Cibernética, neurociência e outros impulsos

Cibernética, neurociência e outros impulsos

Leonardo Braga Martins, Oficial de Marinha Submarinista

 

No século XXI, a ascensão do artificial atingiu patamares jamais experimentados pelo homem urbano comum. A internet, os smartphones, as redes de telefonia móvel e a ampliação da oferta de serviços em nuvem, passaram a permear, em muito pouco tempo, a experiência cotidiana. Dispositivos, antes restritos às aplicações industriais e militares, beneficiados pelo aprimoramento da eficiência elétrica, a miniaturização de componentes e pela vasta oferta da capacidade de processamento e armazenagem de dados, tornaram-se acessíveis ao grande público. Mas nenhum desses recursos poderia ser mobilizado sem a progressiva sofisticação da capacidade humana de conceber sistemas de controle – um processo de reflexão-ação que deu origem à cibernética.

Mais conhecida pela sua forte influência na produção da cultura material contemporânea, a cibernética teve, desde seu nascedouro, a vida, o homem e a sociedade como objetos privilegiados de interesse. Este artigo explora algumas contribuições desse movimento para as ciências sociais e apresenta possibilidades de resignificação de conceitos como conhecimento, poder e cultura, a partir do diálogo que se estabeleceu entre a cibernética e neurociência cognitiva no século XXI.

 

A Cibernética e Suas Origens

O notável matemático e filósofo Norbert Wiener (1894 – 1964) cunhou o termo cibernética em seu livro seminal “Cybernetics or Control and Communication in the Animal and the Machine” de 1948. A palavra é uma derivação do termo grego “Kybernetes”, que quer dizer timoneiro (WIENER, 1948). Faz menção à ideia de governo ou comando, apresentando de primeira mão o pilar central da abordagem cibernética: a análise de sistemas cujos comportamentos estão orientados para o atingimento de metas. Essa forma de olhar logo mostrou-se poderosa, não só para análise e construção de máquinas quanto também para a compressão das coisas vivas. Assim, muitos se debruçaram sobre os problemas da vida a partir do olhar da cibernética e entre os maiores contribuintes para o campo estão dois biólogos – Walter Canon (1871-1945) e Ludwig von Bertalanffy (1901-1972).

Cannon propôs a visão dos seres vivos como sistemas abertos, dinâmicos, engajados numa busca incessante pelo equilíbrio interno; busca que orientaria suas respostas ao ambiente externo. Essa concepção colocou o cientista entre os pioneiros da cibernética, contribuindo para a legitimação das explicações de cunho teleológico no interior da produção de conhecimento científico (GLASERSFELD, 2002). Leia-se, o propósito passou a ser reconhecido como um princípio válido para a explicação científica, ideia primeiramente justificada por Immanuel Kant e mais tarde por Charles Darwin (PERIN, 2010).

Já Bertalanffy foi responsável pela Teoria Geral de Sistemas (TGS). Seu trabalho pode ser considerado um compêndio de produções intelectuais convergentes que provinham de diferentes áreas do conhecimento humano. Elas tinham em comum uma oposição às abordagens de cunho cartesiano, em que o conhecimento somente se produzia pela dissecação física e teórica dos objetos da pesquisa (DUPUY, 2000). Desse modo, a perspectiva de adotar os padrões de organização e as interações entre componentes, como os objetos privilegiados da reflexão, provocaram uma revolução no modus faciendi da pesquisa em campos como a biologia, a economia e a sociologia, proporcionando uma base comum para o diálogo interdisciplinar.

A TGS prevê a descrição formal de sistemas por meio de diagramas de bloco, explicitando três componentes distintos: o primeiro consiste no receptor, unidade responsável por obter informações do ambiente; o segundo é o aparelho de controle, responsável por processar as informações recebidas, compará-las como as referências pré-estabelecidas e, em determinadas circunstâncias, acionar a unidade atuadora; e o terceiro, portanto, é a unidade atuadora, que age sobre o ambiente, a partir dos comandos do aparelho de controle (BERTALANFFY, 2008, p.43).

Entre esses componentes existe uma relação de circularidade, por meio de uma interligação entre o receptor e o atuador, conhecida como retroação ou realimentação – em inglês, feedback. Essa relação pode ser estabelecida diretamente ou se realizar por meio do ambiente que cerca o sistema, arranjo mais comum. Em ambos os casos, o sistema de controle será instado a comandar a ação do atuador, quando, ao comparar a informação recebida pelo sensor com o padrão de controle programado, encontrar uma diferença. E continuará fazendo isso enquanto essa diferença persistir (Figura 1).

