O populismo neoliberal de Bolsonaro

O populismo neoliberal de Bolsonaro

 

Elizeu Sousa, Internacionalista e cientista político

 

Ainda é cedo para apontar o limite e a longevidade da guinada conservadora que parece estar em curso nos últimos anos. Dos Estados Unidos ao Leste Europeu, a fortuna política gira à direita. Embora nomes como Jair Bolsonaro e Donald Trump, Viktor Orbán e Matteo Salvini possam figurar lado a lado na gramática política contemporânea, suas expressões não devem ser tomadas por sinônimos. Cada qual à sua maneira, são produtos de anseios e contradições de culturas políticas distintas. Compartem um mesmo mundo, é verdade. No entanto, as variáveis sistêmicas que condicionam em menor ou maior grau as realidades pátrias são traduzidas e respondidas à linguagem política de acordo com circunstâncias nacionais específicas. É na encruzilhada entre realidade e linguagem que matizes de conservadorismos buscam forjar uma nova identidade política internacional. Em comum, partem do medo e falam com sotaque populista.1

A Tragédia dos Comuns

É crescente o sentimento de insatisfação com a democracia ao redor do mundo. De acordo com pesquisa realizada em 2018, 83% dos brasileiros diziam-se insatisfeitos com a democracia no país. Na América Latina, o apoio à democracia é decrescente desde 2010. Segundo dados estatísticos, ele era de 61% em 2010; em 2018, foi de 48% (LATINOBARÓMETRO, 2018). Nos Estados Unidos são 58% de insatisfação. No coração da União Europeia, 81% dos espanhóis dizem-se insatisfeitos, contra 70% de italianos. Na média dos 27 países consultados, 51% dizem-se satisfeitos vis à vis um montante de 45%. Quando comparada com o ano anterior, a insatisfação cresceu em 14 países; em outros 10, manteve-se estável. Entre as variáveis correlatas, a insatisfação estaria diretamente ligada ao mau momento econômico vivenciado, à percepção de corrupção e à descrença diante das elites políticas nacionais (PEW RESERACH, 2019a).

Não por acaso. Estima-se que entre 1,5 e 2 trilhões de dólares sejam desviados anualmente para a indústria da corrupção em todo o mundo, algo que representaria cerca de 2% do PIB global (IMF, 2016). Mais do que isso, tem sido recorrente o alerta das agências internacionais especializadas acerca de um maior pessimismo sobre a economia mundial. Para além da instabilidade gerada pela guerra comercial entre China e Estados Unidos, são incertas as consequências advindas do Brexit. Os temores são que a economia global não ultrapasse os tímidos 3% de crescimento em 2019. Abra-se parêntese: não fosse a locomotiva asiática, o mundo estaria em recessão. Na América Latina, a expectativa gira em torno de 0,6% para 2019, diante de um decréscimo de 1,2% em 2017 e um tímido crescimento de 1% em 2018. Para se ter ideia do que isto representa, estima-se que 90% dos países do mundo tenham um crescimento em 2019 inferior ao observado em 2018 (IMF, 2019).

À desaceleração da economia global, soma-se um alarmante sentimento de injustiça social, atestado pelo crescimento da desigualdade de renda em quase todo o mundo. Se é bem verdade que ela foi decrescente ao longo do século XX, observa-se uma inversão de tendências a partir dos anos 1980. Desde então, a desigualdade de renda vem crescendo mais rapidamente sobretudo nos Estados Unidos, China, Índia e Rússia. A título de comparação, em 1980, 11% da renda nacional era recebida por 1% da população mais rica nos Estados Unidos. Em 2016, eram 20%. Mesmo na Europa Ocidental, a desigualdade seguiu em rota ascendente, embora com menor vigor. Em 1980, eram 10%; em 2016, 12% (WORLD INEQUALITY DATABASE, 2019).
Goste-se ou não, a Ásia emerge como o novo eixo da economia global. É sobretudo para lá que grande parte da indústria e dos empregos que sustentavam as democracias liberais do Ocidente migraram. Mas não sem antes mexer com as estruturas do tecido social. À medida que o capital vai em busca de rendimentos crescentes, deixa para trás uma legião de insatisfeitos. Capturados pelo discurso anti-establishment, os órfãos da globalização serão a ponta de lança da nova empreitada populista.

Não por acaso, Donald Trump encontrará suporte decisivo em estados do Rust Belt norte-americano, área marcada por uma drástica desindustrialização nas décadas finais do século XX. No Reino Unido, a vitória apertada do Brexit não teria sido possível sem o apoio de áreas de menor dinamismo do capitalismo britânico. Nos grandes centros cosmopolitas, venceu a permanência na União Europeia.

