A banalidade do mal na política

A banalidade do mal na política

Jorge Chaloub, jurista e cientista político

 

A conjuntura por vezes traz para o primeiro plano personagens antes relegados ao papel de coadjuvantes. O evento não decorre apenas do normal ato de reinterpretar a história, mas emerge do fato de que o modo como percebemos as ressonâncias do passado também deriva das feições do presente. Entre os vultos de outras épocas, poucos parecem hoje tão contemporâneos quanto Carlos Lacerda. Não apenas o termo lacerdismo tornou-se ainda mais frequente nos debates públicos, como as ideias defendidas pelo jornalista ganharam um amplo número de novos defensores, em movimento que produziu uma crescente reivindicação da sua figura, tanto entre políticos estabelecidos quanto em meio a jovens militantes. Lacerda também surge como modelo de governante, com frequentes elogios a seus feitos à frente do governo da Guanabara. Nesse movimento, o lacerdismo mantém sua natureza de acusação política, bradado em chave negativa, sobretudo a partir da esquerda, contra eventuais adversários, mas também ganha a feição de linguagem política reivindicada por uma direita radical que cresce a olhos vistos.
Lacerda desponta no atual cenário por dois caminhos. Por um lado, a atual conjuntura de crise passou por um certo ambiente lacerdista,1 onde a retórica virulenta, a moralização de todos os embates públicos, a proliferação de denúncias de corrupção e o flerte com soluções de exceção tornaram-se comuns. Em movimento semelhante ao construído ao longo da República de 1946, o acúmulo de denúncias, quase sempre direcionadas à esquerda, desgastaram o regime como um todo e abriram as portas para os atores dispostos a organizar soluções de exceção, como o próprio Lacerda. Ante uma ordem completamente corrupta e a descrença em soluções políticas moderadas, todos os caminhos parecem válidos. Aparentemente destinados a seus adversários, corruptos ou subversivos, os ataques de viés lacerdista acabam por atingir a ordem política como um todo e a fomentar a urgência de destruí-la. Esse discurso, decorrente de uma obra coletiva onde Lacerda se destacava como protagonista, transformou a UDN, nas precisas palavras de Wanderley Guilherme dos Santos, “no mais subversivo partido do sistema político”.2 A imprensa é um instrumento privilegiado para essa retórica de constante ataque à ordem estabelecida, sendo o ator responsável por normalizar um discurso de degeneração das instituições. Não creio que o leitor tenha dificuldades em encontrar semelhanças – em meio, evidentemente, a um mar de diferenças – entre esse estilo político e os caminhos escolhidos pela maior parte da oposição contra os governos petistas, essa a estratégia responsável pelo Golpe de 2016 e pela plena desorganização da nossa ordem política. Quando um ex-presidente, como Fernando Henrique Cardoso, adere ao explícito vocabulário lacerdista para acusar o PT de “subperonista” e retratá-lo como entusiasta de um “autoritarismo popular”,3 ultrapassa-se, por certo, uma fronteira. Se o recurso a analogias históricas é sempre terreno pantanoso e sujeito a imprecisões, ele pode também revelar continuidades e expor parte do imaginário dos atores políticos.

O político e jornalista também surge como símbolo apto a ser reivindicado por parte de uma direita radical emergente, que devido a certa leitura profundamente negativa da história nacional, vista como “terra arrasada”,4 carece de precursores para chamar de seus. Se a retomada de algum membro do nosso panteão de políticos conservadores soa deslocada, tendo a vista o papel dos mesmos na construção do Estado agora sob ataque, a retomada do “subversivo” Lacerda parece se encaixar perfeitamente nessa narrativa. Nesse sentido, o político é recuperado em parte pela sua trajetória liberal, mas sobretudo pela sua capacidade de “dizer a verdade”, sempre pronto a denunciar o silenciado pelos grandes interesses. O jornalista emula, assim, outros dois tópicos retóricos da direita radical brasileira: a crença em um acesso privilegiado à realidade e a defesa de teorias conspiratórias. Se alguns tópicos são convenientemente esquecidos, como ausência de uma pauta mais conservadora em termos de costumes na atuação de Lacerda – mesmo ante sua proximidade com a intelectualidade católica mais conservadora – e seu entusiasmo com uma forte atuação do Estado, a imagem reconstruída não destoa radicalmente da sua praxis política.
O boom lacerdista não se inicia, contudo, recentemente ou emerge de forma súbita. O presente texto fará uma breve reconstituição das formas de recuperação de Lacerda, enquanto personagem inspirador do mundo político, e do recrudescimento do lacerdismo enquanto linguagem política. Antes será necessário um brevíssimo debate sobre os vínculos entre o criador e a criatura, Lacerda e o lacerdismo.

