A risada como capital na cultura brasileira

A risada como capital na cultura brasileira

Mirian Goldenberg, antropóloga

Bernardo Jablonski, psicólogo

 

Bêbados de riso quem dera?

 

Bernardo Jablonski era um amigo generoso e parceiro adorável de muitos projetos. Ele faleceu no dia 28 de outubro de 2011.  Três semanas antes, quando se internou para fazer mais uma operação, eu estava na PUC-Rio no Seminário “Amores de Verdade x Verdades do Amor”, organizado por ele em conjunto com a Globo Universidade. Ele seria o coordenador da mesa da qual participei, junto com Miguel Falabella e Claudio Paiva. Ele queria adiar a operação para estar lá.

A última vez em que estive com ele foi no dia 16 de setembro de 2011, quando participou da banca de Mestrado de um orientando meu, sobre poliamor. Estava bastante assustado, mas, ao mesmo tempo, acostumado com muitos anos de operações e de convivência com o câncer.

Convidou-me para escrever sobre a risada em setembro de 2010. Esteve na minha casa para discutir o artigo. Quando abri a porta, perguntei: “Como você está?” Ele respondeu: “Morrendo!”, de um jeito tão engraçado que nós dois caímos em uma gargalhada gostosa. Até o último minuto, Bernardo foi assim: engraçado, brincalhão, divertido, falando dos amores e dos milhares de projetos.

Queria fazer pós-doc comigo no IFCS-UFRJ, convidou-me para escrever um artigo sobre fama (que sinto culpa por não ter aceitado fazer, pois é um tema que não domino), tinha o projeto de fazer um livro comigo intitulado “Homens são de Morte; Mulheres são Divinas”, ou algo assim. Ele não parava nunca. Escrevia livros e artigos, dirigia peças de teatro, namorava, fazia Zorra Total, dava aulas, orientava muitos alunos e sempre tinha tempo para almoçar e estar com os amigos.

A saudade é grande. Achei que Bernardo sairia dessa operação cheio de projetos, como saiu de tantas outras. Não saiu. Publicar este texto é uma forma de manter viva e feliz a nossa parceria, mais um trabalho gostoso e fecundo, como tantos outros que tivemos nestes mais de vinte anos de amizade.

 

A risada como capital na cultura brasileira

 

“One can know a man from his laugh,

and if you like a man’s laugh before you know anything of him,

you may confidently say that he is a good man”

Fiodor Dostoievski

 

A partir das respostas que surgiram em uma pesquisa quantitativa realizada na cidade do Rio de Janeiro (Goldenberg, 2002; 2004; 2008), resolvemos fazer entrevistas em profundidade com homens e mulheres da classe média do Rio de Janeiro, para compreender o significado e a importância da risada na cultura brasileira.

Foram realizadas entrevistas com homens e mulheres de diferentes gerações: antropólogos, historiadores, administradores de empresa, economistas, engenheiros, advogados, médicos, jornalistas, psicólogos, aeromoças, humoristas, diretores de teatro, roteiristas, atores, cantores, músicos, artistas plásticos, fotógrafos, entre outros, para verificar em que momentos e por que motivos eles riem. Até o momento foram realizadas 50 entrevistas (25 homens e 25 mulheres), com roteiro semiestruturado e baseado em revisão da literatura. Para avaliação do material obtido por meio das entrevistas, foi procedida uma análise do conteúdo, como proposto por Bardin (2009). As considerações que se seguem são fruto, em grande parte, das respostas por nós obtidas desse material.

Na pesquisa realizada, 84% dos homens afirmaram que riem muito, enquanto 60% das mulheres disseram que gostariam de rir mais. Os homens afirmaram rir mais em momentos descontraídos com os amigos. Disseram que os amigos criam situações relaxadas, permitindo que sejam espontâneos e brincalhões. Eles disseram também que as mulheres reprimem esses comportamentos. Elas se sentem facilmente ofendidas e os acusam de serem infantis, irresponsáveis ou bobos. Com os amigos, eles poderiam falar bobagens sem medo de censura. Com as mulheres, disseram, o mesmo tipo de comportamento é impossível.

Já as mulheres pesquisadas disseram que suas risadas são provocadas por namorados, maridos, amigos, filhos, muito mais do que por outras mulheres. Para elas, o mais atraente em um homem é o bom humor, a simpatia, a alegria e a capacidade de fazê-las rir. Quando riem, disseram que se sentem mais bonitas, sedutoras, livres e leves.

É óbvio que muitas mulheres riem com as amigas. Mas os dados mostram que gostariam de rir mais. Elas se queixam, dizendo que estão sempre ocupadas e preocupadas com filhos, marido, casa, trabalho, aparência etc. Afirmaram que não sobra tempo, disposição ou oportunidade para se divertirem como gostariam. As mulheres não riem tanto quanto desejam também pela necessidade de provar que são sérias, responsáveis e competentes. Querem passar uma imagem pessoal e profissional de equilíbrio, confiança e maturidade. No entanto, muitas invejam a liberdade que os homens têm de brincar sem se preocupar tanto com a opinião alheia. Invejam a “leveza” deles.

