A esquerda está viva & passa muito bem

A esquerda está viva & passa muito bem

Depoimento a Luiz Cesar Faro e Claudio Fernandez

Gerson

Os mestres do mestre

Eu não me considero tão inteligente assim. Eu acho, sim, que sou um privilegiado. Tá certo? Graças a Deus eu pedi e abusei do pedido. Eu fui carimbado. O sujeito diz assim: “Eu vou ser advogado”. Vai. Estuda e vai ser advogado. “Eu vou ser engenheiro… professor”. Estuda e vai ser. Agora, ele diz “Eu vou ser jogador de futebol…”. Não basta!. “Eu vou ser pintor…” Não basta! Isso é dom. A pessoa traz e vai aperfeiçoando. Eu, repito, fui um privilegiado dentro do futebol porque tive três mestres: Didi, Zizinho e Jair da Rosa Pinto. Ninguém teve o melhor do futebol brasileiro. Ninguém. Eu ainda joguei ao lado do Didi, quase no final da carreira dele. Não joguei com Zizinho nem com Jair da Rosa Pinto. Mas vi jogar e conversava muito com eles. Eu perguntava a eles: “Como é que eu faço? Por que é assim? Por que não é assim?” Então ao pouquinho que eu sabia eu ia acrescentando o muito que eles sabiam e fui guardando aquilo tudo. E botava dentro do campo para funcionar. Lembro de um episódio durante uma excursão do Botafogo em El Salvador. O Didi estava se despedindo do futebol. Em uma partida enfrentamos o checo Masopust, um brilhante jogador de meio do campo. Antes do jogo, o Didi virou pra mim e falou assim: “Você conhece o cara?” Eu respondi: “Eu conheço de nome, né? Já vi várias vezes jogar, mas…” No que o mestre Didi emendou: “É velho para caramba, mas de uma inteligência fora do comum. Então, deixa ele jogar. Ele faz lá o dele e nós vamos fazer o nosso aqui porque ele também com a idade que tem não vai marcar a gente. Principalmente você”. À época, eu tinha 23 anos. Ele queria menos; eu, jovem, queria mais. Numa bela hora, o goleiro jogou a bola para o Masopust no meio do campo. O Didi, rapidamente, falou: “Vamos embora. Vamos tomar essa bola. “Tá bom”. O Didi foi de um lado e eu do outro. Só que eu fui mais afoito, por ser mais jovem, mais rápido. O Masopust, mais esperto, foi atrasando a passada para deixar a jogada para mim. Se sobrar alguma coisa, ele pega. Se não sobrar nada, ele também não passa por bobalhão, como eu passaria. Quando me aproximei, ele pressentiu que eu estava chegando. O que que ele fez? Dominou a bola no peito. Quando ela caiu, ele deu um bate pronto, me encobriu, dominou mais pra frente novamente no peito e foi embora com ela. E eu fiquei com uma vergonha. E para voltar para o meu campo? O Didi só olhou para mim com quem diz: “Não avisei?” Nunca mais eu fui afoito numa jogada. Essa juventude que está aí hoje não sabe isso porque não tem com quem aprender. O Didi também me dizia o seguinte: “Por que você vai buscar o cara lá na intermediaria dele? Para ele te driblar e você ter que vir correndo atrás dele? Marcador que corre atrás não está bem colocado. “Então, ele não tem que vir pra esse gol? Ele não tem que fazer gol aqui? Tem. “Ele vai ter de passar por aqui para fazer gol. Ele não pode sair do estádio”. Quando ele passar, eu estou aqui. Quer dizer, são teorias, né? Na teoria, tudo parece inteligente. É preciso aplicá-las na prática.

 

Ourivesaria

Pelo tanto que eu conversava com Didi, Zizinho e Jair da Rosa Pinto, eu procurei trazer um misto de cada um para o meu jogo. Todos os três ajudaram a burilar o meu estilo. Às vezes, terminava o primeiro tempo de uma partida e um deles, vejam só que privilégio, vinha no vestiário conversar comigo. Conversar é modo de falar, tá certo? “Xi, tá ficando maluco? Tá desaprendendo ou o quê? Tá errado isso, cara. Não vai por aqui pela direita. Fica aqui no meio. Você prestou atenção no cara ali? O cara tá saindo dali e indo pela direita. É ali que você tem que ir. Ficou burro?” Um deles quase sempre estava por perto. Nós éramos muito amigos. O Zizinho, por exemplo, já era amigo do meu pai. Eles jogaram juntos lá em Niterói. Quer dizer, então eu tenho uma certa influência deles e é aquilo que eu fui carimbado. Entre os treinadores, eu destaco o Fleitas Solich, técnico do Flamengo quando eu era menino. Teve ainda o Modesto Bria, o Newton Canegal, que foram meus treinadores no juvenil do Flamengo. Mas talvez o mais inteligente dos técnicos com quem trabalhei tenha sido o Zagallo. Ele já trazia a inteligência tática que demonstrava como jogador. Depois, como treinador, ele costumava montar esquemas com um punhado de variações.