Os caminhos do carisma
O lugar da personalidade no mundo político é não apenas tema recorrente ao longo dos últimos séculos, mas talvez um dos aspectos mais insistentemente abordados no debate contemporâneo. O enorme interesse atual em torno do conceito de populismo surge, por exemplo, como claro indício do esforço em expor o lugar dos líderes icônicos nas democracias contemporâneas, ou ao menos no que delas sobrou. As evidentes dimensões personalistas subjacentes ao conceito de representação, reconhecidas por um amplo número de trabalhos, não explicam plenamente, todavia, os casos onde uma personalidade parece transbordar do seu contexto ou mesmo dos limites da sua biografia, de modo a construir uma tradição ou linguagem política.
Max Weber via no carisma – ou seja, na atribuição, por parte de um grande número de pessoas, de dotes pessoais extraordinários a um indivíduo – um dos principais meios de dominação política. Analisando a duração da dominação carismática no tempo, o autor desenvolveu o conceito de rotinização do carisma. Primeiramente vinculado a certa ideia de relação pessoal e extracotidiana, representado como algo externo à normalidade, o carisma precisa modificar seus modos de exercício para durar no tempo, de forma a aderir aos ritos da tradição ou da racionalização de procedimentos. Weber delineia uma série de formas de transmissão do carisma, impossíveis de serem bem descritas neste espaço. Todas elas comungam da construção, em maior ou menor grau, de alguma institucionalidade.5
O varguismo é um bom exemplo de um eficaz processo de rotinização do carisma através das instituições.6 Por meio de um hábil uso do rádio e da imprensa, da censura realizada por aparatos estatais, da construção de instituições centrais do moderno Estado brasileiro e da criação de partidos políticos, como o PTB, o varguismo ultrapassou em muito o indivíduo Vargas. Um personagem conhecido por suas poucas palavras – retratado por Afonso Arinos como “silencioso, num meio político de oradores”7 – alcançou espaço central no imaginário brasileiro e fez ecoar sua voz, por meio de outros, das tribunas do Congresso Nacional aos versos da música popular. Ainda hoje sua memória é reivindicada como instrumento de luta política.
O nome de Carlos Frederico Werneck de Lacerda também perdurou no tempo e passou a designar, sob a recuperação da sua trajetória e o termo lacerdismo, tanto um conjunto de ideias quanto um estilo de atuação político. A longevidade da sua memória e influência no imaginário político brasileiro é, entretanto, mais difícil de ser delineada. Não que Lacerda tenha sido personagem secundário da vida política brasileira. Pode-se mesmo dizer que entre 1943, o momento de mais forte contestação ao Estado Novo, e 1967, ano de derrocada da Frente Ampla, poucas disputas centrais na política brasileira não tiveram nele um protagonista. José Honório Rodrigues afirma na introdução da coletânea de discursos parlamentares de Lacerda, talvez com certo exagero, que “Ninguém sozinho influiu tanto no processo histórico brasileiro como Carlos Lacerda de 1945 a 1968”.8
Lacerda foi um dos mais relevantes jornalistas do país, com influente coluna no Correio da Manhã e constantes participações no rádio e na nascente televisão. Também fundou o jornal Tribuna da Imprensa, do qual foi editor, e desempenhou papel central na modernização da linguagem jornalística brasileira, ao cultivar um texto direto, mesmo que dotado de constante tom sarcástico, e uma retórica no rádio que emulava o tom de conversa direta com o ouvinte. Essas habilidades seriam centrais para sua bem-sucedida campanha contra Vargas, quando se tornou agente central da queda do governo e do suicídio do presidente, tanto pelo atentado contra sua vida, na rua Tonelero, quanto por sua enorme popularidade entre as Forças Armadas, fiadoras da derrubada do então presidente. Após esse momento, ganharia cada vez mais força dentro da UDN. Eleito para Câmara dos Deputados em 1955, atuou como líder da União Democrática Nacional (UDN) e marcou época por seus agressivos discursos contra Juscelino Kubitschek. Vitorioso na eleição para governador da Guanabara em 1960, realizou um governo atravessado por grandes obras, acusações de crimes contra as populações mais pobres e forte repressão de seus opositores. O golpe de 1964, do qual foi um dos mais ativos participantes, acabou por soterrar suas expectativas de alcançar a Presidência da República, para a qual já fora escolhido como candidato da UDN.
A marcante biografia não aponta de modo evidente, todavia, a longevidade da memória política em torno de Lacerda. O político não era, segundo sua própria autoimagem,9 afeito ao artesanato de instituições capazes de transcender sua ação política:

“Eu queria evitar muito que a Tribuna fosse um órgão da UDN, até porque isso era impossível; a UDN não podia ter um órgão – a UDN era uma maçaroca de tendências, as mais diversas impossíveis de exprimir num só jornal. Sobretudo porque esse jornal exprimia muito mais as minhas tendências do que as tendências da UDN. Quer dizer, sempre me senti na UDN – e com isso não estou renegando os excelentes companheiros que tive lá, nem renegando a própria UDN como partido, mas sempre me senti meio como uma excrescência na UDN, mesmo porque tenho muito pouca vocação para política como exercício assim de habilidades e de astúcias.”10
Enquanto a Tribuna da Imprensa é reduzida no discurso de Lacerda à expressão das suas idiossincrasias, a UDN torna-se excessivamente diversa para exprimir os ideais do político e jornalista, mesmo que, progressivamente, o partido o tivesse como líder tanto perante o eleitorado quanto nas disputas internas. A afirmação não é, entretanto, de todo despropositada. Lacerda esforçava-se conscientemente por se desvincular da UDN, com o intuito de derrotar adversários internos com sua popularidade e, eventualmente, explorar caminhos mais curtos na busca da Presidência da República. Os flertes com as Forças Armadas ou o uso da sua imagem por instituições como o Clube da Lanterna11 não eram ocasionais, mas expressões da construção de uma personalidade política que recusava as disputas eleitorais corriqueiras e derivava sua força de um uso instrumental das instituições ou da sua direta violação.12 Quais foram, entretanto, os caminhos pelos quais essa imagem tornou-se tão longeva?