As reflexões iniciais aqui apresentadas sobre o significado e a importância da risada na cultura brasileira têm como base as entrevistas em profundidade realizadas com homens e mulheres moradores da cidade do Rio de Janeiro, assim como pesquisas quantitativas em que temas relacionados à risada surgiram espontaneamente nas respostas dos pesquisados.

Pretendemos levantar algumas questões relacionadas à risada como comportamento culturalmente determinado, além de pensar em determinados espaços que valorizam ou estigmatizam a manifestação do humor. Pretendemos refletir sobre possíveis especificidades culturais da risada no Brasil. Existe algo de distintivo na risada brasileira? Na risada de homens e mulheres? Dos mais pobres e dos mais ricos?

Mais do que encontrar respostas, pretendemos levantar algumas questões e pensar livremente sobre o significado da risada em nossa cultura, e, mais particularmente, na cidade do Rio de Janeiro. Acreditamos que esta cidade é um cenário privilegiado para analisar os corpos, os valores e os comportamentos das mulheres e dos homens. Aqui há, como diria Malinowski (Goldenberg, 1997), uma verdadeira explosão de significados em uma simples observação nas ruas ou nas praias, tornando possível analisar fatos corriqueiros e aparentemente sem nenhum significado, mas que revelam muito sobre a cultura brasileira, como, por exemplo, a risada.

 

A risada na cultura brasileira

 

“Eu quero ir, minha gente, eu não sou daqui

Eu não tenho nada, quero ver Irene rir

Quero ver Irene dar sua risada

Irene ri, Irene ri, Irene

Irene ri, Irene ri, Irene

Quero ver Irene dar sua risada”

Caetano Veloso

Iniciamos com o depoimento de uma antropóloga, de 47 anos, que é interessante para pensar a importância e o significado da risada no Brasil:

“Já morei em muitos países, estou residindo há mais de dez anos no Texas. Acho que o que a cultura brasileira tem de diferente é a habilidade que possuímos de rir de nós mesmos. Isso é definitivamente cultural. Existem muitos rituais coletivos em que rimos de nós mesmos, como o carnaval, as festas juninas. Os brasileiros são capazes de rir da própria herança cultural, da pobreza, da homossexualidade, de tudo. Os rituais americanos são cheios de pompa e tradição. Os americanos jamais riem de si mesmos. Daí a praga do politicamente correto. Não se pode rir de mais nada, hoje, na América. Os brasileiros não se levam tão a sério. O americano está sempre tenso, preocupado com o que os outros vão pensar, acha-se muito importante. Precisa ser sério para provar que tem valor. O brasileiro é muito mais relaxado, ele se autoironiza o tempo todo, zomba de si mesmo. Ele não tem vergonha de ser bobo e ridículo porque o mais importante para ele é ser feliz. O brasileiro tem a habilidade de rir de si mesmo.”

A risada é um fenômeno social e cultural. Em geral, os indivíduos riem junto com outros indivíduos e são contagiados pelas risadas dos outros. Não à toa, os programas de humor de televisão fazem uso de uma claque para que o espectador em casa não se “sinta sozinho”. Raramente rimos sozinhos, a não ser que recordemos um fato engraçado ou sejamos estimulados por algum programa (de televisão, rádio, internet ou show). A risada exige uma forma especial de conexão entre os indivíduos. Ela pode ser resultado de alguma provocação jocosa ou de algo inusitado, uma surpresa.

Também existem risadas que são reações a situações tensas, difíceis ou perigosas. A risada pode servir para liberar emoções como agressividade, superioridade, raiva, tristeza ou medo. Muitos usam a risada para enfrentar situações de conflito.   Podemos sugerir que existe a “boa” risada, aquela que seria uma manifestação espontânea da alegria legítima, natural e socialmente desejada, e a risada “má”, que teria a intenção de desqualificar, excluir, humilhar ou agredir outros indivíduos.

A risada (ou a ausência dela) é uma maneira de sinalizar para o outro o desejo de proximidade ou distância, de pertencimento ou exclusão, de confiança ou desconfiança, de interesse ou desinteresse, de atenção ou desatenção, de harmonia ou conflito.

A risada é também um fenômeno que visa a perseguir o agradável, o prazeroso, e evitar o que desagrada. É uma transgressão da ordem social dentro de certos limites. É um jogo social.

O homem é considerado o único animal que ri, o que reforça a ideia de que a risada é um fenômeno social ou cultural e não algo da ordem do biológico ou natural.

