De Tel-Aviv a Jerusalém as aventuras de um ex-anão diplomático na Terra Santa

De Tel-Aviv a Jerusalém as aventuras de um ex-anão diplomático na Terra Santa

Elizeu Santiago, cientista político e internacionalista

 

As promessas de campanha do agora presidente Jair Bolsonaro, uma vez cumpridas, representarão no plano externo a mais significativa mudança diplomática das últimas décadas. Não foram poucas as críticas endereçadas aos seus antecessores. Seja pelo conteúdo, seja pela intensidade, elas atingem, ao menos, 3 dos pilares da política externa brasileira da pós-redemocratização: o multilateralismo na ação externa, o universalismo das parcerias internacionais e a prioridade da integração regional sul-americana. Para além das críticas aos mais tradicionais organismos e regimes internacionais ao longo da campanha, destaca-se, em seu plano de governo, a “ênfase nas relações e acordos bilaterais”.1
Engana-se quem daí depreenda alguma menção aos parceiros mercosulinos ou à crescente relação bilateral com os chineses, os maiores parceiros comerciais do país, diga-se de passagem. O contrário. A sua ausência no plano de governo não impediu que incômodas declarações fossem proferidas ao longo e mesmo após o fim da campanha eleitoral. São conhecidas as citações pouco estimáveis de Bolsonaro sobre a China e a de Paulo Guedes, o futuro superministro da Economia, sobre o Mercosul.2
São ainda conhecidas as suas críticas ao Acordo de Paris, a mais importante tentativa de 195 países em conter o aquecimento global, e ao Mercosul. Nem mesmo a ONU seria poupada. No dia 18 de outubro de 2018, um dia após o Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendar que o Brasil garantisse os direitos políticos do ex-presidente Lula, o então presidenciável Jair Bolsonaro reagiria, durante evento na Academia Militar das Agulhas Negras, afirmando: “Se eu for presidente eu saio da ONU. Não serve pra nada esta instituição. É uma reunião de comunistas, de gente que não tem qualquer compromisso com a América do Sul, pelo menos”.3
A despeito da pluralidade de polêmicas – ao gosto partidário do freguês – ao longo daquela que os livros de história reconhecerão como a menos tediosa eleição dos últimos tempos, nenhuma outra causou tanta repercussão quanto as reiteradas promessas do novo mandatário sobre a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Não por acaso. Desde sempre, o Brasil agiu com cautela e pragmatismo em um dos mais explosivos conflitos da história. Embora imperfeita, a tentativa de equidistância entre os interesses árabes e israelenses, uma vez rompida, nos trará consequências políticas e comerciais em um momento pouco favorável ao ingresso de novas aventuras diplomáticas. Já não serão poucos os desafios do novo presidente em ambos os planos doméstico e externo.
De um lado, argumenta-se pela consistência da manutenção da embaixada em Tel Aviv, centro econômico e financeiro de Israel. É lá que cerca de 160 países mantêm suas representações diplomáticas. A alteridade da medida, além do peso simbólico em contrariar a um mesmo tempo a tradicional postura diplomática brasileira e um quase consenso da comunidade internacional, seria visto pelos vizinhos de Israel com sinal de desaprovação. A mais imediata consequência prática da medida seria a dificuldade em comercializar com aqueles que são hoje os maiores compradores de proteína brasileira.
Apenas em 2017, o Brasil obteve um superávit de 7,1 bilhões de dólares com os membros da Liga Árabe, contra um déficit de 419 milhões de dólares com Israel.4 Some-se a tal fato, o natural isolamento internacional decorrente da medida. Apenas Estados Unidos e Guatemala seguiram adiante e transladaram suas embaixadas a Jerusalém. Para piorar o cenário, o gesto não apenas minoraria a imagem brasileira diante de grande parte da comunidade internacional, como colocaria o país no radar de movimentos extremistas como um possível alvo de ações terroristas.
Do outro, pondera-se que a medida corresponderia a um justo reconhecimento àquele que seria um dos mais elementares princípios do Direito Internacional contemporâneo: a autodeterminação dos povos. Segundo este argumento, dos mais de 190 países reconhecidos pelo Brasil, apenas Israel, na prática, não teria logrado êxito em definir a sua própria capital. A medida, além de corretiva, inverteria os polos da hermenêutica diplomática a encapsular a justiça como princípio: se até então justiça era sinônimo de apoio aos mais necessitados – e, portanto, à causa palestina –, ela passaria agora a denotar o apoio às aspirações de um povo virtuoso, única democracia no Oriente Médio, vencedor frente às adversidades de sua história e injustamente desrespeitado no seu legítimo direito de autodeterminação.
A aproximação com aquele governo, outrossim, poderia representar maiores oportunidades de cooperação em áreas tecnológicas das quais somos carentes, tais como nanotecnologia, defesa, energia e saúde. Esse maior fluxo cooperativo, no entanto, não se daria necessariamente em detrimento do relacionamento árabe-palestino. Segundo esta narrativa, a reação dos vizinhos, diferentemente do imaginado à primeira vista, se daria na direção contrária do pessimismo esperado. Imersos cada qual em seus mais variados desafios, as prioridades geopolíticas locais apontam em outra direção: guerra na Síria e no Iêmen, o programa nuclear iraniano, as instabilidades política no Egito, Iraque e Líbano etc. Há de se notar que, a despeito das evidentes disparidades de poder, Estados Unidos e mesmo Guatemala não foram alvos de sanções. A depender do grau de êxito no alinhamento com Washington, pode-se argumentar, os ganhos superariam os eventuais custos da polêmica medida.
Seja como for, é curioso observar a centralidade que Israel vem tendo no discurso do então candidato e agora presidente eleito Jair Bolsonaro. Distantes no espaço por mais de dez mil quilômetros, as relações bilaterais jamais foram consideradas estratégicas ao longo do tempo pelas chancelarias nos dois pontos do globo. Embora momentos de maior proximidade possam saltar aos olhos, os fluxos comerciais ainda hoje podem ser considerados relativamente modestos. Para além de qualquer interesse material, no plano simbólico, Israel é espécie de pedra-filosofal de toda e qualquer narrativa que valorize a existência de uma suposta tradição judaico-cristã, basilar da formação nacional.
Esse simbolismo amplifica-se na medida em que exista uma oposição acusada de marchar na direção contrária, seja pela subversão de valores ocidentais constitutivos da nacionalidade brasileira, seja pelo distanciamento das posições internacionais do Estado israelense. O discurso, embora encontre acolhimento na fé de importantes bases de sustentação neopentecostal, poderá insurgir suscetibilidades no seio de produtores rurais e agrícolas, outro importante grupo de apoio ao bolsonarismo.
a jogada é ousada pelos elevados graus de imprevisibilidade. Por um lado, ela romperia com uma tradicional postura de mais de seis décadas cujos resultados vêm possibilitando, até o momento, relações quase sempre cordiais com todos os lados. Por outro, uma vez malogrado o alinhamento com o governo de Washington, o país perderia o seu único fiador da aventura. Querer o seu êxito é torcer pela conjunção favorável de uma série de variáveis alheias ao mínimo controle brasileiro, entre as quais, o temperamento e o sucesso político de Donald Trump. Parafraseando aqueles que definem a política externa brasileira como a eterna busca por autonomia, seria desejar a mudança, portando um novo paradigma, uma espécie de “autonomia pela dependência”. 5