Para ilustrar a explicação, usaremos como exemplo o controle de temperatura de um forno elétrico. No forno, uma vez ligado, o sistema de controle irá comparar a temperatura de operação selecionada pelo usuário com aquela que pode ser medida no interior do aparelho. Considerado um forno inicialmente frio, teremos um sensor a informar uma temperatura igual a do ambiente, que convencionaremos, neste exemplo como 25o C. Suponhamos que o usuário tenha selecionado como temperatura alvo 180o C. Comparando 25o C com 180o C, o dispositivo de controle irá identificar uma diferença e, assim, permitirá a passagem de corrente elétrica para as resistências de aquecimento. Ao se aquecerem, as resistências irão aquecer o ar no interior do forno, cuja temperatura é monitorada pelo sensor do sistema. Quando a temperatura do ar atingir 180o C, não haverá diferença entre o valor medido e o valor ajustado. Nesse momento, o dispositivo de controle irá interromper a corrente elétrica que alimenta as resistências, evitando assim que a temperatura continue a subir. Quando a temperatura cair novamente, o ciclo se repetirá, pelo menos enquanto o forno permanecer ligado.

É possível observar, todavia, que a adoção de um “ponto de equilíbrio” (no exemplo, 180o C) é uma escolha desgastante para o nosso sistema modelo. Essa configuração fará com que o forno tenha que ligar ou desligar as resistências de aquecimento com demasiada frequência. Uma estratégia alternativa – adoção de uma faixa de equilíbrio em vez de um ponto – se apresenta a partir da observação dos seres vivos (CANNON, 1963). No nosso caso, em vez de 180o C, poderíamos adotar uma faixa aceitável de 175o C a 185o C. Veríamos que, na partida, o dispositivo de controle manteria em funcionamento as resistências até que atingissem 185o C. Ao atingirem essa temperatura, as resistências seriam desligadas, e pouco a pouco a temperatura iria cair, sem que nenhuma ação de controle fosse requerida. Quando a temperatura do ar alcançasse o limite inferior (175o C), o aparelho de controle acionaria novamente as resistências, e assim a temperatura seria mantida no intervalo almejado.

Como na ilustração do forno, os sistemas artificiais e naturais exibem uma grande variedade de padrões de realimentação, sendo o feedback simples apenas um dos exemplos que a cibernética de primeira ordem ajudou a compreender. Na biocibernética, esse processo de equilibração sistêmica foi batizado por Cannon (1963) de homeostase, e as faixas de equilíbrio foram chamadas de faixas homeostáticas.

 

A Cibernética de Segunda Ordem

A perspectiva da TGS cristalizou-se no que reconhecemos hoje como “cibernética de primeira ordem”, descrita por Bertalanffy à época apenas como cibernética. Na cibernética que se segue, conhecida como “de segunda ordem”, a perspectiva muda da observação de sistemas para sistemas que observam. Essa mudança de perspectiva dá origem a uma nova tradição de análise sistêmica da cognição, que tem suas raízes no aprofundamento do movimento cibernético pelo físico-químico Ilya Prigogyne (1917-2003), prêmio Nobel de Química em 1977, e pelo físico Heinz Von Foster (1911-2002), considerado o pai da biocibernética. Mais tarde o referencial teórico da cibernética de segunda ordem seria apropriadamente formulado por Gregory Bateson (1904-1980) e desenvolvido pelo biólogo e neurofisiologista Humberto Maturana com o concurso de seu colaborador próximo, o neurocientista Francisco Varela (1946-2001) (GLASERSFELD, 2002).

Dentro da cibernética de segunda ordem, o constructo teórico de maior interesse para essa reflexão é a Teoria da Cognição de Santiago. Ao distinguir os sistemas vivos dos “não vivos”, Maturana e Varela (2001) constroem um novo referencial para a compreensão dos processos cognitivos, a partir de uma mudança de perspectiva. Descarta-se, como possibilidade metodológica, a interpretação do comportamento de um ser vivo a partir de um observador externo. Em vez disso, os autores discutem as características da vida para então depreender o modo como se dá a cognição, por eles compreendida como um processo que reúne, num só fazer, a reflexão e a ação.