Muitas pesquisas mencionam (Jablonski e Rangé, 1984), entre os principais fatores envolvidos na produção do humor, a incongruência, a surpresa, a superioridade e o alívio da tensão. Para Berger (1987), são quatro as perspectivas psicológicas que se debruçam sobre o tema: teorias psicanalíticas, da superioridade, da incongruência e as de base cognitiva. As duas primeiras enfatizam aspectos antagônicos das relações sociais entre o emissor e o alvo do humor (grupos ou objetos em um dado contexto), enquanto as duas últimas enfatizam a ironia e o fator surpresa intrínsecos ao conteúdo.

Vista sob outra perspectiva, a risada também pode ser compreendida como uma forma de interação ou de troca, que envolve três termos: dar, receber e retribuir. Os indivíduos reforçam sua solidariedade pelo riso e podem manifestar sua rejeição ao elemento estranho ao grupo também pelo riso. Ele pode reforçar a união do grupo e expulsar os indesejáveis. Pode reforçar a ordem ou subverter essa mesma ordem.

Norbert Elias (1990) mostra que o processo civilizador pode ser compreendido como um gradual treinamento visando ao autocontrole das funções fisiológicas tidas como involuntárias, como os gases corporais, as necessidades excretoras e, também, a risada. A tolerância para com essas reações corporais espontâneas e incontroláveis se tornou, ao longo dos séculos, cada vez menor. Com a introjeção dos valores “civilizados”, os comportamentos de arrotar, urinar em público, comer com as mãos e gargalhar se tornaram indesejados. Até mesmo a simples menção dessas atitudes se tornou desagradável e ofensiva. A risada passou a ser entendida como um descontrole sobre o próprio corpo e também como um signo de não “civilidade” ou falta de educação.

Essa ideia de mais ou menos “civilidade”, relacionada à risada, surgiu em um depoimento de uma doutoranda em ciências sociais, de 28 anos:

“Você já reparou que as mulheres ricas são todas bege dos pés à cabeça? As pobres são coloridas, exuberantes, exibem o corpo em decotes e minissaias, cabelos compridos, alisados e tingidos, unhas e batons vermelhos. As ricas são contidas, neutras, discretas, apagadas. As pobres são hipervisíveis, as ricas querem ser invisíveis. As pobres estão sempre gargalhando, e suas risadas são livres e gostosas. As ricas acham que não podem rir porque têm medo de criar rugas nos olhos e na boca. Já reparou como elas dão aqueles risinhos forçados com a boca fechada enquanto as pobres mostram todos os dentes, até as obturações?”

Com relação às distinções de classe social, há que se reconhecer que as pesquisas sobre o tema não têm recebido atenção por parte dos estudiosos. Especula-se que, pelo fato de sujeitos de classes mais carentes abordarem mais livremente assuntos tabus, é possível que isso tenha afastado do tópico os pesquisadores de classe média.

Para Attardo (2010), o humor das classes trabalhadoras representa os valores da categoria e são antagônicos aos de classe média. Esse tipo de humor raramente se apresenta nos grandes veículos de comunicação de massa, pois colidiria com os padrões de decoro, atitudes e ideologia desposados pela classe média, esta sim bem representada em tais veículos. Para este autor, o humor (negativamente) agressivo, homofóbico, escatológico e por vezes abertamente sexual e obsceno, típico das classes menos abastadas, iria frontalmente de encontro aos cânones dos ideais das classes média e alta. Não se trata, evidentemente, de um humor melhor ou pior, mas de um humor simplesmente diferente. Os distintos processos de socialização de indivíduos da classe trabalhadora é que os levariam a esse tipo de humor, mais eivado de temas obscenos, escatológicos, agressivos e muito pouco politicamente corretos.

Jeudy (1993) mostra que o riso coletivo é muitas vezes julgado como primitivo por significar um retorno a expressões imediatas do organismo, aquém da linguagem verbal. O racionalismo contemporâneo veria no riso a expressão do insensato, do regressivo e do primitivo.

Segundo os estudos já realizados, parece não existir nenhuma cultura em que o senso de humor esteja ausente por completo. Diferentes culturas, é claro, riem de coisas distintas: os chineses têm no relacionamento social o alvo maior de suas piadas. No Ocidente, conforme Freud (1980) já indicara, sexo e agressão permeiam a maior parte das piadas. Em grupamentos africanos tribais – como os nyanja, os makus, os amuzgo, entre outros – o ambiente físico imediato é a grande fonte do humor (Shultz, 1976).

A ideia de que a risada tem uma função de libertação da energia reprimida pelas proibições sociais oriundas do processo civilizador está presente em inúmeros autores, particularmente em textos de Sigmund Freud. A risada causaria alívio, já que a energia reprimida em razão de diferentes situações e contextos sociais seria liberada espontaneamente provocando uma sensação de prazer.