As duas almas do lacerdismo
O discurso de posse do atual governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, se encerrou com o retorno a um velho personagem da política carioca, fluminense e brasileira: “não poderia deixar de citar uma grande fonte de inspiração para políticos deste estado, o governador Carlos Lacerda, que deixou inegável legado de desenvolvimento a este estado”.13 Não estamos diante de fato isolado. Após um relativo silêncio em torno do seu nome após o Golpe de 1964, Lacerda voltou aos holofotes durante o processo de redemocratização. O desejo de retorno à cena política, confidenciado em série de entrevistas realizadas logo antes da sua morte,14 em 1977, seria cumprido sem a sua presença física.
Inicialmente reivindicado por antigos lacerdistas, como Sandra Cavalcanti, o nome do ex-governador da Guanabara voltaria ao centro do embate político com o fortalecimento do brizolismo no estado do Rio. Com as sucessivas e surpreendentes vitórias eleitorais de Leonel Brizola e seus aliados, que conseguiram desmontar a forte máquina do ex-governador emedebista Chagas Freitas, o nome do antigo arqui-inimigo do gaúcho surgia aos olhos de muitos como síntese de um projeto que negaria as principais características do brizolismo. Poderíamos recorrer a alguns discursos da época, mas um evento soa eloquente: a articulação em torno da candidatura do filho de Lacerda, Sérgio Lacerda, para o governo do Estado. Como bem aponta reportagem do Jornal do Brasil de 22 de janeiro de 1990,15 Sérgio surgiria como o “anti-Brizola” por seus evidentes vínculos com o lacerdismo. Deve-se destacar que o então dono da editora Nova Fronteira não tinha um passado de disputas eleitorais, mas apenas buscava emular a memória de Lacerda, como reconhece na matéria o empresário Roberto Medina, um dos articuladores da empreitada: “Só o Sérgio pode explorar a marca Lacerda, que ainda é muito forte no Rio”. Medina estava equivocado em um aspecto: a memória do lacerdismo não precisaria de herdeiros evidentes para perdurar.

Na eleição para a Prefeitura do Rio de 1992, um antigo quadro central do brizolismo, outrora admirado por sua capacidade como gestor e pelo desvelamento de uma tentativa de fraude eleitoral, o “escândalo da Proconsult”, construiria uma vitoriosa campanha com base no imaginário lacerdista. As edições do Jornal do Brasil durante o segundo semestre de 1992 e os três primeiros meses de 1993 registram algumas menções favoráveis de Cesar Maia a Lacerda. Em 5 de dezembro de 1992, por exemplo, o editorial do jornal alude às declaradas intenções do prefeito de “combinar a cobrança de posturas de Jânio Quadros com a antevisão e o planejamento de Carlos Lacerda”. Também demonstram esta aproximação a presença de lacerdistas históricos, como Sandra Cavalcanti e o filho do ex-governador, Cláudio Lacerda, no primeiro e segundo escalões governamentais. O clima favorável ao retorno da memória política lacerdista não se resume ao candidato, mas atravessa o próprio jornal, que em mais em um editorial elenca Lacerda entre os maiores governantes do Rio. Também no jornal, edição de 14 de novembro de 1992, Werneck Vianna, então próximo da campanha de Cesar Maia, aponta que “Lacerda emergiu no inconsciente coletivo da população nessa campanha eleitoral carioca”,16 mesmo que busque retratar Cesar Maia e Benedita como tentativas de “combinar” a herança lacerdista à brizolista. Anos mais tarde, Lacerda permaneceria como personagem central da política carioca, explicitamente disputado nas eleições de 2000. Segundo reportagem da Folha de São Paulo,17 Cesar Maia iniciou seu programa eleitoral de segundo turno com a imagem de Lacerda e um depoimento da filha do ex-governador, que comparava as duas trajetórias, ao passo que Luiz Paulo Conde, seu adversário, também mobilizou o ex-governador nos programas eleitorais do primeiro turno. Algumas das principais vias expressas da cidade do Rio de Janeiro contam essa história. Depois da Linha Vermelha, nomeada de Avenida Presidente João Goulart por Leonel Brizola, ficava pronta, nos governos Cesar Maia e Conde, a Linha Amarela, com o nome de Avenida Governador Carlos Lacerda.
A recuperação de Lacerda nesses contextos se dá sobretudo pela imagem do “construtor de estado”, para mencionar a categoria de Marly Motta. Habilmente cultivada durante seu período à frente da Guanabara, quando moldou a persona do gestor impessoal e distante das paixões políticas, a representação de Lacerda como grande administrador perdurou no tempo e ganha força pela longevidade de algumas das suas obras, como o Aterro do Flamengo e o Túnel Rebouças. Inspirada em uma linhagem que remonta a Pereira Passos, essa perspectiva também cultiva, como outra face da mesma moeda, um trato autoritário com a organização do espaço público, submetido aos desígnios da vontade soberana, porque tecnicamente embasada, do líder político. Para além dos limites do Rio de Janeiro, a retórica ganharia corpo na política brasileira, especialmente após 1964. O predomínio de uma concepção técnica da política ganharia presença progressivamente maior na vida pública brasileira, conferindo um crescente protagonismo aos economistas. Usual crítico da retórica econômica,18 Lacerda não percebe então os prováveis rumos das suas ideias, mais preocupado em fundar uma imagem da Guanabara propícia a sua atuação política e em demonstrar estofo como futuro candidato à Presidência. O governo ditatorial que o afastou do jogo político seria, entretanto, um dos mais hábeis agentes desse discurso. Nas precisas palavras de Otto Lara Resende, “Lacerda foi ideólogo e pregador de um evangelho de que acabou vítima, ele próprio armou seu catafalco; sua solidão”.19