Uma Equidistância imperfeita
Goste-se ou não, a diplomacia brasileira guardou ao longo das últimas décadas significativa linha de continuidade discursiva frente aos conflitos árabe-israelense e palestino-israelense, mesmo que no plano da ação prática as circunstâncias lhe tenham impostas adaptações. Quatro pontos são de particular menção. Em primeiro lugar, a busca pela equidistância de interesses entre as partes, traduzida na defesa histórica pela criação de dois Estados. Em segundo, no encorajamento por decisões diplomáticas consensuais, cujo resultado sejam soluções de compromisso aceitas por ambas as partes. Em terceiro, o multilateralismo da ação e o respeito às decisões emanadas de órgãos internacionais. Por fim, a não intervenção em assuntos domésticos.
Historicamente, o Brasil tendeu a votar com as maiorias no tocante ao tema, assim como privilegiou ações através dos mecanismos multilaterais das Nações Unidas. E fazia sentido. Sem interesses estratégicos diretamente comprometidos na região, tampouco possuidor de ativos de poder que lhe credenciassem a maiores protagonismos, a postura brasileira viabilizou um relacionamento global a um custo relativamente baixo. Mesmo no auge da diplomacia ativa e altiva liderada pelo presidente Lula – o ponto mais alto do protagonismo nacional – a sempre lembrada tentativa de mediação do imbróglio iraniano partia da articulação conjunta com outras potências regionais emergentes. O ponto de partida, convém lembrar, eram os termos propostos pela própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em 2009, ano imediatamente anterior à malfadada iniciativa.
Embora o discurso oficial brasileiro tenha sempre sido o da busca equilibrada entre os interesses árabes/palestinos e israelenses, momentos de maior proximidade com umas das partes podem ser lembradas. A nossa narrativa histórica bem que poderia remontar à conhecida paixão do imperador Dom Pedro II pelos assuntos do Oriente, cujo fascínio não apenas permitiu a imigração de judeus e árabes ao país, como o tornou o primeiro chefe de Estado a visitar a região. De suas três viagens internacionais, duas tiveram como destino países médio-orientais. Fluente em árabe e hebraico, traduziu obras de ambos os vernáculos para o português, além de nutrir diversas amizades com notáveis personagens daquelas paragens.6
A despeito da possível menção ao segundo dos nossos imperadores, as narrativas contemporâneas tendem a encontrar na figura de Oswaldo Aranha a gênese histórica do envolvimento brasileiro com a região. Saudosamente lembrado pelo mundo judaico como um dos viabilizadores do Estado israelense, menos afáveis são as referências oriundas do mundo árabe, para quem o ex-chanceler de Getúlio Vargas haveria contribuído para a tragédia do povo palestino. Foi pela habilidosa batuta diplomática de Aranha, após muitas idas e vindas, que a sessão especial da Assembleia Geral da ONU aprovaria a famosa Resolução 181. O documento, aceito com ressalvas pelo governo israelense, seria duramente criticado pelo mundo árabe naquilo que foi visto como uma injustiça histórica com o povo palestino. Nele, acertava-se um plano para a divisão da Palestina em dois Estados. Jerusalém, pomo maior da discórdia, seria parte de regime jurídico especial, na forma de um corpus separatum a ser administrada pelas Nações Unidas.7
em maio de 1948, Israel florescia em meio à guerra. Inconformados com a sorte palestina, uma coalização de países árabes entraria em conflito com o novo ator internacional, cujo malogro permitiu a ampliação do recém-criado Estado israelense. Como resultado, apenas a Faixa de Gaza (administrada pelo Egito) e a Cisjordânia (administrada pela atual Jordânia) permaneceriam sob o controle árabe. Embora Israel passasse a controlar a parte ocidental de Jerusalém, a oriental, onde se localiza a sagrada Cidade Velha, seria ocupada militarmente pelos árabes.8 De lá para cá, o conflito, seguido por tentativas frustradas de pacificação definitiva, foi uma constante.
Será justamente no contexto posterior à Primeira Guerra Árabe-Israelense que o governo brasileiro estabelecerá relações bilaterais com o Estado de Israel, no ano de 1949. Em 1951, o Brasil criará a legação diplomática em Tel Aviv, seguida pela abertura da embaixada israelense no Rio de Janeiro, em 1955. Em 1958, o governo brasileiro eleva sua legação à categoria de embaixada e, desde sempre, manteve-a na cidade. Os anseios palestinos, por outro lado, derrotados em sucessivos embates militares, não se traduziram na criação imediata de um novo Estado.
Crescentemente, como bem notam Vigevani e Casarões, “vai [se] inserindo desde 1956, depois da Guerra de Suez, mas mais acentuadamente a partir de 1967, depois da Guerra dos Seis Dias, no posicionamento brasileiro a ideia das justas reivindicações dos países árabes”.9 Em 1956, Israel e um combinado de forças franco-britânicas invadem o território egípcio após o bloqueio do porto de Eilat e a nacionalização do estratégico Canal de Suez, principal rota comercial na região. Temendo uma escalada nos conflitos, a ONU intervém e cria as Forças de Emergência das Nações Unidas (UNEF) através da acordância multilateral entre as partes. Será para lá que o Brasil enviará o Batalhão Suez, a primeira participação das Forças Armadas nacionais em missões de paz, contribuição que perdurará de 1957 a 1967 naquilo que Uziel chamou de “multilateralismo de prestígio”.10
Em 1967 (Guerra dos Seis Dias) e 1973 (Guerra do Yom Kippur), novos choques militares entre Israel e os vizinhos tiveram lugar, momentos em que as forças israelenses se expandiam sobre o território palestino. No primeiro, Israel atacaria exitosamente a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, além de manter sob o seu controle a Península do Sinai (território egípcio) e as Colinas do Golã (Síria). É no pós-1967 que os controversos assentamentos de colonos israelenses se expandem pelos territórios ocupados, ato amplamente censurado pela comunidade internacional.
Em 1973, aproveitando-se do feriado religioso judaico do Yom Kippur, Síria e Egito devolvem o ataque sofrido em 1967. Não logram a recuperação do território perdido, no entanto. Na ocasião, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) impõe severo embargo direcionado aos países então vistos como apoiadores de Israel. A medida geraria o que mais tarde ficou conhecido como a Primeira Crise do Petróleo.
Será apenas no ano de 1979 que o governo egípcio recobraria o vasto território do Sinai, agora pela via diplomática. Pelos Acordos de Camp David, o Egito passaria a ser a primeira nação árabe a reconhecer o Estado de Israel, medida que motivará o assassinato do presidente Anwar Sadat, dois anos mais tarde. Em troca, o Sinai passaria à soberania egípcia. Entre 1980 e 1981, duas medidas unilaterais – e polêmicas – estremeceram as relações na região. Em julho de 1980, o Knesset, o Parlamento israelense, aprovaria a incorporação de Jerusalém Oriental. Na prática, a cidade estava sob controle israelense desde a vitória da Guerra dos Seis Dias de 1967. Em dezembro de 1981, seria a vez das Colinas do Golã. Previamente conhecidas como as Colinas Sírias, a região passaria oficialmente à jurisdição israelense através de ato legislativo unilateral.