 

A leveza da risada

 

“Sem lenço, sem documento

Nada no bolso ou nas mãos

Eu quero seguir vivendo, amor

Eu vou…

Por que não, por que não…

Alegria, Alegria”

Caetano Veloso

 

Quando perguntamos para os homens da classe média do Rio de Janeiro que pesquisamos: “Existe alguma mulher inesquecível na sua vida?”, tivemos muitas respostas do tipo: “Minha esposa, ela me faz rir todos os dias”; “Minha namorada, ela é muito divertida e alegre”. “A mulher mais importante da minha vida foi uma ex-namorada. A risada dela é inesquecível. Morro de saudades.”

A mulher inesquecível não é necessariamente bonita, jovem, “gostosa” ou “boa de cama”, dizem.  Outros capitais parecem ser muito mais importantes para uma mulher se tornar inesquecível: a capacidade de fazer rir ou de rir de si mesma é muito mais importante para eles do que o corpo.

Para as mulheres também. É só abrir uma das inúmeras revistas femininas e ler os depoimentos de mulheres famosas sobre os seus namorados e maridos com “os olhos brilhando”: “Ele me faz rir.”

Nos depoimentos para a pesquisa há uma expectativa de que os homens e as mulheres sejam mais delicados, atenciosos, disponíveis, carinhosos, fiéis. E, também, que os façam rir e se divertir. Eles valorizam, cada vez mais, aqueles que sabem rir e fazer rir, como mostra o depoimento de um músico, de 40 anos:

“Eu gosto de rir de bobeira. Meus amigos falam tanta bobagem. Estamos sempre juntos, rindo. Rimos fácil, rimos de nada e por nada. As mulheres se acham muito, levam-se muito mais a sério do que os homens. Como elas não liberam o riso, não liberam o sexo. Não tem sensação melhor do que dar uma gargalhada. Como você agrada o seu emocional? Rindo muito. Como uma mulher me agrada: fazendo-me rir e rindo muito. A capacidade de rir e de fazer rir é a arma mais sedutora. Isso torna uma mulher inesquecível.”

Um pesquisado de 38 anos, jornalista, relatou seus problemas com a namorada:

“Acho minha namorada linda. Acho até engraçado quando ela tenta me mostrar que tem celulite, estria. Eu não consigo enxergar nada. O mais estranho é que ela não só quer que eu enxergue como quer que eu ache feio. Ela insiste tanto que eu vou acabar achando feio mesmo. Ela poderia aprender a rir de suas obsessões. Seria muito mais sedutor. Uma risada gostosa dá muito mais tesão do que um corpo perfeito. Eu associo humor com inteligência. Uma mulher que não sabe rir de seus problemas eu acho muito burra, perco o tesão.”

Um fotógrafo de 54 anos disse que o que mais o atrai em uma mulher é a risada:

“Dá para fazer a leitura da vida da mulher pelas rugas. Se ela foi amargurada, a boca fica caída. Não importa a quantidade, mas a qualidade das rugas. Uma mulher é linda quando esculpe suas rugas com risadas. Como uma mulher me agrada? Rindo muito e me fazendo rir. É melhor até do que sexo.”

 

A risada como capital

 

“O humor nos permite ver o irracional através do racional. Reforça nosso instinto de conservação e preserva nossa saúde mental. Graças ao humor, as dificuldades da vida se tornam mais leves.

E mais, o humor desenvolve nosso senso de medida e nos revela o absurdo que nos rodeia, tantas vezes travestido de pretensa gravidade”

Charles Chaplin

 

Uma médica de 53 anos disse que é por meio da risada que ela está descobrindo quem ela é de verdade, do que ela gosta, o que a faz feliz:

“Sabe uma coisa que descobri tarde demais? A gente passa a vida inteira tentando agradar ao outro: os filhos, o marido, os amigos. Só agora, depois de velha, descobri que tenho de aprender a agradar a mim mesma. Passei a vida inteira dependendo do olhar e da aprovação dos homens. Nunca fui realmente feliz e sempre me senti muito só. Estou tentando descobrir o que me faz feliz, as coisas que me fazem rir, como vou viver os poucos anos que me restam de uma forma realmente satisfatória. Estou tendo que aprender tudo de novo, descobrir quem eu sou, descobrir o que eu gosto. As coisas que me fazem rir me mostram o caminho que devo seguir daqui por diante.”

O depoimento de uma professora aposentada de 65 anos nos fez pensar sobre os lugares em que a risada é valorizada e outros, onde ela é desvalorizada ou até estigmatizada. Ela disse que apenas após se aposentar descobriu o valor da risada em sua vida, pois o meio acadêmico censurava qualquer tipo de manifestação de alegria ou felicidade, especialmente a risada. Ela afirmou que hoje se sente livre para escolher quem entra e quem sai de sua vida e que o seu principal critério de julgamento é a capacidade de rir junto com a pessoa.

“Percebi, depois de velha, que as pessoas que não sabem rir sugam a minha energia, fazem-me muito mal. O mundo acadêmico é um mundo de gente que não sabe rir. Eu chegava para dar aulas e tinha de fingir que estava triste, pois chegar feliz pegava mal, era um verdadeiro estigma. Eu sempre fingia que estava com um problema gravíssimo, fazia a cara mais infeliz do mundo. Quando me aposentei foi a minha verdadeira libertação. Não quero mais essas pessoas na minha vida.”