 

Tática vs. técnica

Não tenho dúvidas de que o futebol de antigamente era muito mais cerebral do que o de hoje. Atualmente, fala-se muito em tática, esquema, o treinador ganhou uma importância que não tinha etc. e tal. Mas a tática não é a inteligência do jogo. A inteligência é e sempre será o jogador. A tática é complemento. Ela até pode neutralizar o craque, mas é muito mais fácil o craque, com o seu talento, desmontar a tática. Então, o esquema tem de ser criado de acordo com o jogador. Às vezes, o técnico tem um atleta talentoso, mas lento. E outro mais ou menos, tá certo, mas rápido. Então, a missão dele é unir as duas coisas e fazer os dois jogares, com o cérebro de um e as pernas do outro. Então, eu vou correr menos e ele vai correr talvez menos do que ele está acostumado, porque a bola vai chegar aonde tem que chegar. Só aqueles metros pra encontrar a bola e fazer o gol. Ou não. Então, uma coisa completa a outra, dentro de um esquema tático. Mas o esquema tático só funciona se eu, o jogador, funcionar. Do contrário, esquece. Por exemplo: na Copa do Mundo de 70 , tinha o Montero Castillo, do Uruguai, que me marcava e não me deixava jogar. E eu fazia parte de uma engrenagem. Eu escutava o treinador uruguaio gritar. “Pega o Gerson, não deixa jogar.” E eu realmente não estava jogando. E eu tinha de jogar porque eu tinha um pedaço, uma fração daquele esquema que dependia de mim. Outro jogador não podia fazer por mim, porque já tinha o dele. Aí, lá pelas tantas eu falei com o Clodoaldo. “Clodoaldo, não tô conseguindo jogar cara, tá certo? Então, faz uma coisa. Vai você e me deixa aqui. Você faz o meu e eu faço o seu. Quando ele (Montero Castillo) perceber que já não sou eu o principal, ele vai com você. E aí, quando você sentir que ele tá, você traz ele, aí eu vou. E, então, vamos saber aonde ele vai… Se ele fica comigo ou contigo. Isso é problema dele, não nosso”. E o treinador do Uruguai começou a gritar no banco que o cara não era mais eu, era o Clodoaldo. Ele não era bobo. Ele começou, percebeu e mudou a marcação. E o Clodoaldo começou a arrastá-lo com ele. E aí, de repente, eu ia e o cara tinha que mudar e me acompanhar. Ficamos nisso durante um bom tempo. Numa dessas, ele não foi. O Clodoaldo foi. E fez o gol. Tostão abriu, ele entrou aqui pela esquerda, onde eu tinha que entrar, mas eu não podia porque eu estava marcado. Tostão meteu a bola para o Clodoaldo e ele empatou o jogo. Quer dizer, isso tudo não foi administrado pelo treinador. O Zagallo era fantástico, tinha um esquema montado, mas a gente estava sentindo o que acontecia dentro do campo. Se o jogador, no gramado, acha que está com dificuldade, cabe a ele encontrar a solução. Agora, hoje também tem uma coisa: é 50 a 50. 50% dos jogadores têm a tática e os outros 50% não têm talento. Então, esses 50% que não são talentosos se aproveitam da tática para encobrir suas deficiências, porque técnica eles não têm.

 

As feras do Zagallo

A seleção de 70 era um time de técnica, mas, acima de tudo, de muita inteligência. A gente pensava e falava muito no campo. Eu, Carlos Alberto, Félix, Brito, Piazza… Tinha sempre alguém pra falar. Bom…aí, então eu tô vendo assim… assim… assim. E a defesa? A defesa é isso… isso… isso. É melhor assim? É. Então, faz. E o meio do campo? O meio do campo tá assim… assim… assim… Vamos fazer, então, assim. Assim é melhor? É melhor. E o ataque? O ataque tá desesperado lá na frente, cara! O meio do campo não chega! Não, o meio do campo não chega porque a defesa começa a gritar para a gente não ir. Porque senão vai ficar um espaço muito grande. Tá certo? Eu só posso ir se a defesa me acompanhar. Então, foi o ataque, foi o meio de campo, vai a defesa. Voltou a defesa, voltou o meio de campo, voltou o ataque. Nosso ataque marcava o meio do campo deles. O nosso meio do campo marcava o ataque deles. O ataque tinha que vir para buscar a bola e nossa defesa sobrava. Ficava tudo completo.