Aimagem do Lacerda “construtor de estado” é, todavia, menos influente no imaginário político nacional do que a do “demolidor de presidentes”,20 esta a faceta responsável por incorporar o termo “lacerdismo” no vocabulário da política nacional. O político tornou-se o arquétipo perfeito da oposição intransigente, dotada de uma retórica inflamada de tintas moralizantes, caracterizada pelo amplo uso da mídia e disposta a utilizar de todos os meios para chegar ao poder. Em meio à disputa política, que evidentemente não busca a precisão dos trabalhos acadêmicos, mas pretende, sobretudo, mobilizar e convencer seus interlocutores, o vocábulo é usualmente utilizado como acusação política, que sugere a prática de um denuncismo irresponsável e sem fundamento, manipulado com o intuito de desrespeitar resultados eleitorais e, ao fim, justificar golpes de Estado. Por ter Lacerda se destacado como face mais visível e conhecida da UDN, as palavras “lacerdismo” e “udenismo” são quase sempre sinônimos quando utilizados no embate político.
O termo tem sido frequentemente mobilizado no debate político dos últimos anos. Seu mais corrente uso decorre de acusações da esquerda, principalmente a alinhada ao Partido dos Trabalhadores, contra o amplo recurso a argumentos morais mobilizados contra os governos petistas, principalmente após 2004. Então presidente do partido, José Genoíno acusa seus oponentes de um “lacerdismo tardio”, em entrevista à Folha de São Paulo: “Tentam fazer aquilo que eu classifico como lacerdismo tardio de alguns vestais do presente, que buscam igualar todo mundo”21. Nesse cenário, o termo passou a frequentar constantemente o vocabulário da imprensa alternativa próxima ao petismo, em sites como o Brasil 247, O Diário do Centro do Mundo, o Cafezinho, entre outros. Não raramente as acusações de lacerdismo desses sites ou de figuras próximas ao campo tomam por adversário não a direita, mas partidos que pretendem criticar o PT à esquerda, como o PSOL. Mesmo sem mencionar o termo, esse é o sentido das críticas de Lula à pretensão de pureza dos psolistas, feitas em entrevista de 2017.22
O constante crescimento do vocabulário varguista entre os intelectuais mais próximos do petismo fez o termo lacerdismo também presente em influentes interpretações sobre os governos do partido, mesmo que por vezes sem receber seu próprio nome, retratado como o pensamento e ação política da classe média anticomunista e das “elites antipovo”,23 que teriam na UDN uma precursora. O conteúdo do termo udenismo nesses discursos pouco difere do uso comum do lacerdismo. Esse é o caso do primeiro texto do livro “Brasil: entre o passado e o futuro”, organizado por Marco Aurelio Garcia e Emir Sader, onde o último autor estabelece, já no título, um claro paralelismo entre Vargas e Lula. Muitas décadas depois, o confronto entre PTB e UDN assumia outras tintas, agora contrapondo PT e PSDB. André Singer, em afirmação próxima, aponta o retorno da gramática política dos anos 1960, marcada por um “conflito entre um Estado popular e elites antipovo”.24
O próprio Partido dos Trabalhadores já foi também vidraça nas acusações de lacerdismo. Desde a velha blague brizolista de que o PT seria a “UDN de macacão”, disposta a ironizar o partido por seu discurso moralista e sua base eleitoral nas classes médias, o partido se depara eventualmente com tal tipo de acusação dos seus adversários, sobretudo os localizados mais à direita do espectro político. Marly Motta aponta como Fernando Henrique Cardoso classificou as mobilizações do PT em 1999 como ação “lacerdista” marcada pelo intuito de desrespeitar o voto popular.25 Anos mais tarde, na eleição de 2014, o candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva recorreria ao termo para classificar ataque petistas contra a política acreana: “Achamos muito lamentável que a Dilma tenha escolhido o caminho do lacerdismo hoje, de espalhar o terror”.26

A longevidade do lacerdismo
As constantes acusações de lacerdismo sem dúvida dizem algo sobre a longeva trajetória de Carlos Lacerda e os desdobramentos das suas ideias e repertórios de ação. Elas interessam mais, sobretudo, como sintoma de algumas características persistentes da cultura política brasileira e índice de importantes movimentos em determinadas conjunturas. As duas almas do lacerdismo, a do “demolidor de presidentes” e a do “construtor de estado”, estão umbilicalmente ligadas a um processo de ampla inclusão de massas no cenário político, no qual o país veria o 1,5 milhão de eleitores de 1933 tornarem-se 7,5 milhões em 1945 e 18,5 milhões em 1962. O aumento de mais de 12 vezes do eleitorado transformaria de forma decisiva o modo de fazer política no Brasil. Mesmo com todos os limites da ordem de então, como a proibição do voto dos analfabetos e a cassação do Partido Comunista Brasileiro em 1947, é inegável que a cena política mudou de escala e ganhou uma dose de indeterminação até então desconhecida. As elites udenistas, certas de sua vitória na primeira eleição de Eduardo Gomes, foram surpreendidas por dimensões da disputa até então desconhecidas em suas trajetórias. Não mais se resolviam eleições apenas em cafés, almoços e reuniões de portas fechadas, já que a costura de alianças agora precisava conviver com o diálogo aberto com as massas, ainda controladas pela coerção sindical e pela violência aberta no mundo rural, mas capazes de vislumbrar horizontes até então desconhecidos.