Outro depoimento, de um aluno de doutorado em ciências sociais, reforça essa ideia, acrescentando outro elemento para a discussão: a diferença entre aquele que faz rir e o que ri.

“Todos os meus professores são extremamente sérios. Na graduação eu ainda podia rir um pouco, com os colegas. No mestrado, meu riso diminuiu e agora ele desapareceu. Parece que aquele que ri, no mundo acadêmico, é um idiota. Na graduação, tive um ou dois professores excelentes, extremamente dedicados e inteligentes, que usavam o humor para prender a nossa atenção. E funcionava muito bem. Agora sou obrigado a participar de aulas muito chatas, ler textos chatos e também me comportar como um chato. Ser acadêmico é viver de cara fechada e falar um monte de frases que ninguém entende. Só assim nos levam a sério”.

É interessante a associação que é feita entre seriedade, respeito e falta de humor, de um lado, e atenção, inteligência e humor, de outro. Aquele que faz rir é considerado mais inteligente do que os outros indivíduos. No entanto, o riso parece estar proibido no meio acadêmico. Aquele que ri muito é visto como tolo, estúpido, superficial, inferior. Se, de um lado, parece existir o reconhecimento da superioridade daquele que produz o riso, aquele que dá uma risada ou, ainda pior, uma gargalhada, pode ser considerado inferior.

Há um aspecto instigante nesse processo: o produtor do riso é reconhecido como superior por fazer algo considerado elaborado por meio da inteligência (mas ele próprio não ri). Aquele que ri muito do que este produziu pode ser visto como inferior e até estigmatizado como tolo, idiota, simplório. O mecanismo de distinção (Bourdieu, 2007) funciona para aquele que produz o riso, não para aquele que ri. Do lado de quem produz, existe algo de intelectual, cultural, superior. Do lado de quem recebe, algo visto como espontâneo, instintivo, natural. Percebe-se, assim, uma espécie de oposição entre cultura e natureza. Quanto mais sofisticado é o humor daquele que produz, mais superioridade lhe é atribuída. Quanto mais espontânea é a risada ou gargalhada, mais inferioridade em seu comportamento. Ou, ainda, poderíamos ver algo como “mais civilizado” e “menos civilizado”, se recorrermos às ideias de Norbert Elias (1990).

Se, de um lado, o riso pode ser associado à inferioridade, à superficialidade, à falta de civilidade e de juízo, por outro, o riso pode ser associado a aspectos culturalmente bastante valorizados, como leveza, saúde, felicidade, simpatia, comunicação. Nesse sentido o riso é uma forma privilegiada de comunicação, de aproximação, que simbolicamente representa leveza. Em oposição às pessoas pesadas, sérias, que se levam demasiadamente a sério, mal-humoradas etc., aquele que provoca o riso, aquele que ri, é considerado leve. Como pode ser visto no depoimento de uma pesquisada, ser pesada, séria, mal-humorada, são categorias de acusação, em oposição ao que é considerado leve, agradável, prazeroso, sedutor.

“Não aguento mais ouvir meu marido dar exemplos de mulheres que são leves. Mulheres que gostam de rir e que sabem fazer os outros rirem. Mulheres que brincam de si mesmas, que não se levam tão a sério. Que têm prazer com a vida. Que sabem se divertir. Que são alegres, brincalhonas, agradáveis. Ele sempre diz que sou muito preocupada, tensa, estressada, intensa. Por que essa obrigação das mulheres de serem leves? Leves de quê? De corpo? De comportamento? De personalidade? Ele vive me acusando de ser difícil, complicada, controladora, exigente, e elogiando as mulheres leves, alegres, divertidas, agradáveis. O que isso quer dizer exatamente?”

Uma das possíveis interpretações da valorização de quem provoca a risada e da desvalorização de quem ri é a associação com a atividade e a passividade. Provocar a risada é um comportamento ativo, que exige elaboração de uma piada, interpretação de um ato ou outras atitudes que exigem, em muitos casos, inteligência, raciocínio, sofisticação, rapidez etc. Já rir de uma piada ou de um comportamento é uma reação, em muitos casos passiva, uma mera resposta ao comportamento do outro. Aquele que é ativo é o que domina a relação, o polo valorizado. O passivo, o que recebe, é o dominado, desvalorizado.

No entanto, no caso, a atitude passiva é a daquele que pode ter prazer e não tem de se esforçar para isso. Inserido nesse contexto, pode dar um novo significado à expressão popular: “relaxa e goza”, mostrando que o segredo do prazer estaria em apenas receber o que o outro está oferecendo. No caso da risada, a produção do humor estaria do lado ativo. O passivo deveria apenas relaxar e rir.