 

Treino é jogo e jogo é treino

Eu treinava muito para fazer os lançamentos. Eu não fazia de orelhada. Eu pegava uma barreira de salto e botava na meia lua da grande área. E ficava aqui na intermediária. Eu tinha que meter a bola aí dentro. É difícil, mas eu conseguia. Ok, mas aquilo era imóvel né? E o atacante, não. Quer dizer. Um pouquinho mais pra cá no lançamento. Um pouquinho mais pra lá, eu tava dentro do contexto. Tá certo? Então eu treinava pra fazer isso. Antes do jogo, antes do treino, depois do treino. Eu treinava, para… não digo isso naturalmente, porque ninguém fez isso, chegar a perfeição. Mas eu treinava pra acertar todas. Eu, por exemplo, entrava no campo. Aí pintava um lançamento. Eu lançava, errei. Segundo lançamento pintava, peguei, meti a bola, errei. “Olha, aqui. Pode parar, hein! Acabou o lançamento”. Não, eu não vou porque aí eu começo a ficar nervoso. O cara começa a reclamar com toda razão que é minha responsabilidade a bola chegar lá e ela não está chegando e aquilo… adrenalina lá em cima. Não vou chegar. Então, parei. Bola em campo. Vamos pro jogo. Jogo normal. Daqui a pouco, o lançamento. Vi, pum, lancei. Acertei! Acertei outro! Galera, voltei! Não adianta, cara. Senão você fica desesperado. Muitos dizem que nós do passado não jogaríamos no futebol de hoje. E eu respondo: é verdade. Não jogaríamos de vergonha. O jogador hoje corre três dias seguidos e o que ele produz? Na minha época, tirava-se exame de sangue pra saber se tinha sífilis, qualquer infecção. Hoje, se tirarem uma gota do lóbulo da minha orelha, vão saber da minha vida 50 anos para trás, 50 anos para frente. Pô, o DNA é de anteontem pra cá, cara. Tá certo? Então, é diferente. A discussão é essa. Antigamente, eram 80% de condição técnica e 20% de física. Hoje inverteu: 80% físico, 20% cérebro. Pega os jogadores técnicos de ontem e bota no preparo físico atual. Sabe o que iria acontecer? Esses atletas de hoje não carregariam o material sujo de treino – ouviu bem? –, de treino da galera passada. É a pura verdade. Você tem que discutir isso. Vou discutir física. Então, se é para discutir físico, eu digo mais: a seleção de 70 foi a mais bem preparada fisicamente. Tática e tecnicamente, então, nem se fala. Nós fomos para o México 40 dias antes da Copa. Fizemos uma intensa preparação, com diversas inovações para a época. Botaram uma máquina com um monte de fios. Quando o Brito começou a fazer os exames, a gente pensou que ele ia explodir aquela geringonça. Ele era um touro e, ao mesmo tempo, um bom jogador. Então, é preciso discernir as coisas. Como é que alguém vai dizer que o Garrincha não jogava hoje, que o Pelé não jogava hoje, que Zito, Dino Sani, Clodoaldo, Falcão, Zico… Eu vou citar 80 mil, que não aceitariam jogar com esses mambembes que têm por aí hoje. Para com isso… Em 66, nós formamos quatro seleções. Nenhuma delas deu certo, mas por outros fatores. Não foi por falta de grande jogador. Isso era o que mais havia.

 

O jogador do século XXI

Hoje basta ao jogador dar duas trombadas para virar ídolo e ser chamado de craque. É brincadeira? A perda da qualidade técnica é maior no Brasil do que no mundo. Mas o problema é global. Não há mais um Beckenbauer, Masopust, Gento, Di Stéfano, Puskás, Evaristo. A técnica e a inteligência do jogo se perdem quando o futebol começa a imprimir muito condicionamento físico. Ainda que eu ache que o preparo físico chegou exatamente pra abafar um pouco a falta de técnica. Os técnicos dos grandes jogadores foram parando. E os que vieram, vieram com pouca técnica. Então, tinha que imprimir mais condicionamento físico para o jogador aguentar o ritmo da partida, com a pouca técnica que tinha. E some-se a isso a decadência do trabalho de base. A formação do jogador hoje é muito ruim. Além disso, na grande maioria dos times, o juvenil joga de uma maneira e o profissional de outra. Quando o atleta sobe e não tem uma sequência de jogos, como é que ele vai se adaptar no novo esquema. Não há uma identidade tática e um conceito de jogo entre as diferentes categorias de um mesmo clube. Eu, por exemplo, comecei no Canto do Rio. E lá havia ótimos treinadores na base, como o Carango, que jogou no clube. Depois eu vim com…. com 17 anos, eu vim para o Flamengo. Aí tinha, como eu já falei, o Modesto Bria, o Jayme e o Canegal. E o que eles faziam? Procuravam montar o time à semelhança do profissional para que o garoto, quando subisse, já tivesse uma formação para entrar na equipe principal sem estranhar o esquema. O Fleitas Solich, que era o técnico do profissional, assistia ao treino e às partidas dos juvenis na arquibancada. Quando acabava o primeiro tempo, ela descia no vestiário, chamava o treinador e conversava sobre o esquema: “Ó, manda o Gerson fazer isso… isso….isso. Manda o Beiruth fazer aquilo…” Sabe por quê? Ele começava a administrar a base para chegar no final do ano, no funil e ele tirar uns três ou quatro para o profissional. Quando a gente via, já estava no time de cima. E adaptado ao esquema do profissional. E se o treinador precisar de um jogador assim ou assado no meio da temporada, ele já sabe como garoto joga. E o garoto já sabe como o time joga.