A despeito de tais fatos, o Brasil seguiria apoiando a criação de dois Estados, assim como defenderia a desocupação dos territórios palestinos e o direito à existência segura do Estado de Israel. Ocorre que o choque do petróleo ocasionado pelas escaramuças de 1973 viria a afetar diretamente a saúde econômica brasileira. A natural necessidade de diversificação das fontes do petróleo, assim como o imperativo de valer-se da política externa como instrumento de abertura de novos mercados, levaram os governos militares da segunda metade dos anos 1970 a se aproximar do mundo árabe.
Os graus de permissividade doméstica – excelentes resultados colhidos no bojo do Milagre Econômico – e externa – emergência do movimento terceiro-mundismo – permitiram ao país um maior envolvimento com as questões daquela região. Eram tempos de grande polarização entre árabes e israelenses em que a postura brasileira fora vista pelo governo de Tel Aviv com desconfiança e frustração. Em 1974, Azeredo da Silveira criticaria a ocupação israelense dos territórios palestinos como uma guerra de conquista. No mesmo ano, o Brasil votaria favoravelmente à participação da Organização para a Libertação da Palestina nas deliberações da ONU.11 tacitamente reconhecendo a instituição liderada por Yasser Arafat. Medida de maior controvérsia fora o voto favorável à resolução 3379 da Assembleia Geral da ONU, dispositivo que declarava o sionismo como uma forma de racismo e discriminação racial, ato que marcou profunda divergência com os Estados Unidos e seus aliados europeus.12
esta última medida seria revertida apenas no contexto de tentativa de reaproximação com Israel levada a cabo no governo Collor, no que pese a manutenção da tradicional postura brasileira sintetizada nos quatro pontos de abertura desta seção.13 Antes disso, em novembro de 1988, a proclamação unilateral do Estado da Palestina fora seguida pelo voto positivo do governo brasileiro em resolução nas Nações Unidas, cujo teor reconhecia o status soberano do novo ator. Até então intitulada Organização para Libertação da Palestina (OLP), passaria a ser chamada de Autoridade Nacional Palestina (ANP).
Assim como na administração Geisel, o forte crescimento econômico em conjunto com o que parecia ser a emergência do sul global, permitiu que a diplomacia ativa e altiva, liderada pela dupla Lula-Amorim, alçassem novos voos. A proximidade e a densidade no relacionamento com árabes e israelenses alcançaram o ponto de maior protagonismo, mesmo que permeado por uma série de polêmicas. A partir de 2003, o ritmo de viagens ministeriais e presidenciais crescem significativamente, tanto a Israel quanto à Palestina.
Logo em 2004, um ano após a inauguração presidencial, o Brasil abriria uma representação diplomática em Ramallah, na Cisjordânia, medida que seria acompanhada por Argentina e México (2008) e Venezuela (2009). Em 2005, aconteceria 1ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo América do Sul-Países Árabes, em Brasília, aproximação que teria continuidade em outras 3 cúpulas (2009, 2012 e 2015). Em 2007, assina-se acordo de livre comércio entre Mercosul e Israel, tratado em vigor desde 2010. Em 2011, seria a vez do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Palestina, atualmente em processo de ratificação.
A despeito do adensamento nas relações bilaterais, as polêmicas contraídas pela administração Lula levaram autoridades israelenses a tê-lo como um governo de inclinações pró-árabe. Entre dezembro de 2008 e janeiro 2009, as forças armadas israelenses realizaram pesada investida militar na Faixa de Gaza. A morte de cerca de 1.400 pessoas levou o Itamaraty a realizar dura condenação. Paralelamente, o presidente do PT à época, o deputado Ricardo Berzoini, emitiria nota em nome do partido acusando as ações israelenses de “terrorismo de Estado”. Em 2010, Lula e o presidente turco Tayyipe Erdogan mediariam o controverso Acordo de Teerã. O documento, tentativa de pôr fim ao impasse causado pelo programa nuclear iraniano, foi visto por Israel com profundo desapontamento. Não tardaria para que a então chanceler norte-americana Hilary Clinton desautorizasse a iniciativa brasileira. Caminhando para o fim de seu mandato, Lula, já no apagar das luzes, atende a pedido do presidente da Autoridade Palestina e em dezembro de 2010 reconhece a Palestina como Estado soberano sobre as fronteiras de 1967.
A medida foi logo seguida por 10 outros governos latino-americanos, repercussão que em nada corroboraria a tese logo disseminada sobre um eventual nanismo diplomático do Brasil. Essa talvez seja a primeira imagem do leitor ao pensar no envolvimento brasileiro com os temas da região. Lá pelos idos do governo Dilma, após mais uma condenação dos severos ataques israelenses a Gaza, o porta-voz da chancelaria israelense, Yigal Palmor, teria dito “This is an unfortunate demonstration of why Brazil, an economic and cultural giant, remains a diplomatic dwarf”. Não demorou muito para que o “anão diplomático” adentrasse o imaginário popular. 14
Ainda no governo Dilma, outra polêmica. Em 2015, a presidente não aceitaria a nomeação de Dani Dayan, ex-líder do movimento colono judaico, como embaixador israelense em Brasília. Oito meses de queda de braço levaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a retirar a sua indicação. A atitude guardou coerência com a postura do governo brasileiro em condenar a expansão de assentamentos israelenses em territórios considerados palestinos, postura, a propósito, que permaneceu inalterada no governo Temer. Apesar das expectativas frustradas de uma guinada pró-Israel, o governo pós-impeachment manteve votos desfavoráveis aos israelenses na UNESCO, embora tenha preservado a postura tradicional brasileira frente ao tema: dois Estados vivendo em paz e segurança com as fronteiras de 1967.
Na prática, o conflito israelo-palestino transcendeu o aspecto diplomático e ganhou vida no debate político brasileiro. Não por acaso, o plano de governo de Fernando Haddad falava em “fortalecer as relações de amizade […] com os países árabes”, assim como defendia a assinatura da Declaração de Teerã e o reconhecimento do Estado da Palestina como “um ato corajoso”. Nenhuma menção fora feita a Israel. Já no plano de governo de Jair Bolsonaro, Israel é exemplo para a agricultura, para o desenvolvimento tecnológico e para a segurança doméstica. O documento fala ainda em deixar de “louvar ditaduras assassinas” e deixar de “atacar democracias importantes”, tais como Israel. Com os sinais invertidos, nenhuma palavra sobre o mundo árabe ou muçulmano eram ditas. 15