O futuro da economia global parece ser ainda menos intensivo em mão de obra. Com o advento da Economia 4.0, serão as indústrias de alta tecnologia, intensivas em conhecimento, aquelas a aportar os maiores rendimentos ao capital. Nunca tão poucos geraram tanta riqueza concentrada. Há um exemplo paradigmático que, se ilustra bem um mercado de oportunidades, expõe a realidade da vanguarda tecnológica mundial. Em 2014, o WhatsApp, com seus 55 funcionários, fora comprado pelo Facebook por algo próximo a 22 bilhões de dólares (PWN, 2018). A Petrobrás, no mesmo período, com seus quase 70 mil funcionários, valia algo em torno de 44 bilhões. Dito de outra forma, a gigante do petróleo equivalia a duas startups de mensagem instantânea. A história da maior companhia brasileira é conhecida. Mas não custa lembrar. Em 2016, ano de descrédito da empresa, ela chegou a valer 19 bilhões de dólares, menos que a bolada paga pelo empreendimento de 55 indivíduos na Califórnia (MACROTRENDS, 2019).

Há, pois, um cruzamento de sentimentos difusos, amplificado pelas incertezas de um futuro cada vez mais tecnológico e globalizado. Será sob esse pano de fundo que as variáveis locais darão as cores do medo. Das urnas, emergirá um populismo de direita, com sotaques nacionalistas variados. Marcados pelo conservadorismo cultural, manejam um vocabulário similar: o ataque às elites ditas globalistas, a descrença nas organizações internacionais e nos processos de integração regional, o saudosismo de um passado imaginado em que as identidades se afirmavam sem muita heterogeneidade. Mas há aqui algo de preocupante. Ao passo que trazidos à ribalta pela via democrática, demonstram pouco apreço pela democracia liberal, ainda hoje a menos pior entre as formas de organização política em todo o mundo.

Donald Trump e a Vitória do Homem Comum

Muito se falou sobre a possibilidade de já estarmos vivendo em um mundo pós-americano.2 Goste-se ou não, a hegemonia norte-americana no pós-1945 pavimentou o caminho para a criação de relações internacionais relativamente estáveis quando comparadas com a primeira metade do século passado. A estratégia em se institucionalizar a ordem permitiu que um arranjo de regimes e organizações internacionais emergisse e se consolidasse como um centro permanente de debate e negociação das diferenças entre os Estados. Mesmo nos anos de chumbo da rivalidade entre Washington e Moscou, venceu a prudência diante da tentação isolacionista. Fossem democratas, fossem republicanos, a política externa norte-americana tendeu a apoiar a ordem consolidada.

E fazia sentido. Era mais barato e eficiente valer-se da capilaridade de um sistema que contava tanto com organizações de caráter, seja regional – OEA e OTAN, por exemplo –, seja global – ONU, FMI ou OMC. Única potência com real capacidade de patrocinar a reconstrução do mundo no pós-Segunda Guerra, os Estados Unidos tinham todo o interesse em propagar valores e instituições que lhes permitissem ampliar o comércio e os fluxos financeiros alimentados pela força do dólar. Daí o suporte a valores como livre comércio, multilateralismo e integração econômica.

Ou pelo menos até Donald Trump. Desde os tempos de campanha, o então magnata se notabilizaria por um discurso crescentemente nacionalista, contrário à ordem internacional estabelecida pela pax americana. O raciocínio era claro. As elites políticas haviam ido longe demais na transferência de poder decisório para as organizações internacionais. Mais do que isso. Tratava-se de uma burocracia cara e distante do homem comum norte-americano, cada dia mais alheado do seu próprio destino. Mas há por trás desse discurso um sentimento subjacente de que a ordem internacional erigida sob liderança de Washington estaria hoje gerando mais proventos a outros países. É a velha lógica do pragmatismo realista: é preferível um baixo ganho relativo do que um elevado ganho absoluto em que prevaleça o rival.

Por mais paradoxal que isso possa parecer, Xi Jinping – o mandatário supremo da República Popular da China – foi por força das circunstâncias alçado ao posto de defensor número 1 do livre comércio e do multilateralismo. Contrariando uma longa tradição do Partido Republicano, localizado mais à direita no espectro político norte-americano, Donald Trump vencerá as eleições com um discurso fortemente protecionista. Não por acaso, o hoje presidente enfrentou uma longa batalha pela indicação do partido.