 

O mercador

Antigamente não tinha empresário que bancava. Há o empresário e o empresário que banca. É diferente. Então, o que acontece? O moleque subiu da base, tá certo? O moleque subiu e aí já tem empresário. E, claro, ele começa a forçar a barra porque tem um percentual em cima do garoto. Aí, ele vai para tal lugar. Amanhã é para lá. Depois de manhã já não é mais lá, é aqui. Todos os que foram estão voltando. Ou por velhice ou porque o negócio tem que girar. E ainda tem um detalhe importante: esse moleque joga bem. Quem é esse moleque aí? Ué, esse moleque é filho de não sei quem. A mãe dele de vez em quando vem aí. Onde ele mora? Mora ali na comunidade, ali na favela. Aí terminou o jogo, o empresário vai lá na família. Pum. Vamos lá na sua casa. Onde você mora? Chega lá. A mãe tá grávida. Tá certo? Aí o que ele faz? Esse moleque… tal… A senhora mora aí? Aqui, a senhora assina esse papel aqui. A senhora vai morar aqui nesse apartamento. Vai ter tanto. Tá certo? É…dinheiro, plano de saúde, comida, tudo isso. Tá certo? Assina aqui e tal…E esse que a senhora tem na barriga aí? É homem ou mulher? Ah, não sei vamos ver. Se for homem, ele já começa a bancar porque, de repente, pode ser mais um. É interessante isso. E, no fundo, ele tirou uma família de uma situação complicada. Porque o moleque sabe jogar. Mas amanhã ele já não está mais aqui. Ele já está fora. E o bom jogador, quer dizer, e esse talento você só vai ver amanhã pela telinha, porque ele não está aqui. Antigamente os talentos ficavam aqui. Eu olhava, eu jogava contra eles, eu pedia autógrafo. Eu ia para o jogo, para o Maracanã pra vê-los. E hoje, a gente vê quem? Os garotos da base vão aprender com quem? Com o perna de pau que ficou por aqui?

 

O ovo da serpente

O grande problema do futebol está na base, onde, aliás, também está ou estaria a solução. O que acontece… Eu sou diretor ou presidente do clube. Eu contrato o treinador, certo? Aí ele é campeão. Eu o chamo na minha sala. “Senta aí. Foi campeão?” Foi. Parabéns. Quantos jogadores você vai dar pra cima? Pode ser infantil, juvenil, juniores? Quanto? Ah, não tem nenhum? Tá aqui. Pode passar no RH, pode ir embora.” Esse treinador não foi campeão. O título do técnico da base não é ganhar o campeonato; é formar bons jogadores para o clube. “Quantos jogadores você passou para o time do cima? “Eu passei Antonio e Pedro, dois craques”. “Tá certo. Tá aqui. Está renovado seu contrato.” Assim deveria ser. Esse deveria ser o foco das categorias de base. Eu e o Nilton Santos fizemos isso no Botafogo, no tempo em que cuidamos dos juvenis. Quer ver outro absurdo? O garoto vai fazer um teste. Qualquer clube. Chega lá, chuteira de baixo do braço e… pá! R$ 40,00 pra fazer três treinos. Então, o Pelé não ia poder fazer teste em lugar nenhum porque era vendedor de amendoim na estação. Sabe? Manel não ia poder, porque era largado lá naquela fábrica de Pau Grande. Tá certo? Ronaldo fenômeno, teve que pedir dinheiro emprestado, atravessar a linha do trem a pé pra entrar em São Cristóvão pra treinar. Como é que ele vai pagar R$ 40,00? Onde ele tem R$ 40,00? Onde é que a gente tinha R$ 40,00? Isso até me emociona… (NR. Gerson chora). Então, o que eu e o Nilton fazíamos no Botafogo? Botava lá no jornal. Segunda-feira, por exemplo, portão aberto. Chuteira debaixo do braço. Pronto. Aí duzentos caras. “Lateral direita, aí quem é?” “Eu, eu, eu…” Pra cá. “Quarto zagueiro… Beque Central… Um time aqui. Time contra time, vamos lá. Você, você, você. Pode sair. Fica lá. Você, você, você, pra lá.” Daqui a pouco a gente tinha um time, mais ou menos arrumado. Já tem um time ali. E pedíamos para o garoto não aprovado voltar na próxima semana. Às vezes, ele está inibido, não bota aquilo que sabe pra fora. E nós dizíamos: “Pode voltar, hein! Não tá dispensado, não.” As pessoas não têm ideia do que é uma peneira no futebol e as condições em que alguns garotos chegam lá. Muitos chegam ali com fome, sem nada para comer. Nós os colocávamos no restaurante. Os médicos do clube davam remédios e vitaminas. Eu dizia: “Bota lá no restaurante para comer porque ele vai morrer aqui. Se ele fizer um treino, de repente, querendo aparecer, dá um pipoco e ele morre.” E é verdade. Depois a coisa não andou. Eu e o Nilton acabamos saindo do Botafogo. Eu não tenho paciência para aturar dirigente de futebol.