Outro elemento que poderia ser interpretado dentro da mesma lógica de dominação (Bourdieu, 1999) é que aquele que provoca a risada é o que “chama a atenção”, “prende a atenção”, “domina o ambiente”. O outro, o que ri, é capturado pela graça do outro, concentra sua atenção no outro, esquece os demais e até mesmo os próprios problemas, absorvido e “totalmente dominado” pelo comportamento de quem provoca a risada. O que ri “se deixa levar”.

Muitos pesquisadores (McGhee, 1976; Leventhal e Cupchik, 1976; Castell e Goldstein,1976) têm observado que contar piadas é basicamente uma atividade masculina. Já as mulheres suplantam os homens quando o que se objetiva é criar um ambiente afetivo socialmente positivo com relações mais harmoniosas entre seus integrantes.

A ideia de que essa situação reflita tão somente uma situação socioestrutural de iniquidade, em termos de status e poder, pode ser comprovada pelo fato de que, a partir dos anos 70, pari passu com o movimento de emancipação feminina, o número de comediantes do sexo feminino tenha aumentado significativamente (Goldstein, 1980).

 

Risadas íntimas

 

“Divertir os outros…

Um dos modos mais emocionantes de existir”

Clarice Lispector

 

Com relação ao riso e à intimidade, alguns dos homens por nós pesquisados disseram que, quando estão com problemas no trabalho ou com a mulher, desabafam com amigos que dizem: “vamos beber”. Consideram que assim conseguem esquecer o problema que, efetivamente, passa. Eles querem passar momentos agradáveis com os amigos, rir de bobagens, brincar uns com os outros. A risada, para eles, é uma forma de intimidade.

Já para as mulheres, a intimidade parece estar relacionada a um jeito de falar sobre si e de ser escutada pelo outro. É um tipo de entrega singular, em que existe aceitação, respeito, troca, apoio, confiança e a capacidade de rir de si mesmo e do outro.

Em um depoimento, uma viúva de 68 anos disse que está muito feliz, pois namora um homem comprometido e bem mais jovem do que ela. Ele tem 40 anos e é casado com uma mulher de 32. Ela contou que eles se encontram quase todos os dias da semana, sempre na hora do almoço.

“Ele diz que está comigo porque sou carinhosa, compreensiva, alegre, brincalhona. Ele me chama de sweetheart. Eu adoro! Reclama que a mulher dele é muito mandona, briga muito, exige demais. Ele morre de medo dela. Sabe como ele chama a mulher? Madame Min, bruxa, megera. Ele sente falta de carinho, quer alguém que cuide dele, que o admire, que o faça rir, que ria das brincadeiras bobas que ele gosta de fazer. Nós dois rimos muito quando estamos juntos. Coisa que ele não consegue fazer com a mulher, que está sempre reclamando de tudo.”

A intimidade parece estar associada a uma forma mais profunda de comunicação, de conversa, de diálogo, de escuta; e também a um tipo especial de entrega emocional e amorosa que permite que um ria com o outro, ria do outro e de si mesmo. A risada é, também, uma forma de comunicação íntima. (Goldenberg, 2010).

Uma das mulheres entrevistadas, casada, relaciona-se, há quase um ano, com um homem que conheceu na internet. Falam-se todos os dias, algumas vezes chegam a conversar mais de seis horas, durante a madrugada. Ela disse que o amante lhe faz rir muito, coisa que não existe no seu casamento.

“Meu marido não sabe rir. Vamos ao cinema e ele não dá uma só risada. Ele está sempre me criticando, não consegue relaxar. Com meu amante posso falar bobagens sem medo, posso ser eu mesma. E algumas vezes ficamos horas e horas só brincando um com o outro, só pelo prazer de rir juntos. Não é o sexo o mais importante para mim. São as nossas risadas.”

Para essa mulher, a internet se tornou um espaço privilegiado para encontrar aquilo que deseja e que ela não encontra no mundo “real”: risadas gostosas e intimidade. A “realidade” da internet permite, para ela, uma experiência importante que ela não encontra no mundo “real”.

Outro depoimento, de um engenheiro, mostra mais uma vez a relação entre risada e intimidade.

“Minha mulher tem um amigo de muitos anos. Eu tenho muito ciúmes deles dois, pois o tempo todo eles riem muito. Ela chora de rir com ele. Comigo isso nunca acontece. Tento fazer graça, contar piadas, e ela não acha a menor graça de mim. Com ele, basta eles se encontrarem, ela fica diferente, ri o tempo todo. É como se eles tivessem uma relação muito mais íntima do que eu tenho com ela, como se compartilhassem algo que é só deles e de mais ninguém. Fico pê da vida e acabo brigando com ela, pois é como se ela estivesse me traindo cada vez que dá uma gargalhada com ele.”

A risada, nos depoimentos, aparece como uma chave para a intimidade, a proximidade, o contato físico e emocional. Ela é um meio de comunicação, uma linguagem íntima, um verdadeiro prazer físico e mental.