Foi uma verdadeira subversão da ordem conservadora. Valores até então tradicionais no seio do Partido Republicano foram deixados pelo caminho. Livre mercado, livre comércio, internacionalismo e ortodoxia fiscal, cada qual à sua maneira, encontraram resistência no novo ocupante da Casa Branca. Em seu lugar, assistiu-se à elevação tarifária de produtos importados, à renegociação do NAFTA e à retirada norte-americana da Parceria Transpacífica, o maior acordo comercial do século XXI. Daí até a guerra comercial com a China foi uma questão de tempo.

O forte intervencionismo comercial veio acompanhado de pouco apreço pela ortodoxia fiscal. Além da expansão do gasto militar, os robustos cortes em impostos elevaram ainda mais o déficit das contas públicas norte-americanas, atualmente próximo a 1 trilhão de dólares. A dívida pública já atinge os 22 trilhões, em um ritmo de crescimento nunca antes visto desde o final da Segunda Guerra Mundial (PEW RESEARCH, 2019B). É um cenário de deixar de pé os cabelos de qualquer conservador de mercado. A bem da verdade, em que pese a desaceleração no crescimento da economia mundial, o desemprego nos Estados Unidos atingiu a mínima histórica em 50 anos: impressionantes 3,5% (WHITE HOUSE, 2019). A despeito do abandono de um certo conservadorismo fiscal, a economia cresce moderadamente e não há nada que indique que uma recessão esteja a caminho.

No plano diplomático, menos multilateralismo e mais nacionalismo. Faz até algum sentido a preferência presidencial por negociações bilaterais em detrimento daquelas habitualmente vistas em organismos globais. Afinal de contas, a assimetria de poder norte-americano ainda hoje não pode ser rivalizada por nenhuma nação no globo. No entanto, a reorientação de Donald Trump veio acompanhada de pesadas críticas à ONU, organização síntese dos esforços humanitários em se construir uma rede de diplomacia pública e cooperação internacional. A propósito, um dos mais simbólicos atos de política externa foi a retirada do país do Acordo de Paris, o mais importante dispositivo internacional de combate às mudanças climáticas. O aceno ao isolacionismo não traz boas lembranças. O último grande período de introspecção diplomática do país fora os conturbados 20 anos de crise (1919-1939), interregno em que duas guerras mundiais devastaram o mundo.

Seja como for, será no campo da política identitária que o populismo de Donald Trump deixará uma das suas mais expressivas marcas. Sob um forte conservadorismo culturalista, o discurso político oporá nacionalistas a globalistas. Visto pela maioria até então como uma teoria da conspiração, a ideia de uma ofensiva globalista ganhou fôlego. Segundo essa narrativa, estaria em curso a expansão do marxismo cultural com o objetivo de destruir a cultura ocidental. Impossibilitado de vencer pela via ortodoxa, a esquerda teria adotado a via cultural. Lá, estaria travando uma batalha lenta e geracional através da maturação de ideais que atentariam contra a verdadeira essência ocidental, tais como o politicamente correto, o multiculturalismo e as bandeiras LGBT.

Em um truque de retórica comumente visto em populismos de esquerda e de direita, a subversão da ordem estaria sendo propiciada por uma elite antipatriótica, insensível diante dos verdadeiros interesses do povo. Em tom voluntarista, o líder a encarnar a figura de César ou Bonaparte entra em cena para salvar a pátria da perdição. O discurso político se aproxima de uma bipolaridade de fácil compreensão eleitoral: de um lado, os inimigos; do outro, os verdadeiros patriotas, quase sempre indivíduos que não ousem desafiar o cesarismo. O resultado, na maior parte das vezes, é um desapreço generalizado à diversidade e à tolerância. Chega a ser curioso imaginar um sujeito como Donald Trump como símbolo maior da restauração dos valores judaico-cristãos da grande nação estadunidense.

Na prática, essa elite globalista localiza-se majoritariamente na imprensa e na academia, alvos marcados como inimigos de esquerda. Sofrem ainda os imigrantes, elevados à qualidade de ameaça à segurança nacional. Em alguma medida, não deixa de ser um discurso de forte componente conservador: apenas um governo forte, empoderado de autoridade legítima, pode proteger a nação do inimigo e reestabelecer os ditames da lei e da ordem, ameaçadas pelos excessos dos governos anteriores.
A força da vitória de Donald Trump pôde ser sentida em todo o mundo. Para o Ocidente, ela significou mais do que uma simples mudança no campo de atuação diplomática. Foi o sinal verde de legitimação para uma mudança que se desenhava global. Não demorou muito para que se pensasse em um movimento transnacional de nacionalismos, uma espécie de internacional da direita populista. A tarefa, por mais paradoxal que pareça, coube a Steve Bannon, ícone do populismo contemporâneo que ocupara o cargo de estrategista chefe da Casa Branca. Em um mundo globalizado, as ideias se internacionalizam com assustadora velocidade. Para o bem e para o mal.