 

Era uma vez o camisa 10

Voltou a dizer: tudo passa pela categoria de base. Quer mais um exemplo? A falta do camisa 10 no futebol brasileiro. Eu estou cansado de dizer isso, cara! É muito mais fácil pegar o inteligente e fazê-lo marcar do que pegar o botinudo e ensiná-lo a jogar. Ora, um treinador da base, se tiver um camisa 10 que sabe tudo de bola, é obrigação dele deixá-lo no time. Não precisa marcar. Deixa ele cercar no meio de campo. Já compensa alguma coisa, tá certo? Chega e diz para ele: “Agora, eu quero que você jogue. A hora que a bola bater no teu pé, você tem que estar atento a tudo.” Só que hoje o jogador de meio de campo só sabe ficar nessa luta. Dá carrinho, dá trombada, dá pontapé, dá cabeçada, e pum… e pá… Quando a bola chega no pé, o sujeito se assusta com ela. “Pô, o que eu vou fazer com esse negócio aqui? Eu tava tão alegre, dando uma trombada num, trombada noutro. Você me deu a bola e tirou minha alegria, cara…” Porque a alegria dele é essa; é dar paulada no meio de campo. Entendeu? Antigamente, nós tínhamos o perfume de que a bola gostava. Então, ela estava sempre perto da gente. Tá certo? A gente sempre a tratou bem. Por isso, ela queria ficar com a gente. Agora, olha para esses jogadores de meio de campo de hoje? A bola quer correr deles. Tem medo deles. Claro, pô! Ele vai dar bico nela, vai arranhá-la toda… Então, é por isso que eu repito: não pode anular o bom jogador pedindo para ele se matar na marcação. Ele pode cercar, ajudar, mas o técnico quer que ele vire um cabeça de bagre. Não dá! Eu mesmo tive esse problema na decisão do Carioca de 1962. O Flavio Costa, excelente treinador por sinal, achou, não sei por que cargas d’água, de me colocar junto com o Jordan pra marcar o Garrincha. E botou o Nelsinho, que estava chegando do Madureira, para armar o jogo. O Nelsinho não era mais armador do que eu. E eu não era mais marcador que ele. Naquela época eu era o único do Flamengo na seleção brasileira. Eu argumentei isso com Flavio. “Flavio, o Nelsinho marca mais. Eu posso até chegar pra ajudar. Ô, Flavio eu não sou tapa buraco. Eu sou o único aqui dentro que tá na Seleção Brasileira. E não vou pro jogo. Então, você bota o Joel para jogar pela ponta-esquerda e acabou o problema”. O Flavio tirou o Joel, ele ficou pau da vida, pegou a mala dele e deixou a concentração. Acabei jogando na ponta. Aí o que acontece? Fui mais um “João” do Manel, como ele chamava todos os marcadores dele. Três a zero Botafogo, dois gols do Manel e um gol contra do Vanderlei num cruzamento dele. Num dos gols, ele driblou a mim e ao Jordan e jogou nós dois pelo meio dos fotógrafos e tudo. Eu ainda botei o Dida na cara do gol duas vezes, mas não deu. Foi meu último jogo pelo Flamengo. A morte dos pontas matou os meias e a morte dos meias matou os pontas. Um se alimentava do outro. Todos perderam, tanto o armador quanto os ponteiros. Os pontas jogavam muito mais do que marcavam. Hoje, os jogadores de lado de campo mais marcam do que apoiam. Então, o armador perdeu a possibilidade do lançamento. Também virou um marcador. Para quem o cara do meio de campo joga agora se não tem mais para quem lançar? Ou ele faz aquele jogo curtinho ou dá um bico para frente e dane-se quem estiver por lá. Que se vire. Não é mais aquela coisa pensada, orquestrada, embelezada. Não tem mais aquilo.