Vargas e Lacerda foram provavelmente os políticos que melhor compreenderam esse novo mundo. Em meio a um cenário marcado por “utopias oligárquicas”,27 eles conseguiram construir formas de ação política numa sociedade de massas, que, como já fora diagnosticado por personagens tão díspares como Rui Barbosa e Azevedo Amaral, ainda na Primeira República, emergiam de forma decisiva na arena pública brasileira a partir da década de 1910. A voz de Vargas ecoou sobretudo a partir de sua enorme habilidade de construir instituições. Lacerda, por sua vez, moldou uma persona adequada aos novos tempos, seja através do seu texto, direto e repleto de imagens cunhadas com o intuito de destruir reputações, seja por meio do seu estilo de atuação na imprensa e na televisão, onde modulava a voz e recusava um tom empolado, marca da maior parte da classe política de então, para conseguir atingir de forma mais intensa os habitantes desse novo mundo político.
Seu estilo de atuação aponta para um novo tipo de intelectual público, o polemista midiático, popularizado nos Estados Unidos, emulado no Brasil por Paulo Francis e agora reivindicado por figuras dessa crescente direita radical brasileira.28 A mudança não está na busca da polêmica, já presente em bacharéis e literatos anteriores, mas no estilo de construí-la. Lacerda faz uso de seus conhecimentos como jornalista para moldar sua persona de político, também inovadora no cenário público de então. A passagem do terceiro volume das memórias de Afonso Arinos de Melo Franco,29 onde o bacharel relata a decisiva contribuição de político para sua vitoriosa campanha para senador do Rio de Janeiro, contra Lutero Vargas, ilustra perfeitamente toda a transformação acima relatada e a sensibilidade do político mineiro sobre as mudanças no mundo onde aprendera a fazer política. O caminhão do povo com o qual ele percorria bairros do Rio de Janeiro que nunca conhecera, o contato com uma população com a qual não estava habituado a dialogar, a virulenta retórica do jornalista, tudo soava novo aos seus ouvidos.
Ironicamente, Lacerda ajudou a inaugurar um mundo que não o comportava como indivíduo. O novo cenário político retirava a centralidade das personalidades excepcionais, que sempre surgirão, pois o mundo político não vige sem o carisma, mas tiveram seu número drasticamente reduzido. A política de notáveis deu lugar a políticos mais hábeis em responder a demandas de uma população mais ativa, o que resultou em uma explícita popularização da representação política. Mesmo com o papel central de trajetórias privilegiadas e recursos pessoais nas campanhas bem-sucedidas no mundo político do pós-1988, uma breve comparação de qualquer Congresso do período com os eleitos ao longo da República de 1946 demonstra mudanças evidentes. O lacerdismo, entretanto, sobreviveria ao seu criador.
Apesar do cultivo dessas novas personas, Lacerda teve dificuldades em ultrapassar os limites da classe média, sua mais sólida base eleitoral.30 As razões passam, sem dúvida, por sua dificuldade na construção de instituições, mas não se limitam a isso. A agenda política de Lacerda surgia como barreira, capaz de fechar as portas que o seu estilo abria. A defesa de elites como timoneiras da sociedade, a moralização de todos, as dimensões da disputa política e a radicalidade subversiva da sua atuação não mobilizavam as massas urbanas mais pobres, próximas do imaginário trabalhista varguista. As análises dos mapas eleitorais da votação de Lacerda para o governo da Guanabara apontam claramente neste sentido.31 O malogro do candidato eleito com maior proximidade ao seu estilo político, Jânio Quadros, aumentava, por sua vez, as dificuldades do seu futuro percurso. Lacerda, por outro lado, não apresentava proposta alternativa para os trabalhadores próximos do imaginário varguista ou delineava caminho para atrair o mundo rural. Sua firme oposição ao voto do analfabeto e o constante recurso a manobras golpistas demonstravam, na verdade, seu ceticismo sobre as chances de vitória udenistas no cenário da República de 1946.
As duas almas do lacerdismo nutrem, portanto, explícito viés demofóbico,32 de temor da irrupção das massas no cenário político. Seja por meio da construção de um Estado capaz de gerir policialmente a sociedade ou de um estilo de atuação política que constantemente reivindicava instrumentos autoritários, a questão central era restringir o processo de democratização que, a despeito de todos os problemas, transcorria na República de 1946. Não estamos, todavia, diante de uma jabuticaba. As particularidades locais convivem com padrões observados em outras latitudes. Alguns autores, como Svend Ranulf e Hélio Jaguaribe,33 destacam como a retórica moralizante e disruptiva do lacerdismo, por exemplo, é comum em momentos de perda de status relativo por parte de classes médias.
A longevidade do lacerdismo aponta para continuidade dessas questões. Trata-se de um sintoma da precária instituição da democracia liberal no Brasil. A persistência de uma linguagem política que cultiva o golpismo entre os seus atributos é marca particularmente eloquente dos limites à efetiva instituição de uma ordem democrática. Discursos marcados por uma clara crítica à democracia, frente a qual bradam soluções de exceção, não são arcaísmos isolados ou reminiscências do passado, mas narrativas centrais na atual conjuntura brasileira.
Tema de clássicos estudos acadêmicos durante a ditadura,34 a natureza do nosso liberalismo perdura como assunto de vital importância para compreender os caminhos do Brasil contemporâneo, já que é parte central desse discurso de exceção. Um dos mais influentes argumentos no cenário político brasileiro contemporâneo defende abertamente a limitação da vontade popular, e dos seus instrumentos, em prol de um discurso da boa técnica econômica, frente a qual a política surge como poluição indesejável. Seja na sua forma neoliberal, mais moderada, de figuras como Samuel Pessoa e Marcos Lisboa, ou no radicalismo ultraliberal, de Paulo Guedes, clama-se pela superação da Constituição de 1988, que “não caberia no orçamento”,35 e por um Banco Central plenamente autônomo. Surge a questão: autônomo perante quem? Perante a política, em primeiro plano, e a soberania popular, num segundo; razões necessariamente externas à boa razão econômica. Avesso à predominância da pura lógica econômica, o tempo aproxima a imagem de Lacerda, sob a perspectiva do “construtor de estado”, desse discurso.
O jornalista, por outro lado, é reivindicado por polemistas midiáticos da direita radical brasileira, caracterizados por uma combinação entre neoconservadorismo e neoliberalismo.36 Olavo de Carvalho, principal intelectual da expansão dessa direita radical e influente no atual governo Bolsonaro, já se manifestou algumas vezes de forma profundamente elogiosa a Carlos Lacerda. Em publicação na sua página oficial do Facebook, em 1º de setembro de 2014,37 ele define Lacerda como o “político direitista de maior sucesso no Brasil” e elogia sua disposição de “combater de peito aberto”. Segundo Carvalho, foi a “direita bem educadinha” que o relegou ao ocaso, por ele ter confrontado os “conciliadores pusilânimes”. Já em vídeos disponibilizados no YouTube,38 além de elencar Lacerda como uma das principais vozes da direita brasileira, Carvalho defende mesmo as mais polêmicas ações do jornalista, como a campanha contra a posse de Juscelino Kubitschek, em razão da suposta participação de comunistas em sua campanha.