A Europa entre Donald Trump e Vladimir Putin

A Europa de hoje assiste à emergência de um mosaico crescente de partidos e governos identificados com a direita populista. Trata-se de um movimento ascendente de caráter nacionalista, eurocético e com um forte discurso anti-imigração. Em comum, o discurso soberanista clama pela imposição da lei e da ordem e pela recuperação do controle nacional sobre as fronteiras. Em sua grande parte, esposam uma retórica de afirmação das identidades nacionais diante da perspectiva de um projeto avançado de integração europeia. Tendem, portanto, ao conservadorismo cultural e demonstram reticências variadas a uma agenda progressista nos costumes.

No campo econômico, a zona do euro é vista por muitos como uma espécie de camisa de força, já que as principais decisões são tomadas pelo Banco Central Europeu. Na prática, ela demanda certo conservadorismo econômico por parte dos seus membros.

Ela impede, por exemplo, que os Estados desvalorizem a sua moeda e ampliem os gastos públicos de forma unilateral. Para muitos, trata-se de um mínimo de responsabilidade monetária. Para outros, representa a oportunidade de tecer críticas à burocracia de Bruxelas, uma elite distante dos interesses locais.

Talvez o mais sensível ponto nevrálgico seja hoje o Brexit, a tão falada saída do Reino Unido da União Europeia. Ele não é exatamente produto recente da política britânica. Apenas dois anos após ser admitida na então Comunidade Econômica Europeia, o país foi às urnas para decidir se permaneceria ou não no bloco. Votaram a favor 67%, em 1975. De lá pra cá, não foram poucos os ativistas a bradarem novamente a ideia. Entre eles, Nigel Farage, apelidado convenientemente de Mr. Brexit. Até então uma figura com pouca expressão política, o hoje líder do Partido do Brexit rapidamente cairia nas graças de Donald Trump. Digno de nota fora o convite do mandatário norte-americano para uma visita à Trump Tower, o primeiro aliado internacional, diga-se de passagem, a ser recebido pelo presidente após a vitória nas eleições de 2016. Aquele ano, a propósito, marcou o ponto alto da descrença da população com as elites do país. O contexto não era dos mais favoráveis e encontrou no discurso populista a promessa de uma saída fácil ao difícil contexto em que se encontrava inserido: baixo crescimento econômico, crise migratória, receio da islamização do país etc.

Caberá a Boris Johnson, o folclórico líder do tradicional Partido Conservador a missão de pilotar as negociações do Brexit. Curiosamente, no entanto, Boris foi sempre parte da elite a quem promete hoje combater. Formado nos prestigiosos Eton College e Oxford University, o atual primeiro-ministro já ocupou eminentes cargos políticos, tais como a prefeitura de Londres e a Secretaria de Estado. O carismático líder, no entanto, coleciona menções pouco elogiosas às minorias, sobretudo muçulmanos e a comunidade LGBT. Para além do Brexit, aposta na centralidade da pauta identitária através da defesa de um forte conservadorismo social.

No outro lado do Canal da Mancha, a escolha de Boris Johnson como primeiro-ministro foi saudada com entusiasmo por Matteo Salvini, o então ministro do interior italiano e líder da Liga, partido identificado com a extrema direita. Figura emergente no cenário político nacional, vem sendo apontado como o mais importante líder populista do Velho Continente. Durante 14 meses, manteve uma coalização parlamentar com o Movimento 5 Estrelas, partido de inclinação populista e discurso antissistema. Atualmente na oposição, Salvini lidera o partido mais popular em um país marcado por escândalos de corrupção e economia em crise.

O populismo na Itália encontrou solo fértil em um discurso que prometia combater a corrupção das velhas elites e recuperar o sentimento patriótico do povo italiano, atingido por uma sensação de impotência diante do envelhecimento demográfico e institucional. A promessa do “Italia First” veio acompanhada de um forte sentimento eurocético e anti-imigração. Em verdade, Salvini liderou uma dura cruzada contra a onda de imigrantes que aportava ao sul do país. É talvez um dos mais empedernidos conservadores nacionalistas do continente, com um discurso que é ao mesmo tempo protecionista comercialmente e defensor do corte de impostos em uma economia detentora da maior dívida proporcional da zona do euro. Midiático e popular, segue à risca a cartilha do conservadorismo cultural.