É interessante, nesse depoimento, o fato de ele se sentir ignorado, rejeitado, excluído da relação de intimidade entre os dois amigos. Ele quer a atenção da esposa, mas não consegue, pois não provoca a sua risada. Ele não se sente digno do reconhecimento, pois não é engraçado. A risada entre amigos, da qual ele não participa, é ameaçadora para a sua autoconfiança. Ele se sente humilhado pela risada dos dois.

Existe uma forma de reciprocidade entre os dois amigos que impede que ele participe. Ele está excluído dessa forma de interação. Ele é ignorado, sente-se invisível.

Pode-se pensar que a risada é também uma forma de reconhecimento individual e social. No caso, ele não se sente reconhecido, não se sente pertencendo a essa relação íntima, prazerosa, compartilhada. Há um tipo de comunicação íntima entre os dois amigos da qual ele se sente completamente excluído. Há também uma certa ideia de superioridade daquele que pertence a esse tipo de comunicação íntima e de inferioridade daquele que é excluído dela. Rir e fazer rir é uma forma de poder simbólico. Aquele que não ri ou não faz rir pode se tornar invisível socialmente.

Por último, é impossível não perceber a conotação sexual que esse homem dá à risada e à relação de intimidade ao dizer que “é como se ela estivesse me traindo cada vez que dá uma gargalhada com ele”. Em vários depoimentos apareceu essa mesma associação, em que os entrevistados dizem que o prazer da risada é melhor do que o prazer do sexo, ou que dar risada é mais prazeroso e dá menos trabalho do que fazer sexo.

Uma jornalista, de 27 anos, disse:

“Eu prefiro mil vezes rir a transar. Para transar, tenho que estar arrumada, com lingerie sexy, depilada, cheirosa, fazer caras e bocas… Acertar e fazer o que o outro gosta. Ensinar o que você gosta. Transar dá muito trabalho. É tudo muito ritualizado. Para rir basta uma boa companhia, uma piada e zombar de si mesmo. É muito mais fácil e não tem como errar. É uma questão de custo/benefício.”

 

Rir com ou rir de?

 

“Casei-me com o riso,

cujo som é o mais civilizado do universo”

Peter Ustinov

 

Os entrevistados falam da importância de “rir com o outro” muito mais do que “rir do outro”. Ao falar da importância de “rir com o outro” os pesquisados também falam que a risada é contagiosa. Ouvir ou ver uma pessoa rir faz com que o outro também ria, sem mesmo ter algum motivo. O contágio da risada é percebido como muito positivo, porque se ri também da risada, e não apenas de alguma piada ou comportamento. “Rir da risada” é um dos prazeres mais citados pelos pesquisados. Existiria ainda uma hierarquia das risadas: “rir com” seria mais valorizado do que o “rir de”. E o “rir de si mesmo” seria mais importante do que o “rir do outro”.

Todos os entrevistados afirmaram que gostam de rir e muitos gostariam de rir muito mais. Reclamam daqueles que não sabem rir e dos que não permitem que eles riam mais. Sentem-se perdendo algo importante da vida por não conseguirem rir facilmente e dizem sentir inveja daqueles que riem espontaneamente, sem motivo. A risada é fonte de prazer e, portanto, desejada tanto por aqueles que riem muito quanto por aqueles que não conseguem rir tanto.

A pessoa não precisa ser engraçada para provocar o riso. A situação é que deve ser relaxada, íntima, segura, prazerosa para que um e outro riam juntos. No amor e na amizade, a risada íntima, a risada compartilhada, é um comportamento valorizado e extremamente desejado. É um verdadeiro capital.

Como disse uma jornalista, de 27 anos:

“Sabe aquela música do Tim Maia? ‘A semana inteira fiquei esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando, quando a gente ama não pensa em dinheiro, só se quer amar… Não quero dinheiro, quero amor sincero… eu só quero amar…’ Eu sou assim: não quero dinheiro, só quero amar e dar muita risada. É a coisa mais importante da minha vida: o amor, os amigos e muita risada. Por isso só quero ao meu lado quem me faça rir muito. É a maior riqueza da minha vida.”

Uma aeromoça, de 45 anos, diz que cada vez que ri ela sente que rejuvenesce cinco anos, que libera endorfina, que faz uma verdadeira ginástica no rosto, no corpo e na mente. Diz também que a risada é ainda mais importante do que o sexo. Para ela, a risada significa liberdade, prazer e saúde física e mental. Diz que cada risada é uma verdadeira terapia.

“Eu acho graça de tudo, gosto muito de rir de mim mesma. Eu faço muita piada de mim. Sou desastrada, levo tombo, falo bobagem. Tenho um amigo que me faz chorar de rir, faço até xixi na calça de tanto rir. Quando eu rio de gargalhar eu sinto que rejuvenesço cinco anos. Dou uma gargalhada e vou para os 45 anos. Botox não deixa rir. É uma estupidez. Eu fico com ruga, mas fico feliz. Para mim, rir é uma terapia. E o melhor: é de graça. A graça é uma graça de graça!”

