em 1997. Já em 1999, o país volta a exportar reatores. É possível afirmar que isso ocorreu por o Brasil ter entrado para o maior regime de não proliferação, o TNP, no ano anterior. A consequência desse ato foi um crescimento momentâneo das exportações. Assim, a decisão brasileira de aderir aos tratados internacionais teve um possível impacto no fluxo de comércio de reatores nucleares do país. Já no ano de 2002, pode-se perceber um aumento nas vendas de reatores nucleares por parte do Brasil – a balança comercial foi de um déficit de 14 milhões de dólares em 2001 para um superávit de 59 milhões em 2002 –, com reversão dessa situação a partir do ano seguinte, voltando a apresentar déficits, uma tendência que foi mantida, ainda que suscetível a variações, até o final da série histórica analisada. Já em relação às partes de reatores, estas apresentaram em 2001 um superávit de US$ 8,9 bilhões.

Esses números superavitários são reflexos do comércio com a Alemanha e podem ser explicados pelo alto investimento que esse país fez, ao longo do tempo, em energia nuclear. Isso acontece porque cerca de um terço do petróleo e gás consumidos na Alemanha são provenientes da Rússia (NYT, 2014; IEA, 2012), de forma que a Alemanha quer evitar a dependência tão significativa de sua matriz energética tanto de um único país como da necessidade de precisar transportar uma porcentagem tão alta desses recursos quase que por todo o território europeu, então o país investiu em alternativas energéticas ao longo do tempo. Em 2001, tal investimento era direcionado fortemente para a energia nuclear, o que refletiu na balança comercial positiva brasileira desse ano.

Porém, esse superávit foi transformado em um déficit de US$ 2,9 bilhões no ano seguinte, e, bem como as vendas de reatores, as vendas de partes de reatores apresentaram sucessivos déficits nos anos subsequentes. Atribuímos tais dados a um aumento dos investimentos feitos em ciência e tecnologia (C&T), devido ao fato de que o Brasil, a partir dos anos Lula, passa a seguir a ideia de que a detenção de conhecimento figura como fonte de poder estrutural, de forma que a posição internacional do país passa a ser valorizada. Assim, o investimento em C&T passa pelo investimento em tecnologia nuclear como fonte alternativa de energia, visando suprir a cada vez maior demanda por energia. (CARPES, 2006, p. 213-214).

A ênfase dada ao setor de ciência, tecnologia e informação são reflexos do objetivo de redução da dependência externa do país no setor. Assim, a ideia é tornar o setor de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) do Brasil competitivo internacionalmente. O investimento nesse setor para atingir tal objetivo é justificado pelo fato de que, historicamente, as nações com maior poder de liderança internacional foram as que ofereceram inovações no setor de CT&I, dado que essas foram convertidas em vantagens competitivas econômicas – que, por sua vez, foram convertidas em poder político. Dessa forma, mais do que mero investimento na área, o governo Lula transformou esse objetivo em política de Estado – não de governo – na forma da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (PNCT&I). (CARPES, 2006).

Dessa forma, foi criado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) o Programa Nacional de Atividades Nucleares (PNAN), que está inserido no escopo dos Objetivos Estratégicos Nacionais. O PNAN engloba boa parte das atividades brasileiras que dizem respeito à área nuclear, tendo por objetivos principais “garantir o uso seguro e pacífico da energia nuclear, desenvolver tecnologia nuclear e correlatas para a medicina, indústria, agricultura e meio ambiente e geração de energia elétrica e atender ao mercado de equipamentos, componentes e insumos para indústria nuclear e de alta tecnologia”. (CNEN, 2007, p. 7). Assim, os investimentos na agenda nuclear brasileira aumentaram de R$ 417 milhões em 2002 para R$ 511 milhões em 2006 (CARPES, 2006, p. 130). Assim,

 

[…] [e]m conjunto, os aspectos observados demonstram o interesse do governo em criar uma estrutura de sustentação para um projeto nacional de desenvolvimento econômico sustentável que se converta no “carro abre-alas” do país no sistema internacional. Para tanto, o foco dos investimentos esteve na qualificação de mão de obra, projetos estratégicos, programas que transformam C&T em agenda para a inclusão social, e articulações com o setor privado para a inovação e qualificação da produção nacional. (CARPES, 2006, p. 128-129).