Outro nome de destaque do populismo europeu é Viktor Orbán. Primeiro-ministro de segunda viagem, lidera a Hungria desde 2010. À frente do Fidesz, partido nacional-conservador, é acusado, como muitos outros governos de extrema direita, de exibir uma postura autoritária e antidemocrática. Ao longo dos últimos 9 anos, teve êxito no empreendimento de medidas no mínimo controversas, como a limitação dos poderes da corte constitucional e a redução da pluralidade midiática. Segue o script do nacional-populismo de extrema direita: euroceticismo, duras críticas às políticas de imigração e forte conservadorismo em temas de política identitária. Curiosidades à parte, o Fidesz nascera em 1988 como um partido liberal, de tendências democrática e anticomunista. Hoje, o líder do país não esconde a sua admiração por Vladimir Putin, figura de destaque na estima de outros líderes da nova direita mundial. Não são poucas as notas de admiração emitidas por Donald Trump e Matteo Salvini ao mandatário de Moscou.

Embora Putin faça parte de uma outra geração de líderes identificados com o nacional-populismo, é visto com admiração pela nova direita. Admiração que possui algum grau de reciprocidade. E não é por acaso. A emergência dos novos líderes populistas é vista como uma fonte natural de novas parcerias internacionais a um país que se viu acuado nas últimas décadas pela expansão da União Europeia em direção ao Leste Europeu e por um ativismo norte-americano em aéreas consideradas estratégicas por Moscou. O enfraquecimento da União Europeia e um maior isolacionismo da diplomacia trumpista representam uma oportunidade de reinserção internacional daquela que fora uma das grandes potências nos últimos séculos.

No poder desde 1999, Putin encarna a figura do homem forte a reconstruir a grandeza de uma pátria ressentida pelo declínio geopolítico. Não comparte, é verdade, de algumas premissas recorrentemente vistas nos novos regimes populistas. Além de avesso a mobilizações populares, raramente é visto em tentativas de conexão com as massas. A propósito, Putin não chegou ao poder com um discurso antielite. Ele fora indicado por Boris Yeltsin, primeiro presidente democrático da história da Rússia, como o seu natural sucessor. Há 20 anos no poder, o homem forte de Moscou teve tempo o suficiente para consolidar a sua própria elite, leal à visão imperial do mandatário.

O mosaico de experimentos políticos da direita europeia é ainda mais amplo. Faça-se menção a Santiago Abascal, líder do emergente Vox, partido nacional-conservador, marcado pelo conservadorismo social e pelo forte discurso de manutenção da integridade territorial da Espanha; na Polônia, ao Partido Lei e Justiça de Mateusz Morawiecki e Jaroslaw Kaczyński; na Áustria, ao Partido da Liberdade (FPÖ) de Heinz-Christian Strache; na França, à Frente Nacional dos Le Pen. A contar pela tendência dos últimos anos, não há nada que aponte para a retração dessa lista.

Quando a Suburbana Encontra a Faria Lima: O Brasil de Jair Bolsonaro

É pouco provável que um país da importância e das dimensões do Brasil saísse ileso aos choques sistêmicos produzidos pela ressaca do capitalismo pós-2008, agravada por um crescente descontentamento com as elites dirigentes das principais democracias no mundo. As angústias diante das incertezas do capitalismo e da fadiga democrática vão encontrar terreno fértil no Brasil pós-2013. Capturado por uma forte agenda anticorrupção e por receios crescentes diante do aumento da violência urbana e da criminalidade, o país da Lava-Jato abrirá espaço para a emergência vitoriosa de Jair Bolsonaro.

O populismo vem se mostrando particularmente eficiente diante de sociedades polarizadas em que a multiplicidade de medos difusos encontra demanda por um discurso político que traga inteligibilidade imediata aos problemas nacionais. Em sociedades cada vez mais complexas, simplicidade e objetividade são ativos poderosos na corrida eleitoral, mesmo que não condigam com a prudência e a realidade dos fatos. É neste contexto que a impaciência popular abre espaço para experiências políticas vistas como impraticáveis em tempos de maior equilíbrio sociopolítico. Aqui emerge a figura carismática de um líder com linguajar popular e propostas de simples compreensão.

Tácita ou expressamente, o populista identifica os males da nação e coloca-se como o elemento capaz de consertá-la. O líder personifica a defesa do homem comum, do Brasil profundo e real diante de uma elite vista como corrupta, antipatriótica e insensível à voz das maiorias. Reproduz-se, dessa forma, a velha dicotomia retórica do bem contra o mal, criando-se uma fratura entre o nós e o eles. A romantização do “homem real” quase sempre vem acompanhada da crença em um passado idílico em que a política e suas instituições eram melhores e mais representativas do anseio popular.

Há aqui dois perigos. O primeiro diz respeito ao anacronismo em se imaginar possível a reprodução contemporânea de um passado inventado em condições históricas absolutamente distintas. O segundo é que a romantização de determinada nacionalidade opte por um viés não inclusivo, refletindo diferenças raciais, étnicas e religiosas que levem à exacerbação do preconceito e da exclusão social.