O pilar central da teoria é o conceito de organização autopoiética. Ao se perguntarem como é possível distinguir os seres vivos do restante do meio, os autores afirmam que a vida conta com uma característica sem igual, a capacidade de constituir a si mesma, de se autoproduzir. Essa autoprodução se dá por meio de duas linhas de esforço distintas e complementares. Uma é de natureza filogenética, tal como Maturana e Varela (2001, p.117) definem: “uma sucessão de formas orgânicas geradas sequencialmente por relações reprodutivas”. A segunda se dá ao longo da vida de um ser, em que a autoprodução é o recurso que permite ao organismo, dentro de seu nicho ambiental, configurar-se de diferentes modos (estruturas), respeitadas certas relações invariáveis (padrão de organização). Essa plasticidade estrutural, ou metamorfose, permite a emergência de diferentes comportamentos do organismo, resultando, na visão de um observador externo, numa capacidade de adaptação.

Mas ao contrário do que costuma apontar o senso comum, as perturbações externas não determinam um efeito sobre um organismo – elas desencadeiam processos de resposta que, em última instância, são decorrentes da lógica estabelecida pela estrutura corrente desse organismo. Vemos assim que, por exemplo, um nível de exposição solar capaz de estimular o florescimento de um cacto pode matar uma orquídea. A luz não determina se uma criatura irá viver ou morrer – quem o faz é a sua estrutura. Essa segunda linha de esforço é chamada de ontogenética, a partir da definição proposta por Maturana e Varela (2001, p.88), ao afirmarem que “a ontogenia é a história de mudanças estruturais de uma unidade, sem que esta perca a sua organização”. Reparemos que essa plasticidade estrutural (a capacidade de modificar a sua própria estrutura) pode ser amplamente observada na natureza. Lá está ela na transformação de girinos em sapos, na mudança da pelagem de animais, na queda das folhas no inverno, no crescimento de músculos exercitados e no bronzeamento da pele após um dia de praia.

É possível observar que a Teoria de Santiago posiciona a cognição como um fenômeno mais amplo e anterior ao aparecimento do sistema nervoso na história evolutiva. O organismo vivo deixa de ser visto como um sistema de processamento de informações, como se estas possuíssem existência independente de um observador, para se constituir como um sistema produtor de sentidos, por meio de suas configurações estruturais. Podemos afirmar que, em última instância, o organismo vivo faz o que faz por que tal ação lhe faz sentido, lhe é coerente. Bem-sucedido é, portanto, aquela linhagem de organismos que consegue construir e preservar sentidos capazes de viabilizar a sua existência.

 

A Cognição de Natureza Biolétrica

A ascensão experimentada pelas neurociências nos últimos quinze anos resultou na formação do quinto maior campo disciplinar da produção científica global (ROSVALL e BERGSTROM, 2010). Esse processo resultou numa rápida popularização do tema – na percepção dos leigos, a associação de argumentos a explicações ditas “neurocientíficas” passou a conferir maior credibilidade às produções (WEISBERG et al, 2008; WEISBERG, TAYLOR e HOPKINS, 2015), fazendo crescer as iniciativas oportunistas de autores pouco chegados ao rigor metodológico. A esse processo de popularização “desinformante”, somaram-se as dificuldades inerentes de integração do novo campo à produção científica corrente, tão fragmentada e disciplinar. Uttal (2016) ilustra as limitações do atual paradigma de pesquisa das neurociências cognitivas afirmando que a redução dos constructos da psicologia a mecanismos neurofisiológicos mostrou-se uma tarefa muito difícil e mais complexa do que se pensava – talvez impossível –, e que conceitos advindos da psicologia, como cognição, mente, pensamento e consciência, são inadequados para análise das complexas redes interneuronais.

A possibilidade de resignificação de conceitos utilizados na pesquisa social, a partir do referencial cibernético de Maturana e Varela, proporciona um caminho metodológico alternativo. Dentro desse contexto, os processos bioelétricos, a cargo das células neuronais e gliais, constituem apenas um caso particular da cognição, requerendo que o seu entendimento seja recontextualizado. Um sistema nervoso complexo passa a ser compreendido como um recurso que expande brutalmente a plasticidade estrutural do organismo, proporcionando um repertório muito mais extenso de comportamentos possíveis, que podem ser construídos e/ou destruídos de um modo muito mais veloz. E como isso teria se dado na história evolutiva? Se retornarmos ao esquema clássico de controle por retroação simples, originário da cibernética de primeira ordem, e substituirmos a informação por uma perturbação, na entrada, teremos nosso ponto de partida para conceber o vivo dotado de um sistema nervoso (Figura 2).