 

O regente

Eu jogava falando. Mas é claro que eu tinha que jogar falando! O futebol é falado… É discutido.. É argumentado. E você não é dono da verdade. A sua verdade pode ser boa para você e ruim pra mim. Tem que ser bom pra nós dois. Nós estamos no mesmo lugar. Então se você marca mais, eu te ajudo. Eu não sei marcar. Eu te ajudo. Eu cerco. Em compensação, quando eu tiver apertado, você vem me ajudar. E em campo, eu era assim mesmo: “Isso. Vem para cá. Vai pra lá. Ué? O que você veio fazer aqui? Você veio aqui me atrapalhar. Se eu for aí, vou te atrapalhar. Então, você faz o teu pedaço e eu faço o meu. E eu tenho que botar aí. E você tem que botar no gol. Se eu não botar aí, você reclama de mim. Se você vier aqui, eu vou reclamar de você, cara! Por que quem é que vai ficar lá no lançamento? Tu quer me arrebentar? Quer me tirar o pão de cada dia? Só isso que eu sei fazer, pô!”. Era assim, por exemplo, eu, Jairzinho e Roberto. Vinham até o meio do campo. Eram velozes e inteligentes e fortes. Não tinham medo de porra nenhuma. Eles iam pra dentro. Tá certo? Aí ,se ele chegasse muito aqui: “Ô, vocês estão me sufocando, cara! Vocês estão matando meu jogo.” O Terto, no São Paulo, era diferente. A gente não podia cansá-lo. Era o primeiro lançamento, tal…aí, tu mata o cara. Mas todos eles sabiam que não precisavam olhar pra mim. Eu olhava pro quarto zagueiro, porque quando o quarto zagueiro saía, abria um buraco lá atrás e é lá que a bola ia. “E você vai entrar na diagonal ou do meio? Romper pelo meio? Então, não precisa olhar pra mim. Tá certo? E eu não preciso olhar pra você. Eu tô te vendo.”. Hoje, não. A minha visão lateral está ruim. Mas, antigamente, olhando só para frente, eu sabia quem estava em cada lateral. E, se não for muita audácia, eu sabia quem estava atrás de mim também, tá certo? Então, o que acontece? Não precisa olhar pra mim, nem eu para o ponta. Eu estou de olho no quarto zagueiro. Ele que me interessa. O meu jogador, não.

 

Uma seleção cerebral

Na Copa de 70, todo mundo daquele time gostava de discutir o esquema de jogo, de pensar o jogo, antes – tá certo? –, durante e depois da partida. Claro, tinha uns que se interessavam mais e outros menos. É normal. Às vezes, o argumento de um não era dentro da tática de jogo, mas da movimentação individual dele. Ok. Está ótimo! “Tô saindo daqui, tô entrando ali, mas não tô vendo espaço”. A movimentação, por exemplo: a gente sabia da tática com que ia entrar em campo. A gente sabia que a Itália marcava homem a homem. A defesa marcou durante toda a Copa. Então, aquilo vinha marcando. Ninguém faz uma Copa do Mundo inteira marcando homem a homem, chega na final e troca o esquema. Eles não seriam malucos a esse ponto. Bom…então vamos saber se eles estão marcando. A gente tem que saber. Então, Jairzinho e Rivelino… Rivelino fazia o meio do campo. Aquilo ali ficava aberto. Isso era esquema tático. Ficava aberto. Everaldo não apoiava tanto quanto Carlos Alberto. Tá certo? Então, aquele lugar ali era do Tostão. Tá certo? Então, você vê com o gol do Uruguai. Como eu disse, o Tostão abriu, Clodoaldo entrou aqui e recebeu o passe. Aquilo ali era um lugar vazio pra ser ocupado com qualquer um, menos pelo Everaldo, que ele não sabia entrar. De vez em quando, se ele quisesse se aventurar, era problema dele. Ele até teve um jogo que ele se aventurou, tropeçou com o zagueiro e ele veio gritando “Eu não sei fazer isso. Eu não sei fazer isso!” Ele sabia marcar. Então, para gente era melhor. O Marco Antônio, tecnicamente, era mil vezes melhor. Só que o Carlos Alberto apoiava muito. O Brito, às vezes, saía. O Piazza, que era meio de campo, tinha o instinto de sair. Então, o Everaldo ajudava a compor a zaga. Normalmente saía o Clodoaldo. Aí, vinha o Rivelino ou outro jogador, isso já era treinado exaustivamente. Por isso, foi o time mais inteligente em que eu joguei. Bem… Tinha o Botafogo de 67 e 68… Aí é brabo comparar… Mas, voltando a 70, todo mundo sabia seu lugar e sua função. O Rivellino entrou, Jairzinho saiu. O lateral entrou com Rivelino pela esquerda e o Facchetti acompanhou o Jair. Então, aqui, estão acompanhando. Troca tudo de novo. Aí vai entrar a outra variação do esquema. Qual é a outra variação? O Rivelino entra, Tostão vai pra lá para a esquerda, Pelé cai mais um pouquinho do meio para a direita, tá certo? Jairzinho entra aqui, na meia e abriu a lateral toda pro Carlos Alberto. Então, quando ele fez gol na decisão não é do nada. Até a final, ele já tinha passado, passou ali umas duzentas e tantas vezes. A gente movimentava o esquema tático e interferia no esquema da Itália ao nosso bel prazer. “Vai pra cá, tira, sai, bota mais para a direita porque vai entrar um aqui.” É o que eu falo dos esquemas dentro do esquema. E tudo era discutido por todos. O Brasil de 58 e o de 70 foram as duas maiores seleções. Tecnicamente, a de 58 era melhor, pelos jogadores que tinha. A de 70 primava pelo entrosamento. A seleção foi formada na excursão à Europa e às Américas, em 19. A base estava toda ali e se consolidou durante as Eliminatórias, em 69. Em 70, tivemos três meses para treinar. Então, só pelo olhar, a gente sabia o que o outro queria. Sabia onde tinha o erro e onde tinha o acerto. Isso tudo estava pautado há dois anos. Então, pelo talento dos jogadores, não há nada igual à seleção de 58. Mas a de 70 tinha um conjunto incomparável.