Por um lado, pode-se argumentar que o populismo opera dentro de uma lógica pouco afeita à pluralidade de valores e à diversidade de opiniões. Tende, portanto, à demagogia, ao autoritarismo e ao desrespeito das minorias. Por outro, pode-se dizer que ele é a representação mais direta da soberania popular, em um processo de valorização do homem comum perante processos políticos burocratizados e pouco sensíveis às massas.

Similarmente aos demais populismos de direita, o atual governo brasileiro esposa um forte conservadorismo cultural que, ao menos no plano retórico, cobre-se de linguajar nacionalista muito bem captado pelo bordão do “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Mas não deixa de chamar a atenção o caráter sui generis do populismo brasileiro: ao passo que nacionalista e conservador nos costumes, apresenta forte inclinação neoliberal na economia. Não por acaso, a presença de Paulo Guedes, o atual superministro da Economia, causou estranheza em Steve Bannon, um dos arquitetos do novo populismo. Em conversa com Olavo de Carvalho, a mais expressiva influência intelectual do novo governo, Bannon teria demonstrado preocupações de que o “cara de Chicago” atrapalhasse as ideias nacionalistas do então recém-eleito presidente (ESTADÃO, 2019).

De fato, as posições políticas de Jair Bolsonaro se transformaram ao longo da sua vida. De tendência estatista e nacionalista no campo econômico, vem aderindo aos pressupostos do liberalismo avançado defendidos por Paulo Guedes. Há hoje em curso uma forte agenda pró-mercado sendo pautada pelo grupo liderado pelo superministro. Oriundos do mercado financeiro, são vistos com grande desconfiança pela oposição, sobretudo no que alegam ser o desmonte do patrimônio nacional e a financeirização de serviços básicos, como saneamento, saúde e educação. Na prática, defendem uma ampla abertura econômica e a redução maciça do tamanho do estado na economia. Trata-se de agenda ambiciosa que dificilmente permanecerá intacta pelas longas avenidas do Congresso e do Judiciário.

O sucesso ou fracasso do experimento brasileiro poderá servir de laboratório para experiências similares em outros cantos do mundo. Parece estar em curso uma aliança tática entre elementos identificados com o mercado, de tendência liberal e cosmopolita com segmentos identificados com as pautas do conservadorismo cultural, de caráter religioso e saudosista do Brasil de outrora. Parte da explicação para o caso brasileiro talvez resida na configuração das forças políticas domésticas.

Como bem nota Christian Lynch, “Chegaram ao poder três conservadorismos diferentes, que não necessariamente convivem bem: o do mercado, com Paulo Guedes; o mais estatista, identificado com as Forças Armadas; e o conservadorismo culturalista do Olavo de Carvalho, dos filhos do presidente” (O GLOBO, 2019). Unidos pelo sentimento comum ao antipetismo, é, à primeira vista, uma liga de interesses conflitantes. O conservadorismo de mercado, ao passo que de inclinação neoliberal, tende ao cosmopolitismo e à defesa de uma política externa multilateral e, portanto, de participação ativa nos principais fóruns globais. São, portanto, globalistas e avessos ao nacionalismo econômico.

O pragmatismo do neoliberalismo não é avesso, no entanto, à fartura do capital chinês disponível, fundamental na consecução de uma agenda de privatizações e atração de investimentos estrangeiros. Nesse ponto se distanciam da cruzada civilizacional levada a cabo pelos conservadores culturais. Veem os chineses como parceiros em potencial em uma visão distinta daqueles que enxergam a emergência do gigante asiático como uma ameaça à civilização ocidental.

Já o conservadorismo estatista tende a enxergar o Estado como um natural veículo de modernização da economia. Historicamente, o nacional-estatismo tendeu à defesa de um arcabouço institucional centralizado e de índole nacionalista. Daí a desconfiança diante da desnacionalização dos ativos estatais e importância do discurso soberanista a proteger a integridade e a segurança nacionais. Embora atualmente em baixa nos círculos áulicos da presidência, são cautelosos quanto à privatização das grandes empresas estatais brasileiras e exibem uma preocupação constante com a defesa da integridade territorial amazônica, tema este entusiasticamente abraçado pelo presidente. No campo da política externa, são pragmáticos e defendem uma atuação externa autônoma e condizente com a tradição profissional da diplomacia brasileira.