Outro exemplo eloquente da emulação de Lacerda pela direita radical é o site “Sentinela Lacerdista”. O editor Lucas Berlanza é assessor de imprensa e colunista do site do Instituto Liberal, um dos principais think tanks da direita radical no Brasil, e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”, que mereceu elogiosa resenha39 do atual ministro da Educação, Ricardo Velez. O ministro vê Berlanza como um dos “bravos jovens da novel geração” dispostos a enfrentar “de peito aberto os seus adversários e inimigos”, ou seja, “a vulgata marxista” e os “velhos chavões marxista-leninistas”. Para provável gosto do autor, Velez afirma que ele “dá continuidade ao liberalismo-conservador que inspirou o grande Carlos Lacerda, um dos ícones do liberalismo brasileiro.” Lacerda, afirma o ministro seguindo seu mestre, Antonio Paim, foi vítima da miopia dos militares, que combateram liberais e não os “totalitários comunistas”. Na apresentação do site, Berlanza pretende emular a escrita e as ideias de Lacerda, como neste trecho: “Ele foi um. Onde sua eloquência e sua oratória genial se faziam presentes, os interesses mesquinhos dos falsários estremeciam de pavor, o castelo de cartas das suas traquinagens se expunha, desnudo, aos olhos conscientes da crítica mais arguta. Eles o temiam. Eles o odiavam”. Em outra parte, ele reivindica de forma positiva o termo lacerdismo, com o intuito de ressignificá-lo: “Lacerdista, sim! E daí?”.
Lacerda é retomado por esses atores sobretudo por sua “coragem”, capaz de denunciar as iniquidades e confrontar as esquerdas. Ele surge como um modelo para esses personagens, ávidos por revelar “verdades” e denunciar conspirações, inspirando-os sobretudo por sua retórica agressiva e direta, emulada por boa parte dos intelectuais da direita radical brasileira. Do mesmo modo como Lacerda pretendia subverter a ordem de então, vista como dominada pela corrupção trabalhista e subversão comunista, tais polemistas midiáticos buscam, com grande sucesso, desestabilizar a atual ordem democrática, tida como dominada pelo “marxismo cultural” e pelo “globalismo” de petistas e tucanos. Como já dito, mesmo ante alguns silêncios convenientes sobre o lugar do Estado e os costumes, a imagem condiz com a trajetória do Corvo.
O fortalecimento do imaginário lacerdista em momento de forte democratização da sociedade brasileira, após a progressista Constituição de 1988, decorre do mesmo tipo pressões desdemocratizantes de outros períodos. Depois de anos de controle das massas pelos métodos autoritários da ditadura, os tempos exigem novos repertórios demofóbicos, ou, como o é o caso, a retomada de velhas linguagens. Em certo momento próximo de uma faceta que restringia a soberania popular por meio das imposições da razão técnica, mais forte retórica desdemocratizante do pós-1988, o lacerdismo retomou, sobretudo após a chegada da esquerda ao poder, sua faceta disruptiva, representado pelo “demolidor de presidentes”. Mesmo ante a agenda moderada dos governos petistas, o movimento de democratização ainda afligia atores sociais relevantes, ávidos por limitá-lo. Fomos, segundo eles, longe demais. Uma das razões dessa retomada certamente decorre do tempo do mundo. Se o lacerdismo surge diretamente ligado ao contexto da Guerra Fria, sua atual relevância navega nas ondas de uma ampla expansão global de discursos e governos de direita radical, todos profundamente críticos dos mais moderados aspectos da democracia liberal.40 As blagues de Lacerda, por sua vez, parecem encontrar terreno propício no mundo dos memes e das redes sociais.
Lacerda torna-se contemporâneo numa conjuntura marcada por um dos principais aspectos do seu pensamento político: a radical moralização do mundo público. Nesse cenário, todos os embates são remetidos a uma concepção moral disjuntiva, que toma as questões em termos de disputas entre bem e mal. Contra o mal não é possível transigir, o único caminho é extirpá-lo, mesmo que através de soluções de exceção. O cenário assume tons ainda mais preocupantes em razão dos vagos contornos do inimigo a ser combatido, que, como nos idos da República de 1946, inicialmente se identificava com a “corrupção da esquerda” e progressivamente passou a assumir as vestes da “subversão comunista”. O golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, ou a última eleição presidencial, não pouparam exemplos dessa linha argumentativa.
Ideias e estilo semelhantes são conjugados por algumas novas vozes, centrais na presente cena. O Judiciário,41 dotado de enorme relevância político-institucional após 1988, torna-se um dos mais relevantes polos desse discurso moralizante e adere ao uso da mídia com fins à reformulação dos pilares da República, em tom que emula o imaginário lacerdista. Crítico da excessiva moderação e do reformismo dos bacharéis, Lacerda provavelmente veria com bons olhos a mudança. O lacerdismo também retorna à voz de típicos entusiastas, como as manifestações de alguns membros das Forças Armadas e de políticos de trajetória e identidade liberais bem demonstram. Para além do nome, ele se afirma como uma linguagem política central na atual conjuntura. Na última vez em que alcançou tal hegemonia no debate público, acabou por soterrar sob os escombros do regime destruído boa parte dos seus entusiastas, incluindo o próprio Lacerda. Sobre Castello Branco, o então comandante da nova ordem, um antigo lacerdista, Lacerda dizia se tratar de “homem imparcial, porque estava matando imparcialmente pobres e ricos. Matava os pobres de fome e os ricos de raiva”. A imparcialidade evidentemente só existia na retórica do jornalista. A frase, entretanto, pode soar adequada para os tempos que se aproximam.