Quanto vale Jerusalém?
A propalada promessa de campanha de Jair Bolsonaro de transladar a embaixada brasileira para Jerusalém dificilmente existiria se não fosse a polêmica decisão de Donald Trump, implementada em 14 de maio de 2018. Simbolicamente escolhida, a data de abertura da nova embaixada coincidiu com o aniversário de 70 anos da criação do Estado de Israel. A bem da verdade, Trump não fora o primeiro mandatário norte-americano a sinalizar a intenção da mudança. O democrata Bill Clinton e o republicano George W. Bush antecederam o atual presidente nas intenções. É preciso lembrar que ao menos três atos legislativos foram dados em reconhecimento tácito ou expresso da cidade de Jerusalém como capital do povo judeu. 16 Naquele que seria o mais lembrado, o Jerusalem Embassy Act of 1995, ambos Senado e Câmara dos Representantes aprovaram, por ampla maioria, a mudança da embaixada norte-americana. A medida tinha inclusive um prazo: 31 de maio de 1999.17 O ato, aprovado no contexto da visita a Washington de Yitzhak Rabin, jamais fora implementado.
Tão logo Donald Trump anunciou a mudança, críticas vieram de todos os lados. Do Vaticano ao Palácio Real saudita, passando por altas autoridades da União Europeia, a medida foi vista como um sério entrave à solução negociada de dois Estados. Nem mesmo os cidadãos norte-americanos pareciam aprovar a medida. Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Maryland, cerca de 65% dos entrevistados se opunham à mudança imediata de representação diplomática do país.18
Embora a medida encontrasse amparo legal no ordenamento jurídico doméstico norte-americano, ela vem sendo considerada um ato de ilegalidade pela comunidade internacional. Em sessão de emergência da Assembleia Geral da ONU, 128 Estados – incluindo o Brasil – votaram pela condenação de qualquer tentativa de se alterar o status da cidade de Jerusalém, além de pedir ao seus membros que não estabelecessem missões diplomáticas na cidade.19 Um dia antes, a embaixadora Nikki Haley vetara no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução em que a medida de Donald Trump sofria severa crítica por todos os seus membros. Mesmo aliados históricos, como França, Reino Unido e Itália, votaram contrariamente aos interesses norte-americanos.20
O crescente isolamento estadunidense mostrara que o movimento de Trump não fora uma decisão diplomática. Mas, sim, política. Em primeiro lugar, acenava para dois importantes grupos de sustentação política – evangélicos e comunidade judaica – em um momento de queda de popularidade em meio a escândalos de ordem doméstica. Em segundo, apostava no improvável, mirando entrar para a história. Diferentemente da ortodoxia diplomática norte norte-americana até então, as ações do país tiveram limitado êxito na construção de dois Estados em paz e segurança. A medida, em vez de inviabilizar a retomada das negociações bilaterais, forçaria palestinos a retornar à mesa de negociações, na medida em que as projeções futuras se mostrariam menos otimistas do que as oportunidades momentâneas.
em olhar retrospectivo, o Plano de Partilha da Palestina de 1947, amplamente rejeitado pela comunidade árabe, uma vez aceito naquele contexto, haveria sido amplamente superior a qualquer resultado negocial possível no pós-1967. A este propósito, o presidente da Autoridade Nacional Palestina chegaria mesmo o comentar, em 2012, que a rejeição da Partilha de 1947 teria sido um erro de todo o mundo árabe. Mais recentemente, em abril de 2018, o príncipe saudita Mohammed bin Salman disse a interlocutores israelenses nos Estados Unidos que “It is about time the Palestinians take the proposals and agree to come to the negotiations table or shut up and stop complaining.”21
em defesa deste argumen­-
to, é preciso ter em conta as consideráveis assimetrias de poder entre israelenses e palestinos, assim como um conturbado cenário geopolítico na região. As prioridades do mundo árabe e o islâmico não parecem, ao menos no curto prazo, ser o envolvimento material decidido nos pleitos palestinos. No que pese a histórica narrativa condenatória do mundo árabe e muçulmano, a região parece estar mais focada em questões outras, tais como as Guerra do Iêmen e da Síria, o combate ao Estado Islâmico e os imbróglios decorrentes do programa nuclear iraniano.
Antevendo as oportunidades abertas, Guatemala e Paraguai anunciaram seguir a medida tomada pela Casa Branca. Além de acenar politicamente para os crescentes grupos evangélicos em ambos os países, a proximidade com os Estados Unidos poderia ampliar a capacidade no recebimento de investimentos e cooperação técnica. O governo paraguaio logo voltaria atrás, embora uma dezena de outros Estados estejam flertando com a medida. Entre idas e vindas, República Tcheca,
Romênia, Honduras e Austrália analisam ou analisaram a possibilidade de seguir o governo de Washington. Em comum, trata-se, em sua maioria, de países de menor influência no cenário internacional, cuja manobra poderia render-lhes ajuda financeira, venda de armas e parceria tecnológica por parte de Israel e Estados Unidos. É mesmo provável que a lista de pretendentes aumente na inexistência de sanções impostas pelo mundo árabe ou mesmo pela União Europeia.
É precisamente neste ponto que a eventual mudança da embaixada brasileira impactaria sobremaneira. Embora sem os ativos de poder das grandes potências, não é desprezível a influência regional do país. A hoje oitava maior economia global acumula ao longo do tempo um número considerável de articulações diplomáticas bem-sucedidas. Tempos de outrora, a famosa frase de Nixon endereçada a Médici ainda hoje pode ser lembrada: “We know that as Brazil goes, so will go the rest of Latin American continent”.22 Em um cenário hipotético em que inexistam sanções e os ganhos oriundos da medida sejam percebidos sistemicamente, pequenas e médias potências poderiam sentir-se encorajadas nesta direção.
Seja como for, após votar contrariamente à medida de Donald Trump na ONU, o governo brasileiro parece disposto a romper com a sua tradicional postura frente ao tema.23 A eventual decisão do presidente Bolsonaro, no entanto, também deve ser compreendida como um ato político. Não é por acaso que a pauta externa vem ganhando protagonismo nos primeiros dias pós-eleições. Enquanto as imprescindíveis reformas domésticas dependem de vasta articulação política nos três poderes, atos internacionais emanados da presidência tendem a sofrer poucos constrangimentos constitucionais.
À primeira vista, a mudança da embaixada brasileira acenaria positivamente a amplos setores evangélicos, cuja influência na política brasileira é crescente nos últimos anos. Note-se que enquanto o voto católico manteve-se dividido entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, o voto evangélico foi decisivo para a eleição do candidato do PSL. Segundo estimativas prévias ao segundo turno do Datafolha, Haddad tenderia a receber o voto de 28 milhões de católicos, contra 29 milhões de Bolsonaro. Entre os evangélicos, seriam 9 milhões para o primeiro contra 21 milhões para o segundo.24 A título de ilustração, a Frente Parlamentar Evangélica possui 203 parlamentares.25 Já o Grupo Parlamentar Brasil-Israel conta com 46 parlamentares, um dos maiores e mais ativos do gênero dentro do Parlamento brasileiro.26
Um olhar adicional, no entanto, revelaria que a medida poderia ocasionar o descontentamento de outro importante grupo de apoio ao bolsonarismo: a bancada ruralista. Composta por cerca de 260 parlamentares, o receio de sanções à exportação brasileira preocupa, sobretudo, os produtores de carne halal, aquela produzida em conformidade com os rituais islâmicos (Zabihah). Para se ter uma ideia, atualmente, 49% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil teve como destino o mundo islâmico. Em 2017, o Brasil foi o país que mais exportou carne halal para a Organização para a Cooperação Islâmica: 5,19 bilhões de dólares, seguido por Austrália (2,36 bilhões) e Índia (2,28).27 Mercado em franco crescimento, conta hoje com mais de 1,8 bilhões de pessoas em todo o mundo, um quarto da população mundial. O Brasil atualmente exporta para os 57 países islâmicos, sendo 22 árabes. Em termos comparativos, em 2017, o Brasil obteve um superávit de 7,1 bilhões de dólares com os países da Liga Árabe, contra 647 milhões de déficit com Israel. Israel, a propósito, figura atualmente como o 65º destino das exportações brasileiras.28
embora se possa colocar em dúvida a capacidade de substituição produtiva, no curto prazo, dos concorrentes brasileiros, é bom lembrar que os mercados islâmicos costumam ser muito mais constantes do que os demais compradores da carne nacional. Rússia, União Europeia e Estados Unidos, por exemplo, são conhecidos pela alta sensibilidade em fechar e abrir os seus respectivos mercados à carne brasileira. Para além da exportação animal, as vendas de soja, milho, cana e minério de ferro também podem ser afetadas. Em tempos de Operação Carne Fraca, melindrar os interesses do mundo islâmico não é, pois, uma medida pragmática.
Adicionalmente, o Brasil incorreria em dois outros riscos. O primeiro, a de importar para a realidade brasileira as linguagens do terrorismo global, fenômeno distante do dia a dia nacional. O segundo, o do isolamento internacional e natural perda de soft power, precioso recurso a países de modesta capacidade militar. Se cumpridos, a mudança da embaixada brasileira e o fechamento da embaixada palestina em Brasília romperiam com qualquer hermenêutica de equilíbrio ou equidistância.
Goste-se ou não, as chances de êxito na inflexão diplomática brasileira estariam condicionadas à sorte política de Donald Trump e seu compromisso em retribuir o que hoje parece ser um futuro alinhamento. Há de se lembrar que a tradição brasileira fora quase sempre a de evitar alinhamentos automáticos, sempre em busca do melhor pragmatismo para o país. Jaz aqui um risco, mas também uma oportunidade. Se bem negociada, a medida, sim, poderá redundar em ganhos econômicos e tecnológicos. Ocorre que a sorte do país ficaria refém de Donald Trump. Se exitosa, o que hoje parece uma aventura diplomática será vista na posteridade como um lance de inovação e antevisão política.
Seja como for, Jerusalém segue, há 3.000 anos, no centro da atenção política e religiosa de todo o mundo. Sua riqueza não advém de uma economia pujante ou de vastas riquezas naturais. Cercada por desertos e terras montanhosas, é ainda hoje o território mais disputado da face da Terra. Do hebraico, “Cidade da Paz”, é uma cidade-paradoxo, capturada com exatidão no diálogo entre o Balião (de Ridley Scott), soldado cristão em defesa da Terra Santa, e Saladino, conquistador muçulmano do Reino de Jerusalém. “Quanto vale Jerusalém?”, indaga Balião ao futuro conquistador. “Nada”, responde um Saladino em retirada. Segundos após, o sorriso: “Tudo”.29