Em resumo, ao passo que desconfiados com a agenda econômica neoliberal dos conservadores de mercado, congregam da crença comum em torno de uma relacionamento pragmático nas relações internacionais. Daí, certo pessimismo diante de ideias como a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém ou o distanciamento dos principais fóruns multilaterais. Se críticos à agenda antiglobalista dos conservadores culturais, não são exatamente avessos à retórica em torno da defesa de uma certa tradição cultural.

Os conservadores culturais, por outro lado, talvez representem a fatia eleitoral mais engajada na defesa do governo. Lutam contra o que enxergam ser a subversão nacional de uma ordem moral e cristã. Em tempos de emergência do movimento neopentecostal e da crescente identificação do papado com pautas progressistas no campo dos costumes, a tradição cultural a ser conservada deixa de ser católica e se transforma em cristã. Parte da civilização ocidental, o Brasil também seria alvo de ataques coordenados pela elite globalista. O marxismo cultural estaria vencendo uma luta espiritual contra a nação, através da imposição de uma agenda que visa à destruição da família, da religião e da nação.

Daí a crítica à pauta identitária que privilegia o multiculturalismo, o feminismo, o politicamente correto, o ambientalismo, as pautas do movimento LGBT. Ser nacionalista representa a defesa dos valores nacionais, identificados sobretudo com a religião. Inexiste, portanto, um discurso articulado de defesa a um certo nacionalismo econômico, visível durante os anos de governo militar por parte dos conservadores estatistas. Muito pelo contrário. Na medida em que esposam uma profunda admiração pelo presidente Donald Trump, “o salvador do Ocidente”, nas palavras do chanceler Enresto Araújo, são os mais entusiastas defensores de uma aliança material e espiritual com o governo de Washington (ARAUJO, 2017).

Por sintonia com o Capitólio, emergem as críticas à ONU, ao Acordo de Paris, aos regimes de direitos humanos e os receios de uma crescente islamização do Ocidente. Como se pode depreender, a figura de Trump e de seus auxiliares exerce um efeito magnético maior sobre os conservadores culturais do que sobre os de mercado. A agenda neoliberal em curso no Brasil em nada se parece com aquela praticada ao norte do continente. Para horror dos conservadores de mercado, Trump representa a face intervencionista do capitalismo. Além das constantes tentativas de intervenção no Federal Reserve, exibe uma política comercial protecionista e de pouca preocupação com a saúde fiscal do Estado. A propósito, é crescente em um dos importantes grupos de apoio do presidente norte-americano o clamor por uma maior utilização do Estado como promotor dos interesses conservadores. Como bem notou um analista recentemente, “it is fair to say economic nationalism is replacing conservatives’ past adherence to laissez-faire as an economic doctrine” (SALTER, 2019).

A despeito das diferenças entre os três conservadorismos, os conservadores de mercado vêm logrando êxito em pautar as principais ações do governo. Em parte, devido às urgências econômicas pelas quais atravessa o Estado brasileiro. Mas é preciso reconhecer que eles são possivelmente o agrupamento político mais articulado e de maior diálogo efetivo com a imprensa e com a academia. Em tempos de elevada polarização política, jaz no grupo liderado por Paulo Guedes a credibilidade e a esperança depositada pela grande mídia e pelo mercado. Goste-se ou não, trata-se hoje do campo mais propositivo do governo.

Parece-nos, portanto, possível concluir que parte considerável da governabilidade depende diretamente da capacidade de convencimento e articulação dos conservadores de mercado.

Seja como for, não há nada que indique, ao menos no curto prazo, que a preocupante tendência a polarizar os extremos chegue ao fim. Está no DNA do populismo a fratura retórica da sociedade em aliados e inimigos. A estratégia reduz propositadamente o espaço para a emergência de um centro moderado, de perspectiva pluralista e tolerante. Não por acaso, entre os grandes partidos políticos nacionais, apenas o Partido dos Trabalhadores manteve uma performance eleitoral satisfatória nas últimas eleições nacionais. Ele personifica o outro lado do binômio do medo. Alçado à condição de inimigo, o antipetismo seguirá entre nós.

O Brasil e o Mundo Pedem Socorro

A emergência da extrema direita populista é um fenômeno global. Daí não se pode depreender que ela seja o produto de sociedades autoritárias em que os resquícios do fascismo estejam aflorando do submundo oculto das massas. Antes disso. Trata-se de uma mensagem clara de insatisfação. Há um pedido de socorro em curso, um clamor por alternativas diante das frustrações causadas pela globalização excludente.

Enquanto o populismo explora o medo como ideia de futuro e o passado idílico como perspectiva de retorno, o liberalismo está perdendo a luta das ideias e a sua própria capacidade de mobilização cognitiva. A ideia de progresso não é mais auspiciosa. Ela nos remete a uma realidade futurística de dimensões distópicas. Sobre o inconsciente coletivo das democracias liberais, o futuro é a inteligência artificial com os seus algoritmos monopolísticos, a ascensão da China, a islamização da Europa, o declínio do Ocidente etc.