Conectados aos sensores, teremos os neurônios aferentes, e, aos mecanismos efetores, os neurônios eferentes. Entre eles, na condição de componente de controle, encontraremos a rede de neurônios interneuronais (MATURANA, 2014). Tal configuração – células sensíveis a determinadas perturbações (sensores), conectadas a células capazes de produzir movimento, quando excitadas eletricamente (efetores) – proporcionou à vida multicelular uma notável extensão de suas possibilidades. Na condição de estrutura, facultando a conexão entre sensores e efetores, a rede interneuronal proporcionou a emergência de certos comportamentos, a partir de certas correlações ou, como havíamos dito, certos sentidos.

Constata-se que, ao longo da evolução, as espécies aquinhoadas com o aumento da densidade da rede interneuronal e da concentração de seus componentes em regiões específicas, parecem ter sido particularmente bem-sucedidas. A evidência está em toda parte, ao observarmos a grande variedade de espécies que apresentam uma cabeça concentrando a maior parte do SNC (RIBAS, 2006).

 

A Complexificação das Redes Interneuronais

O aumento da quantidade e concentração de neurônios interneuronais propiciou o surgimento de estruturas cada vez mais complexas que, por conseguinte, foram capazes de gerar comportamentos cada vez mais variados. A proporção de interneurônios do cérebro humano ilustra o quanto essa rede prosperou. Estima-se que, para cada dez neurônios efetores, existam 100.000 interneurônios e apenas um neurônio sensor (MATURANA E VARELA, 2001). Considerando uma população estimada de 86 bilhões de neurônios e um número similar de glias (AZEVEDO, Frederico AC et al, 2009), tem-se uma rede de grande escala, que se destaca claramente entre os demais sistemas nervosos centrais de primatas (HERCULANO-HOUZEL, 2009).

Para dar os necessários saltos de escala entre fenômenos bioelétricos, psíquicos e sociais, precisamos oportunamente do apoio de outros autores, como os filósofos Joseph Woodger (1894-1981), Charlie Broad (1887-1971). Wooger (1929) formulou a ideia do fenômeno da vida como uma grande teia de relações, organizada numa cadeia hierárquica de redes dentro de redes, cada vez maiores e mais conectadas – portanto mais complexas. Broad, em seu livro “The Mind and its Place in Nature”, de 1925, nos oferece o conceito de “propriedade emergente” para definir propriedades únicas de um determinado nível de organização da rede (GUSTAVSSON, 2014) que o distinguem entre os níveis superiores ou inferiores de complexidade.

O diálogo de Broad e Woodger com Maturana e Varela nos permite propor a emergência, nessa escala de rede, de um domínio próprio de interações, em que os sentidos se relacionam com outros sentidos, criando algo que poderíamos chamar de grandes correlações. Vimos que a rede interneuronal é massiçamente superior em conexões e quantidade de componentes se comparadas às redes sensoras e motoras. Portanto, a maior parte dos neurônios do SNC se relacionam mesmo a outros neurônios, constituindo um domínio de interações distinto do domínio de existência do organismo. Tal como explica Maturana (2014, p.199), “o resultado fundamental desta situação é que o organismo interage com o meio, mas o sistema nervoso não”.

Tomada como um determinado nível de complexidade, as grandes redes interneuronais dispõe, portanto, de propriedades específicas que não são encontradas nem nos seus níveis superiores, nem nos seus componentes. Isso quer dizer que organismo e sistema nervoso estejam desconectados? Não. Ambos compartilham dos elementos sensores e efetores, que constituem as relações do organismo (em sua integralidade) com o ambiente que o cerca. Como nos alerta Maturana (2014, p.200), “apesar do sistema nervoso não interagir com o meio, a estrutura do sistema nervoso segue um trajeto de mudança que é contingente com o fluir das interações do organismo na realização e conservação de seu viver”.