 

A partir desse programa federal, as importações tanto de reatores quanto das suas partes foram relativamente constantes. Porém, a compra de partes de reatores nucleares cresceu muito em 2010, 2012 e 2014. É possível atribuir ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) do Estado brasileiro esse aumento repentino. Esse programa iniciou oficialmente com a assinatura de um acordo com a França em 2008 para a construção de cinco submarinos, sendo quatro convencionais e um com propulsão nuclear com transferência de tecnologia, à exceção do reator nuclear que será utilizado pelo submarino, o qual será totalmente produzido com tecnologia brasileira. (CAPOZZOLI, 2013). Porém, foi apenas em 2010 que parte do orçamento para a construção dos submarinos foi liberado pela França (MB, s.d.), o que explica o boom na compra de partes de reatores para abastecer o submarino. O PROSUB possui o mesmo objetivo que o PNCT&I, desenvolver a tecnologia nacional como forma de desenvolver o país.

 

Considerações Finais

A energia nuclear é conhecida por ser utilizada na produção de armas nucleares, ou seja, é reconhecida pelo perigo que oferece à segurança do mundo. Assim, possuí-la é uma forma de aumentar o poder relativo de uma nação, valorizando sua posição geopolítica. No entanto, não é só de questões de segurança que vive a energia nuclear: esse tipo de energia é uma alternativa sustentável para a produção de energia elétrica, o que é muito interessante em tempos de mudanças climáticas tão severas – e de previsões ainda mais pessimistas para o futuro. Porém, ainda existem certas controvérsias, como é o caso do risco de acidentes nucleares severos, como os vistos em Chernobyl, em 1986, e em Fukushima, em 2011. Dessa forma, o estudo do comércio de reatores nucleares e de suas partes mostra-se relevante.

Ao longo do presente artigo, foi traçado um histórico dos regimes de não proliferação, em que vimos os princípios, objetivos e consequências de ambos os regimes. Além disso, vimos sua aplicação no Brasil, bem como as medidas tomadas pelo país, tanto em termos de legislação interna, visando à não proliferação e à garantia dos objetivos pacíficos do programa nuclear brasileiro, quanto em termos de tratados regionais, como o Tratado de Tlatelolco. Em seguida, foram apresentados os dados do comércio de reatores nucleares e de suas partes entre o Brasil e o restante do mundo, em que vimos os principais parceiros comerciais do Brasil no setor, e onde percebemos que, na maior parte do tempo e quando os dados estavam disponíveis, a balança comercial do país manteve-se deficitária. Finalmente, na quarta seção houve o cruzamento dos dados do comércio entre o Brasil e o resto do mundo e o histórico dos tratados da área nuclear.

Dessa forma, após análise do histórico dos tratados da área nuclear e dos dados do comércio de reatores nucleares e de suas partes entre o Brasil e o resto do mundo, é possível afirmar que foi corroborada a hipótese de que a venda de reatores nucleares e das suas partes comercializados pelo Brasil segue um padrão de acordo com a construção de normas internacionais das políticas nacionais. Tal afirmação pode ser feita a partir do que foi apresentado na quarta seção. Nesta, vimos que o comércio de reatores nucleares e de suas partes entre o Brasil e o resto do mundo passou a ser significativo a partir de 1995, ano subsequente ao da adesão do país do Tratado de Tlatelolco. De forma similar, a entrada do Brasil no Grupo de Supridores Nucleares coincide com o registro de um pico na balança comercial de reatores, do outlier, em 1996, e da crescente importação de partes de reatores a partir desse mesmo ano. Já o crescimento do número de exportações de reatores em 1999 concorda com a adesão, no ano anterior, do país ao TNP. Nos anos a partir de 2002, ou seja, a partir do governo Lula, são registrados déficits na balança comercial, os quais podem ser atribuído ao crescimento do investimento que foi feito a partir desse governo na área de CT&I. Seu objetivo era a transformação do poder econômico em projeção internacional, de forma que tal investimento foi transformado em política de Estado, na forma do PNCT&I e do PROSUB.

 

julia@zordan.com.br

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NOTAS DE RODAPÉ

 

  1. China detona sua primeira bomba em 1964, e Índia e África do Sul o fazem na década de 1970.
  2. Coreia do Norte denunciou o Tratado em 2003; Israel, Índia e Paquistão nunca fizeram parte do regime; a África do Sul desmantelou o seu programa com o fim do governo do apartheid e depois entrou no TNP; e Ucrânia, Cazaquistão e Belarus, que possuíam armamento nuclear em seu território do período soviético, concordaram em transferir tal material bélico para a Rússia em 1992, quando os três países e Moscou assinaram o Protocolo de Lisboa (com a ajuda dos EUA), e então aderiram ao regime de não proliferação.
  3. Atualmente, os países que compõem o Grupo são: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Belarus, Bélgica, Brasil, Bulgária, Canadá, Cazaquistão, China, Chipre, Coreia do Sul, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, EUA, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Itália, Japão, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, México, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia, Rússia, Sérvia, Suécia, Suíça, Turquia e Ucrânia.
  4. Já que o Decreto nº 4.214, de 30 de abril de 2002, regulou a sua composição.

 

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