Quem tem medo da metapolítica?
Sobre Sotaques e Ideologias
A centralidade de Israel na agenda política de Bolsonaro não decorre unicamente do pragmatismo diplomático e comercial daí possíveis. Ela diz respeito à capacidade em se construir identidades políticas através da articulação internacional e adaptação, aqui, de conceitos e modelos estrangeiros.30 Ao longo dos últimos dois anos, ele viajou a Israel, EUA, Japão, Coreia e Taiwan, sociedades desenvolvidas que em nada lembram as “preferências bolivarianas” do governo petista. No primeiro, renovou sua fé cristã. Lá, batizou-se no Rio Jordão pelas mãos do pastor Everaldo. No segundo, converteu-se ao liberalismo, não sem antes bater continência à bandeira americana para o estranhamento dos mais nacionalistas.
não é, pois, por acaso, que Israel é o país que mais vezes aparece no programa de campanha do atual presidente, modelar em temas como segurança pública, energia renovável e agricultura. De particular sensibilidade, a seção intitulada “O Novo Itamaraty” faz menção nominal a apenas 3 países: EUA, Israel e Itália. O texto oficial fala em deixar “de louvar ditaduras assassinas e desprezar ou mesmo atacar democracias importantes como EUA, Israel e Itália”. Em comum, trata-se dos três grandes depositários contemporâneos da tradição judaico-cristã do Ocidente. Contra ela, diz o mesmo documento, “nos últimos 30 anos o marxismo cultural e suas derivações como o gramscismo, se uniu às oligarquias corruptas para minar os valores da Nação e da família brasileira”.31 Não por acaso, forças políticas emergentes, Trump, Bolsonaro e Salvini32 veem um Ocidente ameaçado.
Não causou, pois, surpresa, que o recém-apontado chanceler brasileiro esposasse ideias similares e fosse leitor de Spengler e Onfray, Guénon e Olavo de Carvalho. A contar pelo já célebre “Trump e o Ocidente”, Ernesto Araújo é a personificação erudita e articulada do pensamento internacional bolsonarista. Em resumo, eis que aos 45 do segundo tempo – ou, se preferirmos a versão do futuro chanceler, imaginemos o lance final de uma partida do Superbowl – o Ocidente está perdendo a partida multicivilizacional da história. Entregue ao niilismo, a alma ocidental – esse composto forjado pela força da religião, pelo culto da nação e pelo o amor à família –, desidrata-se. Neste momento de iminente derrota, surge Donald Trump, o único capaz de salvar-lhe a alma e vencer o jogo. Em suas palavras, “somente Trump pode ainda salvar o Ocidente”. Ou, se seguirmos com a metáfora da bola oval, “Donald Trump is Western Civilization’s Hail Mary pass”.33
E qual o lugar de Jerusalém nesta narrativa salvacionista? Por dedução, Israel representa o posto de resistência mais avançado do Ocidente; Jerusalém, símbolo maior da guerra cultural que nos consome frente ao avanço do extremismo islâmico e do marxismo cultural. A revalorização da cidade como capital israelense não deixaria de ser a assunção de uma correta “metapolítica”.34 Na visão de Ernesto Araújo,