No Brasil, há ainda a perspectiva do desemprego em alta, a piora na qualidade de vida e a possibilidade temerária do desbaratamento da rede de cobertura social ofertada pelo Estado. Há, contudo, um grave problema de fundo a permear as angústias nacionais. Nenhuma outra nação no mundo experimentou uma desindustrialização mais vertiginosa do que a nossa.

Trata-se de fenômeno global, é verdade. As tentativas de Donald Trump pelo retorno da produção industrial ao país não são por acaso. Mas foi aqui que a participação no PIB sofreu a sua mais catastrófica queda.

O retorno ao centralismo agrário-exportador nos legará uma profunda dependência dos mercados externos, sensíveis à oscilação do preço das commodities. E o que é pior: para além de uma posição periférica no sistema global, veremos agravar a carência por empregos capazes de gerar alto valor agregado. Embora a economia global caminhe para uma sociedade de conhecimento, trata-se, ainda hoje, mais de um discurso do que de realidade generalizável. Mesmo nos países desenvolvidos, trata-se de pequenas ilhas de elevada prosperidade.

À medida que as economias migrarem para a sociedade de conhecimento, de tendência monopolística e pouco intensiva em mão de obra, as disparidades e o sentimento de inconformismo social crescerão ainda mais. É aqui que um Estado liberal, plural e inclusivo torna-se fundamental para coordenar investimentos estatal e privado, atuação de empreendedores e academia, com o objetivo de produzir avanços tecnológicos e gerar riqueza.

O desmanche do Estado e a desnacionalização da indústria nacional, embora tragam números mais aprazíveis no curto prazo, minarão a capacidade de desenvolvimento futuro ao aumentar a dependência dos mercados externos. É preciso mesmo repensar o ímpeto desnacionalizante de setores que possam representar a possibilidade de inovação e vanguardismo. Em um mundo em via de rápidas mudanças geopolíticas, é no mínimo imprudente a desnacionalização decisória sobre complexos como o energético e o de defesa. São historicamente fonte de inovação, elevada empregabilidade e vanguardismo tecnológico em nosso país. O discurso de que o capital é apátrida não resiste ao primeiro rumor de crise.

As finanças públicas precisam estar em ordem, é verdade. Mas não basta um Estado desidratado, com a crença de que o mercado fará o resto. Não fará. Ele tenderá a investir naquilo que perceber como a melhor perspectiva de retorno. Apenas o Estado poderá pensar de forma estratégica o desenvolvimento articulado no longo prazo. Daí a necessidade em conservar os mecanismos públicos de desenvolvimento, sobretudo os bancos públicos, os institutos e universidades federais e o Sistema S.

Os avanços sobre a seguridade social e os serviços básicos do Estado devem, igualmente, ser reconsiderados com cautela. Em um país continental e de vasta desigualdade social, apenas a aposta redobrada em serviços públicos de qualidade abrirá caminho para o desenvolvimento inclusivo. Talvez o enfurecimento recente das ruas de Quito, Bogotá, Londres, Barcelona, Beirute, Hong Kong, Santiago e até mesmo Bagdá e Argel possa estar mostrando aos conservadores de mercado os riscos em se avançar abruptamente sobre a rede de serviços sociais.

Em viés de descrédito, as democracias liberais sofrem o seu mais duro teste desde 1945. No auge das ansiedades contemporâneas, elas parecem lentas, caras e incapazes de lidar com a excepcionalidade. Mas foi a sua arquitetura institucional, permeada por deliberativismo, pluralismo e governo limitado que permitiu o desenvolvimento conjunto de capitalismo e democracia. Sob o signo do liberalismo democrático, prosperamos. Ainda hoje apenas a democracia liberal pode pavimentar o caminho para um futuro próspero e inclusivo. O autoritarismo é um atalho, mostra-nos a história, que costuma cobrar um elevado preço.

O autor é pesquisador e professor de Relações Internacionais do CEFET/RJ

elizeu.sousa@cefet-rj.br

 

NOTAS DE RODAPÉ

1. Embora definições de variados espectros políticos possam ser dados ao termo, algumas das características geralmente atributáveis ao populismo são: antielitismo, antipluralismo, alegação de exclusividade na representação popular, conexão direta do líder com as massas. Ver, por exemplo, MüLLER, 2016. Para uma leitura alternativa, ver LACLAU, 2005.

2. Ver, por exemplo, ZAKARIA, 2008; ACHARYA, 2014.

 

BIBLIOGRAFIA

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