 

Coisas de Deus

Vi, na maioria das vezes de dentro do campo, lances absolutamente geniais, algumas das jogadas mais inteligentes e inesquecíveis do futebol. Uma delas foi o drible de corpo do Pelé sobre o Mazurkiewicz, goleiro do Uruguai, na Copa de 70. O Pelé foi muito, virou demais, entrou muito em diagonal, e pensou que o gol estava “aqui”, mas não estava. Ele teve que contorcer muito o corpo para chutar e calculou mal a direção. Outro lance genial: Brasil e União Soviética, em 1958. O Mané driblou quatro russos, em fila. Essa é do caramba! Outro lance do Pelé, contra a Checoslováquia na Copa de 70. Eu tô vendo o Pelé e ele sabe que eu tô vendo. E aí ele começou a entrar. O Everaldo tá aqui, pela esquerda, tá certo? E eu apressei o Everaldo porque eu estou vendo o Pelé entrar e percebo que a defesa do adversário vai marcar a entrada do nosso lateral. E se eu perder tempo, o Pelé entra em impedimento. Tá certo? E se esperar um pouco para eu lançar, não vai aonde ele quer. E eu sou obrigado a botar onde ele quer…. Esse é o problema. E eu sei onde ele quer… E ele sabe onde eu tenho que botar… E eu tô apressando o Everaldo… Aí, eu dou uma rápida olhada para o Pelé e é o que basta: ele sabe que é hora de correr. Eu meti a bola, ele subiu botou no peito, deu aquela troca na passada e bateu assim que ela caiu no gramado.

 

O GEnio inexplicável

Eu não sei explicar a inteligência do Pelé. Não consigo. Vamos pegar esse lance contra a Checoslováquia. Até a hora do domínio da bola no peito, eu vou. Até a página dois. Mas na página três eu já não consigo mais. Matar aquela bola no peito é até fácil para quem sabe. O problema é botar a bola no chão e trocar de pé como ele trocou. Quando ele botou aqui no peito, a passada dele era uma. Para chutar é outra. Isso tudo com uma coordenação fora do comum. Se um centroavante tenta fazer isso hoje é capaz de tropeçar e cair de cara no chão. Aí vem a final contra a Itália. E fazemos um lance muito parecido, quase igual. Só que, em vez de matar a bola no peito, ele ajeita de cabeça para o Jair. Depois da partida, aquela festa toda no vestiário e tal, eu não me contive. Tinha que pedir uma explicação a ele. Eu precisava entender. Será que eu calibrei errado o lançamento? “Olha aqui. No outro jogo, você matou no peito, trocou de pé e fez o gol. Agora, mesma jogada, a bola passa igual por cima da cabeça do zagueiro e você arruma para o Jair em vez de bater. Só pra eu entender. A mesma jogada, pô. Por que você mudou?”. Aí, ele falou: “O zagueiro tava um pouquinho mais junto de mim do que no outro jogo. Então, eu preferi o Jairzinho de cabeça.” Pô, era uma diferença de milímetros. Pelo menos lá de onde eu estava, do meio de campo. Mas o cara ali enxergou outra coisa. E mudou tudo. E você quer que eu explique isso como? Não dá, cara!