Desse modo, assim como sequências de apenas quatro aminoácidos foram capazes de constituir a enorme variedade de seres vivos existentes na Terra, não é de se espantar que numa rede com trilhões de conexões possam emergir fenômenos como a linguagem, as emoções e a consciência.

 

O Mecanismo de Feed Forward

Na busca de novas respostas para antigas perguntas, seguir-se-á pelos referenciais da cibernética, incluindo nas discussões um esquema de controle denominado de feed forward. Segundo Damásio (2011) esse esquema proporciona ao homem uma camada de controle adicional, possível a partir da complexificação das redes interneuronais, e capaz de estender de modo extraordinário as possibilidades proporcionadas pela homeostase baseada em feedback: “Eles se entrepõem entre as outras regiões com o bom e óbvio propósito de modular as respostas simples a estímulos diversos e torná-las menos simples, menos automáticas.” (Damásio, 2011, p.380). Conhecido por suas contribuições na formulação de conceitos como mente e subjetividade, Damásio tem ainda outros constructos úteis a essa reflexão, tais como a homeostase sociocultural, a compressão cognitiva e a sua particular modelagem para fenômenos como a emoção e a mente consciente. Fenômenos como esses devem ser compreendidos essencialmente como produtos do domínio de interações próprio da rede interneuronal. Como tais, serão analisados e descritos no interior de uma modelagem que guarda coerência com os princípios gerais da cognição até agora descritos, respeitando características sui generis, possíveis apenas em um nível tão alto de complexidade.

Maturana e Varela (2001, p.232 e 233) definem o domínio de interações simbólicas como um domínio linguístico. A linguagem aqui é compreendida como um campo que permite “a quem funciona nela, descrever a si mesmo e à sua circunstância”. Leia-se “o próprio domínio linguístico passa a ser parte do meio de possíveis interações” coexistindo com o domínio da existência (o campo da ação material sobre os sensores e efetores). Nas experiências cotidianas, o domínio linguístico é mais conhecido por sua razão instrumental no fenômeno da comunicação. Aqui, recusando definições que circunscrevam a linguagem a um sistema de transmissão e recepção de mensagens, tomaremos o fenômeno como um sistema de lógicas próprias de redes interneuronais complexas, capaz de proporcionar o afloramento do que convencionou-se chamar de pensamento abstrato.

Reconhecendo a importância da homeostase e dos mecanismos de controle baseados na retroalimentação (feedback), Damásio (2011, p.69) propõe que o cérebro humano tenha proporcionado ao homem a capacidade de prever desequilíbrios futuros e agir antecipadamente antes que eles aconteçam (Figura 3). Para tal, estariam instaladas no cérebro faixas homeostáticas simbólicas, aprendidas a partir da interação do indivíduo com o seu grupo social e com os demais componentes do ambiente que o cerca, num processo de equilibração simbólica chamada de homeostase sociocultural (DAMÁSIO, 2011, p.356). Damásio guarda coerência com a visão já descrita de que, no ser humano, a complexificação das redes interneuronais proporcionou a emergência da linguagem, como um sistema de descrição de objetos (e do próprio indivíduo) sobre os quais o homem consegue, mentalmente, interagir ou simular interação a fim de elaborar cenários de futuro (MATURANA e VARELA, 2001). A posição de sujeito de uma ação planejada teria gerado a faísca para um fenômeno singular na história natural – a consciência, aqui tomada como “um processo que se manifesta com conhecimento que um indivíduo tem da própria identidade, do próprio passado e da própria situação perceptiva e emocional” (MALDONATO, 2014, p.110). Entretanto, ao que tudo indica, o mecanismo de feed forward é um fenômeno subjacente à mente consciente, residindo também no nível subconsciente (associado a fenômenos como a intuição e a decisão intuitiva) ( KAHNEMAN,2012; GAZZANIGA,2012). [Figura 3]

A invenção do futuro requer o conhecimento do passado, em duas dimensões distintas: (1) na expressão das perturbações recorrentes, ocasionadas pelos objetos mais comuns no domínio da existência e (2) na expressão do próprio organismo, cuja recorrência de interação é obvia – o sistema nervoso nasceu e cresceu ali – e cujo papel é privilegiado na prospeção de cenários, por que nele estão instalados os sensores e efetores que constituem o “sujeito” das ações. Em relação à primeira dimensão, Damásio (1992, p.93) defende que o emprego de estereótipos, classes ou categorias de objetos fixou-se como estratégia cognitiva bem-sucedida na história evolutiva do sistema nervoso central (SNC), como um fenômeno conhecido como “compressão cognitiva”. Grosseiramente, poderíamos dizer que a existência de circuitos especializados em processar perturbações recorrentes – que correspondem a classes ou categorias de objetos com propriedades definidas – permite ao cérebro, ao detectar uma perturbação, reconhecê-la e combiná-la com reproduções de outras perturbações.