“ao lado de uma política externa, o Brasil necessita de uma metapolítica externa para que possamos situar-nos e atuar naquele plano cultural-espiritual em que, muito mais do que no plano do comércio ou da estratégia diplomático-militar, estão-se definindo os destinos do mundo. Destinos que precisaríamos estudar, não só do ponto de vista da geopolítica, mas também de uma ‘teopolítica’”.35

Ainda no plano “cultural-espiritual”, abra-se um parêntese, é corrente, na crença de determinados grupos cristãos, a ideia de que os acontecimentos em Israel funcionariam como uma espécie de relógio divino aqui na Terra. Dentro desse raciocínio, o pleno reestabelecimento do Estado de Israel e de sua capital histórica seriam precondições para a volta de Jesus e o arrebatamento da igreja. Indo nesta direção, uma postura contra Israel poderia implicar em maldição ao país. De acordo com esta visão, a promessa realizada por Deus no livro de Gênesis, capítulo 12, versículo, 3, ainda seria válida: “Abençoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei aquele que te amaldiçoar”.
É preciso, no entanto, não confundir as visões de mundo de um determinado grupo religioso, ou mesmo as do novo chanceler, com as posições diplomáticas a serem tomadas em nome do Brasil pelo novo governo. Salvacionismos de lado, a diplomacia brasileira terá desafios muito maiores do que derrotar o “marxismo cultural globalista”, esse esquema de dominação global que, na visão dos seus críticos, deseja implantar uma cultura esquerdista em detrimento das tradicionais culturas nacionais.
Um pensamento paroquial que venha a defender o mimetismo da política externa trumpista conduzirá o país à perda do seu maior ativo: o seu soft power. Ao longo do tempo, a nossa diplomacia se notabilizou pelo esforço multilateral construtivo nos mais variados temas da agenda global, da segurança aos direitos humanos. E fazia sentido. É pouco provável que um país periférico, destituído dos ativos de poder de uma grande potência, houvesse logrado uma atuação autônoma longe da articulação multilateral. É legítimo que o novo chanceler defenda um Brasil patriótico que recobre o seu nacionalismo. Resta, no entanto, saber como conciliar a grandeza nacional do “Brasil acima de tudo” com o alinhamento a priori das posições norte-americanas. Resta-nos ainda compreender em que medida a resistência ao multiculturalismo e ao multilateralismo serviria a um país acostumado à busca universalista pela diversificação de riscos e oportunidades.
A bem da verdade, há espaço para uma política externa equilibrada que saiba, a um mesmo tempo, negociar com a China e estreitar um relacionamento pragmático com o governo de Washington. É, de fato, bem-vinda uma maior aproximação com os Estados Unidos, nossos mais importantes parceiros tecnológicos. Mas há que olhar para o passado e evitar aproximações e concessões unilaterais, sob o risco de mais um alinhamento sem recompensas em nossa história. Exceto nos momentos de utilidade geopolítica para a Casa Branca,36 toda a tentativa de alinhamento com o gigante do norte terminou em frustração brasileira.
MAIS DO que isso. Será como tapar o sol com a peneira, deixar de reconhecer o inadiável: a Ásia emerge. E sobre isso, culturalismos à parte, não há nada que possamos fazer. Assim como a política externa brasileira soube reorientar-se da Europa para os EUA na transição dos séculos XIX e XX, é hora de – parafraseando nosso futuro chanceler – invocar nossos mitos e cultuar nossas tradições. Não as dos norte-americanos, em cuja retórica nacionalista nosso ministro encontra louvor. Mas as nossas melhores tradições diplomáticas de prudência e equilíbrio, circunstacialismo e pragmatismo.
Ponto alto da crítica de Bolsonaro, a diplomacia dos últimos governos teria sido marcada pelo elevado grau de “ideologização” em detrimento da busca pelo verdadeiro interesse nacional. Implantar, pois, uma metapolítica externa de viés salvacionista seria incorrer no erro que se pretende evitar. Ideologia é como sotaque. Todo mundo tem, mas só vê a do outro.

É pesquisador e professor de Relações Internacionais do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ).
elizeusantiago@hotmail.com

NOTAS DE RODAPÉ

1. A menção à prioridade bilateral em um eventual governo Bolsonaro pode ser encontrada nas seções “Economia – Abertura Comercial” e “O Novo Itamaraty” do respectivo plano de governo. O referido documento não possui numeração.

2. Em entrevista realizada pela TV Bandeirantes, o então presidenciável diria que “nem a China ou qualquer outro país poderá comprar o Brasil”. Some-se às críticas ao apetite chinês, os elogios não velados a Donald Trump e aos EUA, rivais comerciais declarados do governo de Pequim.

3. Amplamente noticiada pelas principais cadeias de comunicação, a íntegra da declaração pode ser acessada em: https://www.youtube.com/watch?v=x5g1Csn5ugE.

4. Dados coletados pelo autor no site do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Disponível em http://www.mdic.gov.br/comercio-exterior/estatisticas-de-comercio-exterior/comex-vis.