 

A arte de ser canhoto

O canhoto é mais inteligente do que o destro porque ele está sempre na contramão. O direito do cérebro é responsável pelo entendimento e pela interpretação. Então, o canhoto tem de ser mais rápido do que o entendimento. Um belo dia, quando minha mãe estava grávida, ela virou para o meu pai e disse assim: “Ô, Clóvis, ele está chutando.” No que meu pai respondeu: “Deolinda, não é chutando. É lançando.” Entre destros e canhotos, não importa a perna, tenho os meus preferidos. Naturalmente, o Didi foi um dos maiores e mais cerebrais jogadores que eu vi. Lembro também do Falcão e do Reinaldo. Zizinho e Jair da Rosa Pinto eram fabulosos. Dino Sani sempre foi brilhante. O Zito era excelente, mas acho que só foi titular da seleção em 58 porque jogava no Santos. O Dino Sani era extraordinário e merecia ter jogado. Tostão foi outro jogador fantástico, com uma leitura do jogo sem igual. Era muito cerebral. Os jornalistas até diziam que ele jogava sem a bola. Aí ele respondia: “Pô, como é que vou jogar sem a bola, cara?” “Sem a bola, eu não jogo” Outros jogadores muito inteligentes foram Dirceu Lopes e Ademir da Guia. Entre os estrangeiros, sempre admirei muito o Puskás e o Di Stéfano. Uma vez, quando joguei um torneio na Espanha, conversei longamente com o Di Stéfano, à época treinador. Nós estávamos treinando e o time dele chegou. Ele ficou vendo o treinamento. Quando terminou, fui falar com ele. “E aí, Mestre?” E ele perguntou: “E o seu time?” Meu time tem esse, tem aquele ali, são bons jogadores, completa aqui tal…” Então, ele disse: “Fica 10 minutos aí pra ver o meu. Você vai chorar.” Aí entrou a equipe dele e começou o treino. Ele chegou perto de mim e disse: “Ô, Gerson, eles não passavam nem na porta do time quando eu jogava. Nem na porta.”

 

De doer os olhos

É muito difícil assistir ao futebol de hoje, especialmente no Brasil. E não estou dizendo isso por mim. Estou dizendo pelas novas gerações, pelo meu neto. O meu pai me pegava e me levava no campo. Eu vi a Copa do Mundo. Eu tinha 9 anos e estava no Maracanã. Vi Brasil e Espanha. Lembro como se fosse hoje. O Maracanã ainda estava em construção. Tinha uma tábua de madeira que a gente precisava atravessar. Veio um cara me buscar na metade, meu pai botou na outra metade pra eu passar para o lado de lá. Hoje, o garoto que é Fluminense, Botafogo, Vasco e Flamengo vai ver quem? O menino flamenguista vai ao Maracanã. Ai chega lá tem o Guerrero, que dá de canela, chuta para cima, só sabe dar carrinho, dá trombada, é expulso… Porque ele é uma merda. Desculpe. Mas não tem outra palavra para dizer. Tá certo? Aí você vê o Diego. Porra, esse cara tá aí perdido no meio desse emaranhado de coisa ruim. O medo é esse. Eu, por exemplo, vou repetir. Meu pai me levou pra ver Espanha e Brasil no Maracanã. Tenho um neto de 20 anos que torce para o Fluminense. Ele vai para a torcida. E eu tenho de dizer para ele: “Cuidado, pô!”. Antigamente não tinha briga. Hoje, o cara vai armado para o estádio. Estou dizendo tudo isso porque esses fatores todos tiram o garoto do estádio. E aí a criança de hoje não tem a doutrina que eu tive, por exemplo. Aí o que acontece? A garotada vai ter a camisa do Barcelona, mas não vai ter do seu time. Então, eu tenho que chorar. Eu choro, cara! Na Rádio Tupi, como comentarista, eu preciso eleger o craque do jogo. E o Diguinho e o Márcio Araújo estão no meio. O que eu faço? Dos times mais recentes, no Brasil, deu gosto de ver o Santos de Neymar e Ganso. No último Brasileiro, o Botafogo fez umas coisinhas, um jogo aqui, outro acolá.

 

País do futebol?

Não tenho dúvidas de que o Brasil ficou para trás. Hoje, o futebol europeu é melhor do que o nosso. É corrido, ok, mas técnico. Naturalmente, eles carregam e concentram os melhores jogadores do mundo. Os poucos craques que existem estão lá. E nós aqui? A nossa molecada? Ou vai para lá ou vai ficar nesse marasmo aqui. Vai ser mais um no bolo do nosso futebol. Por isso, a Europa subiu. Aliás, não é só a Europa, não. O Japão subiu. A China está subindo e comprando vários jogadores. Há os árabes, alguns donos de clubes na Europa, que não sabem onde botar tanto dinheiro e levam jogadores do mundo todo. Para eles, é festa. Por isso, eu sou muito pessimista com o nosso futebol. Com a qualidade dos nossos jogadores e com a própria organização. Você vê como funciona no Rio de Janeiro. Um time é campeão da Taça Guanabara; o outro, da Taça Rio. Pensa que é campeão? Não. Não é. Eles têm que jogar um contra o outro. Que campeão é esse? Aí, o que foi campeão e perde para o outro campeão, não é mais campeão… Dá para entender um negócio desses? Pô, o cara é campeão e tem que rasgar a faixa? Esse é o nosso futebol, tá certo?

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