Em relação à segunda dimensão, é possível afirmar que o SNC tem, no corpo, um tema privilegiado. Nas perturbações recíprocas que se estabelecem com as demais redes que compõem organismo, observamos a emergência da comunicação – fenômeno compreendido como o “desencadeamento mútuo de comportamentos coordenados que se dá entre os membros de uma unidade social” (MATURANA e VARELA, 2001, p.214). As perturbações provocadas pelo corpo na rede interneuronal sinalizam, entre outras coisas, as vontades homeostáticas dos orgãos e tecidos que o constituem. As vontades atendidas se manifestam como sensações prazerosas, e as vontades negligenciadas como dor. A punição, como um reforço negativo à manutenção do comportamento doloroso e a recompensa como um estímulo à manutenção do comportamento prazeroso (DAMÁSIO, 2011, p.74).

Mas não só de dor e prazer vivem as comunicações da rede interneuronal com o organismo. Nesse balé de comportamentos coordenados, há passos em que o organismo sinaliza quais predisposições escolheu para lidar com o ambiente no presente momento. Como predisposições, quero dizer a especificação de quais perturbações devem gozar da atenção disponível e quais ações o organismo considera como opções adequadas ao atual contexto, entre todas as ações possíveis do seu inventário. Esse fenômeno, Damásio (2012) e Maturana (2014, p.45) chamam de emoção. A emoção permite que, para certos contextos, o organismo privilegie o processamento de certas perturbações e a escolha de certas respostas, em detrimento de outras. Numa primeira aproximação, isso não parece representar vantagem. Todavia, um olhar atento aponta que a existência de estados emocionais no cérebro dos humanos modernos resulta num desempenho superior. Ao restringir a variedade de estruturas selecionadas para produzir os comportamentos, o SNC processa mais rapidamente as perturbações e comanda mais rapidamente os efetores, porque existem menos caminhos neurais a serem percorridos; o que se traduz, para um observador externo, num menor número de opções acessíveis à escolha.

Podemos fazer analogias ao cardápio de um restaurante. Imagine que você está jantando com um amigo e, antes de escolher, vocês decidiram compartilhar uma porção para duas pessoas. Nesse caso estabeleceu-se, previamente à escolha, um determinado contexto, que limitará as opções àquelas suficientes para duas pessoas. Você não precisará, portanto, ler a parte do cardápio relativa aos pratos individuais (limitou as perturbações). Ao apreciar uma lista menor de pratos você dispendará menos tempo para decidir (comando mais rápido).

Os trabalhos científicos da neurociência contemporânea apontam que emoção é um mecanismo ancestral, que precede a alta complexificação das redes neuronais e, portanto, a emergência da mente consciente. Por séculos, antes desses achados, ela foi compreendida como um incômodo, um elemento “atrapalhador” da decisão racional. Isto porque, na mente consciente, o que emerge é a sensação de que um estado emocional foi selecionado involuntariamente. É o coração acelerado, o frio da barriga, o suor frio. É uma experiência que desafia o desejo de estar sempre no controle. A essa tomada de consciência das mudanças disparadas no corpo pela alteração involuntária do estado emocional, Damásio (2012) chama de sentimento. Por muito tempo, foi o sentimento tudo o que nós, seres humanos, soubemos sobre a emoção. Mas hoje as evidências clínicas demonstram claramente que estávamos errados. A falta de emoções não gera o decisor perfeito; gera a incapacidade de decisão (DAMÁSIO, 2012).

 

Poder, Sociedade e Cultura

Quando organismos dependem da comunicação entre si para assegurar o seu bem-estar, eles formam uma unidade social. No caso do homem, a notável plasticidade estrutural proporcionada pelo SNC possibilita que, no devir de gerações, os novatos tenham suas estruturas moldadas pelos adultos, de modo a reproduzirem os comportamentos julgados adequados. Portanto, na condição de sistema, o grupo social força a manutenção das suas grandes correlações, desencadeando, por meio de perturbações específicas e intencionais, mudanças estruturais no interior dos seus indivíduos.