O autor é professor adjunto do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
jchaloub84@gmail.com

NOTAS DE RODAPÉ

1. Em fevereiro de 2011, Vladimir Safatle falou em sua coluna na Folha de São Paulo sobre um certo “lacerdismo cultural” na imprensa brasileira. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2202201106.htm

2. SANTOS, Wanderley Guilherme dos. A práxis liberal no Brasil. In: Ordem burguesa e liberalismo político. Rio de Janeiro: Rocco, 1978.

3. CARDOSO, Fernando Henrique. “Para onde vamos?” O Globo, 3/11/2009.

4. CHALOUB, Jorge; PERLATTO, Fernando. Intelectuais da nova direita brasileira: ideias retórica e prática política. Revista Insight Inteligência, Rio de Janeiro, no. 82, jul-set. 2018.

5. WEBER, Max. Economia e Sociedade, vol. 1. Ed. UNB, 2015.

6. Tratei o tema em CHALOUB, J. G. S. Ecos de Getúlio. Revista de História (Rio de Janeiro), v.109, 2014. A melhor análise sobre o tema está no clássico livro de Angela de Castro Gomes: GOMES, Ângela de Castro. A invenção do trabalhismo. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005. Outra excelente análise sobre rotinização do carisma, tendo por objeto Leonel Brizola, está em SENTO-SÉ, João Trajano. Brizolismo: Estetização da Política e Carisma. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

7. FRANCO, Afonso Arinos de Melo. O intelectual e o político: encontros com Afonso Arinos. CAMARGO, Aspásia (org.) Senado Federal, 1983, p. 56.

8. LACERDA, Carlos. Discursos parlamentares: seleta. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1982, p. 26.

9. Entre os vários relatos autobiográficos de Lacerda, podemos mencionar seu depoimento em LACERDA, Carlos Depoimento. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1977.

10. Ibidem, p. 109.

11. Instituição política criada por Carlos Lacerda e Amaral Netto em 1953, com vistas à exercer uma oposição plena e irrestrita a seus adversários, sem grande limitação dos métodos utilizados.

12. Não é objetivo deste texto fazer uma mais profunda análise do pensamento político de Lacerda, o que fiz em CHALOUB, Jorge. O liberalismo de Carlos Lacerda. Dados vol. 61 no. 4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 2018.

13. Discurso disponível em https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/01/01/leia-a-integra-do-discurso-de-wilson-witzel-ao-ser-empossado-governador.ghtml

14. “ainda não estava na idade de sair da política”, declarou Lacerda, como bem destaca MOTTA, Marly Silva da. Carlos Lacerda: de demolidor de presidentes a construtor de estado. Nossa História. Rio de Janeiro, nº 19, p. 72-25, maio, 2005.