Ainda com relação às diferenças de gênero, o humor, bem como determinados comportamentos e ideias associados à alegria e à simpatia, também foram abordados em uma pesquisa coordenada por Goldenberg a partir de questionários aplicados em 835 mulheres e 444 homens da classe média do Rio de Janeiro entre 1998 e 2008 (Goldenberg, 2002; 2004; 2008).

Nesse estudo o bom humor foi muito valorizado, tanto por homens como mulheres, constituindo-se como o segundo fator mais importante entre as qualidades que uma mulher deve possuir (simpatia foi o item mais indicado). Quando referido aos homens, o bom humor foi avaliado em primeiro lugar pelas mulheres como a principal qualidade que eles deveriam possuir. Para os homens esse item só perdeu – e por muito pouco – para a simpatia. O inverso dessa questão, com o foco nos maiores defeitos de um homem, o mau humor foi a característica mais citada pelos entrevistados de ambos os sexos.

Da mesma forma, a atração sexual teve no sorriso, no bom humor e na alegria uma valorização significativa, tanto por homens quanto pelas mulheres. A admiração – item importante na manutenção dos vínculos afetivos – também incluiu o bom humor entre seus ingredientes capitais. Nas demais avaliações, relativas à inveja de traços de personalidade, qualidades de parceiro amoroso, qualidades que gostaria de possuir, entre outras, o sorriso e o bom humor mostraram-se muito importantes para os pesquisados.

Tais avaliações encontram eco em outro estudo levado a cabo por Goldenberg (2008), acerca do tema “Corpo, envelhecimento e felicidade”, no qual “ficar ranzinza” e “perder a alegria” associaram-se ao lado negativo do envelhecimento. Inversamente, o envelhecer bem estaria ligado à manutenção da alegria e do bom humor acima de tudo. Uma das entrevistadas de mais de 60 anos foi bem explícita quanto ao valor da risada ao ser indagada sobre os cuidados para não se envelhecer: “Para não envelhecer eu sou feliz, dou risada.”

Em suma, esses estudos revelaram uma forte associação, tanto entre os mais jovens quanto os mais velhos, os homens e as mulheres, entre a risada, a felicidade e a qualidade de vida.

 

Considerações finais

 

“Uma coisa eu sei, porém – aprendi-a, certa vez, de ti mesmo, ó Zaratustra: quem quer matar do modo mais cabal, esse ri.

‘Não com a ira, se mata, mas com o riso’ – assim falaste tu um dia”

Nietzsche

 

Ao analisar o material coletado até o momento é possível ressaltar algumas respostas interessantes. Todos os pesquisados consideraram a risada um comportamento desejável, prazeroso, espontâneo, saudável, positivo e comunicativo. A maior parte dos pesquisados reportou que gostaria de rir mais em suas vidas. Quanto ao aspecto social, a risada compartilhada foi considerada a risada mais valorizada e o rir de si mesmo foi avaliado como mais prazeroso do que o rir dos outros.

No âmbito das relações afetivas uma situação íntima e relaxada foi avaliada como mais importante do que o conteúdo para provocar a risada. A risada foi considerada também como muito importante na sedução – apesar de na hora do sexo ela poder atrapalhar: para muitos pesquisados o ato sexual é sério e exige concentração.

“Fazer rir” e “rir com” é uma forma de reconhecimento individual e social, embora existam lugares em que a risada é proibida ou pelo menos não desejável. E, segundo alguns dos pesquisados, existiria uma linha muito tênue que separa aquilo que faz rir daquilo que ofende. Não é o conteúdo do que é dito que pode ser ofensivo, e sim o tipo de relação que existe entre aquele que diz e aquele que é o alvo da piada. O mesmo conteúdo pode provocar uma gargalhada ou ser ofensivo, desrespeitoso, dependendo da relação que existe entre o produtor e o receptor.

Além disso, a risada foi considerada um tipo de prevenção contra o envelhecimento físico e mental. Outras características detectadas disseram respeito à avaliação da risada como algo “leve”. Quem ri e quem faz ri foram considerados indivíduos “leves”, em oposição aos indivíduos mal-humorados, negativos, pesados e sérios. Observamos também a opinião bastante compartilhada de que fazer rir é uma demonstração de inteligência, sendo o “contágio” da risada algo visto como muito positivo e desejado.

Para homens e mulheres, a risada é uma arma poderosa e irresistível na sedução. Pode-se dizer que a risada é um importante capital no mercado das relações amorosas. E o melhor: é de graça.

miriangoldenberg@uol.com.br

A articulista é professora do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Bernardo Jablonski era professor da PUC-Rio e faleceu em outubro de 2011.

 

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