5. Alguns dos mais notáveis pesquisadores da política externa brasileira vêm atestando para a busca contínua da nossa diplomacia por autonomia e desenvolvimento. Ao longo do século XX, ora lançou-se mão de um americanismo pragmático, ora de um americanismo ideológico. A partir da gênese da Política Externa Independente (PEI) entre os governos JK e Jango, o globalismo adentrava o repertório de inserção internacional do país. A esse respeito, ver PINHEIRO, Letícia. Política Externa Brasileira. Zahar, 2007; PINHEIRO, Letícia. Traídos pelo Desejo: um ensaio sobre a teoria e a prática da política externa brasileira contemporânea. Contexto Internacional, vol. 22 n. 2. Rio de Janeiro, IRI-PUC/RJ, jul./dez 2000, p. 305-334; SOARES DE LIMA, Maria Regina. A economia política da política externa brasileira: uma proposta de análise. Contexto Internacional, n. 12, p. 7-27, jan./dez. 1990. SOARES DE LIMA, Maria Regina. Ejes Analíticos y Conflitos de Paradigmas en la Política Exterior Brasileña. América Latina/Internacional. Buenos Aires, 1(2), 1994. Adicionalmente, consultar MOURA, Gérson. Autonomia na dependência. A política externa brasileira de 1935 a 1942 (Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1980; MOURA, Gérson. Relações exteriores do Brasil: 1939-1915: mudanças na natureza das relações Brasil-Estados Unidos durante e após a Segunda Guerra Mundial. Brasília: FUNAG, 2012, obras em cujo conceito de “autonomia na dependência” seminalmente ilustraria a política externa brasileira entre 1935 e 1942. Tullo Vigevani, Gabriel Cepalluni, Marcello de Oliveira e Rodrigo Cintra seguiriam a aliteração ao criar os conceitos de “autonomia pela distância” (lógica adotada, grosso modo, até o fim do governo militar, com um período de transição entre os governos Sarney e Itamar), “autonomia pela participação” (governo Fernando Henrique Cardoso) e “autonomia pela diversificação (governo Lula): VIGEVANI, Tullo; OLIVEIRA, Marcelo F. de; CINTRA, Rodrigo. Política externa no período FHC: a busca de autonomia pela integração. Tempo soc., São Paulo, v. 15, n. 2, p. 31-61, Nov. 2003; VIGEVANI, Tullo; CEPALUNI, Gabriel. A política externa de Lula da Silva: a estratégia da autonomia pela diversificação. Contexto Internacional, v. 29, n. 2, p. 273-335, 2007. Outras importantes fontes de consulta sobre o tema são CERVO, Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. História da política exterior do Brasil. Brasília, Editora UnB, 2011.

6. Em suas duas viagens internacionais, Pedro II visitou Egito (duas vezes), Turquia, Líbano, Síria e Palestina (incluindo Jerusalém). O monarca traduziu do árabe Mil e Uma Noites, obra considerada de grande complexidade. Uma de suas paixões, no entanto, era o estudo do hebraico e da cultura judaica, a ponto de ser caricatamente criticado pela imprensa da época. Em uma de suas pilhérias, o romancista Eça de Queirós diria: “Sua Majestade é um guloso do hebraico. No hebraico, rapa os pratos e lambe os dedos. E, por uma inexplicável improvidência, Sua Majestade não traz consigo nenhum homem da raça hebreia, nem, sequer, um cristão hebraizante, nem mesmo um professor de hebraico! De tal sorte que nos longos dias preguiçosos do paquete, nas horas fastidiosas de vagão – Sua Majestade passa cruéis privações de hebraico. Por isso chega sempre esfaimado de hebraico: e mal entra as portas festivas dos hotéis, ainda com a mala na mão, rompe logo a pedir nos corredores, com gemidos de gula, quase com assomos de cólera – o seu hebraico!” (EÇA DE QUEIRÓS, 1872, apud RAPHANELLI, Noeli Zuleica Oliveira. D. Pedro II: vínculos com o judaísmo. 
2012. Tese (Doutorado) – Departamento de História, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012, p. 261).

7. Segundo o Plano, o Estado Judeu ficaria com o equivalente a 51% do território e uma população estimada de 498 mil judeus e 407 mil árabes, num total de 905 mil habitantes. O Estado Árabe, detentor de 49% da área geográfica divida, contaria com 725 mil árabes e 10 mil judeus, totalizando 735 mil habitantes. Jerusalém, cidade a ser administrada pelo Conselho de Tutela das Nações, tinha, à época, aproximadamente100 mil judeus e 105 mil árabes. (UNITED NATIONS, 1990, p. 115).

8. A Cidade Velha é o ponto alto de peregrinação a Jerusalém. Sagrada para as três grandes religiões monoteístas, é onde se localizam o Muro das Lamentações, o Domo da Rocha, a Via Sacra e a Igreja do Santo Sepulcro.

9. CASARÕES, Guilherme; VIGEVANI, Tullo. 
O lugar de Israel e da Palestina na política externa brasileira: antissemitismo, voto majoritário ou promotor de paz? 
História (São Paulo), vol. 33, núm. 2, julio-diciembre, 2014, pp. 150-188

10. UZIEL, Eduardo. O Conselho de Segurança, as Operações de Manutenção da Paz e a Inserção do Brasil no Mecanismo de Segurança Coletiva das Nações Unidas. Brasília: FUNAG, 2010.

11. Resoluções 3237 e 3210 da Assembleia Geral da ONU.

12. Resolução aprovada em novembro de 1975.

13. A Resolução 46/86 (adotada em 16 de dezembro de 1991) revogava a Resolução 3379. Note-se que o governo Collor se recusaria a alinhar-se com os Estados Unidos de George H. Bush frente ao pedido do envio de tropas à Guerra entre Kuwait e Iraque.

14. Conforme The Jerusalem Post. Disponível em https://www.jpost.com/Operation-Protective-Edge/Brazil-recalls-ambassador-for-consultations-in-protest-of-IDF-Gaza-operation-368715. Na época, o Brasil foi acusado de liderar uma reação crítica sul-americana contra Israel. Na ocasião, a presidente Dilma chegaria mesmo a convocar o embaixador brasileiro em Tel Aviv para consultas em Brasília. As tensões cresceram ao ponto do presidente israelense Reuven Rivlin ter que ligar para a mandatária brasileira e pedir desculpas em nome do Estado israelense.

15. Os respectivos planos e governo podem ser acessados em http://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2018/08/plano-de-governo_haddad-13_capas-1.pdf e https://docs.wixstatic.com/ugd/b628dd_f16f8088c3f24471a43c52a93e25e743.pdf.