15. http://memoria.bn.br/DocReader/030015_11/1297?pesq=carlos%20lacerda

16. http://memoria.bn.br/docreader/030015_11/75734?pesq=carlos%20lacerda

17. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1010200025.htm. A reportagem me foi sugerida por texto de Marly Motta sobre o tema: MOTTA, Marly. Carisma, memória e cultura política: Carlos Lacerda e Leonel Brizola na política do Rio de Janeiro. Locus, Revista de História, v. 7, n. 2, 2001.

18. O tema é particularmente presente no livro que reúne pronunciamentos seus na campanha para o governo da Guanabara e durante o governo: LACERDA, Carlos. O Poder das Ideias. Rio de Janeiro, Distribuidora Record, 1964.

19. RESENDE, Otto Lara. O príncipe e o sabiá: e outros perfis. São Paulo Companhia das Letras, 2017.

20. MOTTA, Marly Silva da. Carlos Lacerda: de demolidor de presidentes a construtor de estado. Nossa
História. Rio de Janeiro, nº 19, p. 72-25, maio, 2005.

21. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2902200403.htm

22. “Sabe aquele cara que levanta de manhã, vai no espelho e fala, ‘espelho, espelho meu: tem alguém mais fodido que eu? Tem alguém mais sério do que eu? Tem alguém mais honesto que eu, mais bonito que eu, mais sabido que eu?” A entrevista, concedida ao jornalista José Trajano, pode ser consultada em https://www.youtube.com/watch?v=sOGog-kcFEo

23. Esse movimento foi analisado anteriormente por mim em CHALOUB, Jorge. CHALOUB, J. G. S. Os resquícios de 1946: populismo e udenismo no debate político atual. Revista Insight Inteligência, Rio de Janeiro, v. 65, p. 42-55, 2014.

24. SINGER, André. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. São Paulo: Companhia das Letras, p. 83, 2012.

25. MOTTA, Marly Silva da. Carlos Lacerda: de demolidor de presidentes a construtor de estado. Nossa História. Rio de Janeiro, nº 19, p. 72-25, maio, 2005.

26. https://br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN0GY01H20140903

27. CHALOUB, Jorge. O liberalismo entre o espírito e a espada: a UDN e a República de 1946. Tese de doutorado em Ciência Política, IESP-UERJ, 2015.

28. CHALOUB, Jorge; PERLATTO, Fernando. Intelectuais da nova direita brasileira: ideias, retórica e prática política. Revista Insight Inteligência, Rio de Janeiro, no. 82, jul-set. 2018.

29. FRANCO, Afonso Arinos de Melo. Planalto: memórias, vol. 3. Rio de Janeiro: José Olympio, 1968.

30. SOARES, Glaucio Ary Dillon. As Bases Ideológicas do Lacerdismo, Rio de Janeiro: Revista Civilização Brasileira n. 1, v. 4, p. 9-29, 1965.

31. PICALUGA, Isabel. Partidos Políticos e Classes Sociais: a UDN na Guanabara. Petrópolis: Vozes, 1980.

32. Sobre o conceito, ver AGUIAR, Thais Florêncio. Demofobia e demofilia: dilemas da democratização. Rio de Janeiro: Azougue, 2015.

33. RANULF, Svend. Moral Indignation and Middle Class Psychology. New York: Schocken Books, 1964; JAGUARIBE, Hélio. O moralismo e a alienação das classes médias. In: SCHWARTZMANN, Simon. O pensamento nacionalista e os cadernos de nosso tempo. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1981.

34. SANTOS, Wanderley Guilherme dos. A práxis liberal no Brasil. In: Ordem burguesa e liberalismo político. Rio de Janeiro: Rocco, 1978; VIANNA, Luiz Werneck. Liberalismo e Sindicato no Brasil. Paz e Terra, 1976.

35. CHALOUB, Jorge. A Constituição e o cenário político – um olhar sobre a crise. Disponível em https://revistaescuta.wordpress.com/2016/01/13/31/; LYNCH, Christian E. C., CHALOUB, Jorge, Constituição cidadã: trinta anos por um triz. Revista Insight Inteligência, Rio de Janeiro, no. 83, Out/Nov/Dez, 2018.

36. CHALOUB, Jorge; LIMA, Pedro; PERLATTO, Fernando, Direitas no Brasil contemporâneo. Teoria e Cultura, UFJF v. 13 n. 2 Dezembro, 2018.

37. Disponível em https://www.facebook.com/carvalho.olavo/photos/o-pol%C3%ADtico-direitista-de-maior-sucesso-no-brasil-carlos-lacerda-nunca-se-esconde/366192083532872/

38. https://www.youtube.com/watch?v=q7igiXQbuww; https://www.youtube.com/watch?v=r5BHTm9HHss

39. Disponível em http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/PDNDLB.pdf

40. RANCIERE, Jacques. Ódio à democracia. Boitempo, 2014.

41. CHALOUB, Jorge, LIMA, Pedro. Os juristas políticos e suas convicções: para uma anatomia do componente jurídico do golpe de 2016 no Brasil. Revista de Ciências Sociais. Fortaleza, v. 49, n. 1, p. 202-252, mar./jun., 2018.

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