Ao contrário da deriva natural, há um processo intencional que seleciona, entre os padrões constantemente criados pela autopoeise interneuronal, aqueles que produzem modos de ser e agir socialmente aceitáveis. Este processo acontece com todos nós. Assim aprendemos a falar, a ler e escrever. Assim somos moldados para exibir o comportamento de escovar os dentes depois das refeições. A esses comportamentos estáveis ao longo de gerações, adquiridos de modo ontogenético pela comunicação entre os entes de uma unidade social, chamamos de “condutas culturais” (MATURANA e VARELA, 2001, p.223). A cultura não é um fenômeno presente em todas as unidades sociais. Há grupos, como o dos insetos sociais, cuja coordenação está fortemente ancorada em instruções filogenéticas. Seus participantes até possuem cérebros complexos, mas “de certo modo inflexíveis, vulneráveis a interrupções de suas sequências comportamentais” (DAMASIO, 2011, p.348). Para que haja cultura é necessária a plasticidade estrutural, é preciso ser moldável pelas interações com o outro.

Quando a reflexão, neste momento, passa a permear o campo da sociologia, é oportuno citar que a cibernética motivou a emergência de abordagens sociológicas alternativas pelas mão de nomes como Talcott Parsons (1902-1979), George Homans (1910-1989), Walter Buckley (1922-2006) e Niklas Luhmann (1927-1998). A despeito de alguns críticos não serem capazes de diferenciar as contribuições científicas da cibernética de primeira ordem em relação às de segunda ordem, nesta última foi possível verificar a superação de boa parte das maledicências contra o movimento cibernético. As críticas em geral se embasavam na compreensão de que, embora a abordagem sistêmica de primeira ordem se opusesse ao reducionismo cartesiano, com ele compartilhava a mesma visão mecanicista da vida (DUPUY, 2000). Superada a visão mecanicista, a cibernética de segunda ordem continuou a exibir alguns aspectos sujeitos a crítica sociológica. Dois deles são de interesse especial para este trabalho: as questões da clausura operacional e do poder.

 

Clausura Operacional e Estratégias de Equilibração

Na Teoria da Reprodução Cultural de Pierre Bordieu (1930-2002) e Jean-Claude Passeron, encontramos o modelo teórico mais capaz de explicar a ação do grupo sobre o indivíduo, na intenção de manter, por meio da cultura, as grandes correlações sociais. Tal pertinência, contudo, se dá em dura oposição à abordagem cibernética. Bordieu proporciona aos pesquisadores uma oportunidade preciosa de reflexão crítica, ao rejeitar a autorregulação fechada proposta por N. Luhmann, (FERNANDES, 2006, p.52). Diante dessa rejeição, ao mesmo tempo que se faz necessário defender o caráter fechado dos sistemas nervosos, a partir das evidências que a pesquisa neurobiológica de Maturana e Varela (2001) acumulou, se mostra igualmente oportuno distinguir duas características operacionais primárias, que emergem das discussões realizadas por eles e por Damásio (2011), (1) os desequilíbrios internos do SNC geram ações palpáveis, que se traduzem em comandos para os seus efetores, capazes de mudar o ambiente no entorno de modo concreto; (2) os SNC são sistemas autopoiéticos, cuja autopoiese se dá pelo contínuo rearranjo dos circuitos neurais que ocorre diuturnamente por meio de fenômenos como a neurogênese e sinaptogênese.

Rememorando o exemplo inicial, podemos perguntar: o que o forno elétrico faz, não é realizar uma mudança no ambiente (levar o ar a 180o C) para satisfazer a sua lógica, a sua coerência interna? Seguindo essa metáfora, o SNC não faz a mesma coisa? Há evidências de que sim, com pelo menos uma diferença. A capacidade de simular a interação entre objetos simbólicos, a fim de produzir conclusões sobre eventos que não foram concretamente observados, permitiu ao homem experimentar soluções que igualmente não existem, mas que podem se tornar realidade a partir da sua ação sobre os elementos disponíveis no domínio da existência.

A atitude transformadora do ambiente se configura como uma estratégia de equilibração por conformidade externa. As ideias, ao surgirem naturalmente, são selecionadas em proveito da realização de uma visão de mundo em que o ambiente é modificado para atender as correlações internas do sujeito criador. Aos elementos materiais que concretizam essa mudança no domínio da existência, chamamos de artefactos ou próteses (BARTRA, 2014).