16. Em 1990, o Senate Concurrent Resolution 106, que declarava que o Congresso ‘‘strongly believes that Jerusalem must remain an undivided city in which the rights of every ethnic and religious group are protected’’. Em 1992, ambos Senado e Câmara dos Representantes adotaram a Concurrent Resolution 113 of the One Hundred Second Congress to commemorate the 25th anniversary of the reunification of Jerusalem, e reafirmaram o sentimento de que Jerusalém deveria permanecer uma cidade não dividida. Os dispositivos podem ser consultados em https://www.congress.gov/104/plaws/publ45/PLAW-104publ45.pdf.

17. Aprovada no Senado por 93 votos contra 5, enquanto na Câmara, 374 a 37. Disponível em https://www.congress.gov/104/plaws/publ45/PLAW-104publ45.pdf.

18. Conforme noticiado em The Washington Post. Disponível em https://www.washingtonpost.com/news/politics/wp/2017/12/06/in-1995-congress-reached-a-compromise-on-the-issue-of-jerusalem-trump-is-poised-to-end-it/?noredirect=on&utm_term=.fa3d75b6ba67.

19. Além de 35 abstenções, votaram contra: Guatemala, Honduras, Israel, Ilhas Marshall Micronésia, Nauru, Palau, Togo e Estados Unidos. Documento disponível na íntegra em https://undocs.org/A/ES-10/L.22.

20. Segundo os outros 14 membros do Conselho de Segurança, a mudança de embaixada norte-americana feria inúmeras resoluções do Conselho de Segurança, tais quais resolutions of the Security Council, including resolutions 242 (1967) of 22 November 1967, 252 (1968) of 21 May 1968, 267 (1969) of 3 July 1969, 298 (1971) of 25 September 1971, 338 (1973) of 22 October 1973, 446 (1979) of 22 March 1979, 465 (1980) of 1 March 1980, 476 (1980) of 30 June 1980, 478 (1980) of 20 August 1980 and 2334 (2016) of 23 December 2016.

21. Conforme noticiado por Al Jazeera. Disponível em https://www.aljazeera.com/news/2018/04/mbs-palestinians-accept-trump-proposals-shut-180430065228281.html.

22. DARNTON, Christopher Neil. Rivalry and Alliance Politics in Cold War Latin America. Baltimore: John Hopkins University Press, 2014, p. 107; LITWAK, R. Détente and the Nixon Doctrine. American Foreign Policy and the Pursuit of Stability (1969-1976). NYC: Cambridge University Press, 1984, p. 138;

23. O Itamaraty, na ocasião, divulgou nota reafirmando a sua posição histórica: “O governo brasileiro reitera seu entendimento de que o status final da cidade de Jerusalém deverá ser definido em negociações que assegurem o estabelecimento de dois estados vivendo em paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas e com livre acesso aos lugares santos das três religiões monoteístas, nos termos das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, como a resolução 478 de 1980, entre outras. Recorda, ainda, que as fronteiras entre os dois estados deverão ser definidas em negociações diretas entre as partes tendo por base a linha de junho de 1967. O Brasil mantém relações diplomáticas com Israel desde 1949 e reconheceu o Estado da Palestina em 2010”. Disponível em http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/notas-a-imprensa/18006-nota-a-imprensa-palestina?fbclid=IwAR2vjh6oqfTyv39d_XTfGuGY-fRzkFhtr1p2IOraQ06BLd16hiinZn7gEDI.

24. O documento, na íntegra, pode ser acessado em http://media.folha.uol.com.br/datafolha/2018/10/26/3416374d208f7def05d1476d05ede73e.pdf.

25. Conforme informações da própria Câmara. Disponível em https://www.camara.leg.br/internet/deputado/frenteDetalhe.asp?id=53658

26. Conforme informações da própria Câmara. Disponível em http://www2.camara.leg.br/deputados/liderancas-partidarias/frentes-e-grupos-parlamentares/grupos-parlamentares

27. De acordo com Al Jazeera. Disponível em https://www.aljazeera.com/indepth/interactive/2017/11/171126063915359.html.

28. De acordo com o MDIC. Disponível em http://www.mdic.gov.br/comercio-exterior/estatisticas-de-comercio-exterior/comex-vis.

29. O fictício diálogo entre o cavalheiro cristão Balião de Ibelin e o sultão muçulmano Saladino encontra-se retratado no filme Cruzada (2005), de Ridley Scott.

30. A esse respeito, ver o breve, mas excelente artigo de CASARÕES, Guilherme. Ao viajar ao exterior, Bolsonaro segue tradição que vai de Jânio a Lula. Folha de S. Paulo, 13/03/2018. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/03/ao-viajar-ao-exterior-bolsonaro-segue-tradicao-que-vai-de-janio-a-lula.shtml.

31. De acordo com o plano de governo de Jair Bolsonaro. Disponível em: https://docs.wixstatic.com/ugd/b628dd_f16f8088c3f24471a43c52a93e25e743.pdf.

32. Matteo Salvini, atual Ministro do Interior e vice-primeiro ministro italiano é a figura emergente na política italiana. Assim como Bolsonaro e Trump, é duro crítico da governança global, dos processos de imigração e do avanço de uma agenda internacional de direitos humanos.

33. O “passe de Ave Maria” é a jogada em que um longo lançamento do quarteback encontra um recebedor na zona de touchdown no último lance do jogo.

34. Metapolítica é definida por Ernesto Araújo como “o conjunto de ideias, cultura, filosofia, história e símbolos que agem tanto no nível racional quanto no nível emotivo da consciência”.

35. ARAÚJO, Ernesto H. F. Trump e o Ocidente. Cadernos do IPRI. Ano III, número 6, 2º semestre, 2017, p. 354.

36. Respectivamente, em 1889 e 1941, de acordo com SPEKTOR, Matias. Bolsonaro prepara alinhamento a Trump. Folha de São Paulo, 08/11/2018. No pós-1889, momento de emergência norte-americana no cenário internacional, interessava aos Estados Unidos aproximar-se dos demais países do continente. Visto com profunda desconfiança pelo crescente imperialismo de sua ação regional, encontrou um aliado no Brasil. Além de maior comprador do café brasileiro, apoiou o golpe que depôs D. Pedro II, tendo sido, inclusive, o primeiro país a reconhecer o governo republicano. No segundo caso, o governo brasileiro barganhou enquanto pôde entre Alemanha Nazista e Estados Unidos até 1942, momento em que o país romperia a equidistância pragmática após receber, dos norte-americanos, apoio para a industrialização do país e modernização das forças armadas. Terminado o conflito, o governo Dutra frustrou-se com o chamado “alinhamento sem recompensas”.
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