Para alguns, por outro lado, a plasticidade neural estaria a serviço mais fortemente da imitação de comportamentos já estabelecidos pela cultura vigente, numa estratégia de modificação das correlações internas a fim de assegurar a coerência do interno com o ambiente cultural. Desse modo, podem angariar as recompensas que o grupo social lhes oferece, pela manutenção de sua conformidade, assim como evitar as punições advindas da não conformidade. Trata-se de uma estratégia de equilibração por conformidade interna.

Nesse ponto retornamos a Bourdieu, para oferecer um contraponto, constatando que a reprodução cultural não se dá sem resistência (DE VARES, 2011). Espera-se que, numa unidade social, ocorram embates permanentes entre perfis que buscam o equilíbrio pela conformidade externa e perfis que o fazem por meio da conformidade interna. (CASTELLANI e HAFFERTY, 2009, p.183).

 

Poder

O emprego do poder como conceito operacional foi rejeitado ou limitado por importantes cibernéticos como Bateson e Luhmann. Para o primeiro o uso do conceito era censurável e tóxico (BATESON, 1972, p.492), para o segundo, de acordo com Simioni (2008, p.5) o poder “é um meio de comunicação simbolicamente generalizado, que disponibiliza à sociedade uma forma específica de comunicação para resolver o problema social de coordenação de ações”. É o meio preferencial de comunicação dos sistemas políticos.

Na perspectiva do mecanismo antecipatório, ou feed forward, a realização da visão de futuro desejada se dá pela apropriada formulação e escolha das ações, dentro do inventário disponível. Um inventário muito limitado de opções redundará em menores chances de sucesso. A incapacidade de decidir também. Assim, dentro desse arcabouço, emerge como um conceito viável e operacional, o poder como um inventário de opções de ação. Em decorrência, a liberdade seria, em essência, o mesmo que poder. Mas não um poder qualquer; mas um poder suficiente para satisfazer a necessidade de equilibração de um sujeito. E quando o exercício de uma opção de ação, por um, impõe a indisponibilidade de uma determinada ação, por outro, temos uma relação de poder de natureza weberiana.

 

Reconstruindo Definições Fundamentais

A partir de Damásio (2011, 2012) e Maturana e Varela (2001), será possível dispor de algumas definições fundamentais, que podem ser colocadas a serviço das discussões interdisciplinares em ciências sociais: (1) Conhecimento: a configuração estrutural de um organismo capaz de produzir um comportamento adequado para um contexto definido. (2) Competência: comportamento adequado, para um contexto definido, concepção aderente ao modelo do sociólogo e antropólogo Philippe Perrenoud (2013, p.45). (3) Aprendizagem: processo de construção de conhecimento, a partir da história de interações do organismo com o ambiente, seja ele natural ou cultural. Assim a aprendizagem é tomada como um fenômeno de natureza ontogenética, em que os processos bioelétricos têm papel de destaque sem constituírem, contudo, as únicas formas de construção do conhecimento. (4) Poder: inventário de opções de ação. Definição que guarda coerência com o proposto pelos sociólogos Zygmunt Bauman e Tim May, ao afirmarem que:

 

Compreende-se melhor o poder como a busca de objetivos livremente escolhidos para os quais nossas ações são orientadas e do controle dos meios necessários para alcançar esses fins. O poder é, consequentemente, a capacidade de ter possibilidades. Quanto mais poder alguém tem, mais vasto é o leque de escolhas e mais ampla a gama de resultados realisticamente buscáveis. Ser menos poderoso ou não ter poder algum significa que talvez seja necessário moderar e até reduzir as esperanças realistas em relação aos resultados das ações. Assim, ter poder é ser capaz de atuar mais livremente, enquanto ser relativamente menos poderoso, ou impotente, corresponde a ter a liberdade de escolha limitada por decisões alheias — de quem tenha capacidade de determinar nossas ações. O exercício da autonomia de um indivíduo pode levar os demais à experiência de heteronomia. (BAUMAN e MAY, 2010, p.102)

 

O autor é capitão de corveta da Marinha de Guerra do Brasil e mestre em Defesa Civil pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

bragamartins@gmail.com

 

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